A espuma de mar costuma chamar atenção de quem caminha pela praia, especialmente depois de dias de vento forte ou ressaca. Essa camada branca e cheia de bolhas, que se acumula na linha da arrebentação, é um fenômeno natural ligado diretamente à dinâmica do oceano e à presença de matéria orgânica na água. Embora pareça sabão, sua origem está em processos biológicos e físicos que ocorrem de forma constante no ambiente marinho e pode funcionar como um importante indicativo da qualidade ambiental costeira.
O que é a espuma de mar e como ela se forma
A chamada espuma de mar é um aglomerado de bolhas de ar presas em água do oceano enriquecida com matéria orgânica e substâncias surfactantes naturais. Essas substâncias funcionam de forma semelhante ao sabão, reduzindo a tensão superficial e permitindo que o ar, ao ser agitado pelas ondas, forme bolhas mais resistentes, em um processo comparável a bater água com detergente, porém em escala muito maior.
Esses compostos têm origem em diferentes fontes, como algas em decomposição, secreções de fitoplâncton, restos de animais marinhos microscópicos e partículas trazidas por rios. Quando o vento e o movimento das ondas aumentam, o mar se comporta como um grande misturador, incorporando ar à água e “batendo” essa mistura rica em compostos orgânicos, gerando a espuma marinha que se acumula na superfície e ao longo da costa.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do perfil @fatosdesconhecidos:
@fatosdesconhecidos Por que a água do mar forma espuma?
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Por que a espuma de mar é branca e o que sua cor indica
Embora a água do oceano possa ter tons azulados ou esverdeados, a espuma de mar branca é explicada pela forma como a luz interage com as bolhas. Cada bolha possui uma fina película de água envolvendo um núcleo de ar e, quando a luz solar incide sobre esse conjunto, é refletida e dispersa em múltiplas direções pelas superfícies curvas, resultando no aspecto esbranquiçado, semelhante ao observado em nuvens e neve.
Esse efeito óptico não está ligado à cor real da água, mas à estrutura física da espuma. Em alguns casos, porém, a coloração pode mudar: tons amarelados, acastanhados ou esverdeados podem indicar maior concentração de algas, sedimentos ou poluentes. Assim, a cor da espuma funciona como um indicador visual da composição da água, especialmente em períodos de grande produtividade biológica ou de influência antrópica mais intensa.
Espuma de mar é perigosa e quando merece atenção
Na maior parte das situações, a espuma do mar é um fenômeno natural e não representa risco direto à saúde de banhistas. Ela faz parte do ciclo de vida de algas e micro-organismos e está associada a processos ecológicos importantes, como a decomposição de matéria orgânica e a reciclagem de nutrientes, embora algumas condições específicas possam exigir cautela adicional.
Quando a espuma apresenta cheiro forte, aspecto oleoso, coloração anormal ou resíduos visíveis, pode estar relacionada à poluição, excesso de nutrientes ou floradas intensas de algas. Em cenários de bloom de algas, a decomposição desse material pode liberar toxinas ou consumir grandes quantidades de oxigênio dissolvido, afetando peixes e outros organismos marinhos e exigindo monitoramento ambiental mais rigoroso.
- Cor muito escura ou amarelada, fugindo do padrão esbranquiçado habitual;
- Odor forte ou desagradável, lembrando esgoto, óleo ou substâncias químicas;
- Presença de lixo, óleo ou resíduos espessos misturados à espuma;
- Relatos de mortandade de peixes ou irritação na pele em banhistas próximos.

Quando a espuma de mar aparece com mais frequência
A ocorrência de espuma nas praias costuma aumentar em períodos de mar agitado, ressacas e frentes frias, quando o vento intensifica a formação de ondas. Nessas condições, o oceano mistura com mais eficiência a água, o ar e os compostos orgânicos, gerando extensas faixas de espuma ao longo da costa, sobretudo em áreas com elevada produtividade biológica ou influência de rios.
Alguns fatores físicos e biológicos favorecem o aparecimento de grandes bancos de espuma de mar e ajudam a explicar por que determinadas regiões litorâneas registram o fenômeno com mais regularidade, tornando-se importantes pontos de observação para pesquisadores e órgãos de fiscalização ambiental.
- Fortes ventos e ondulação intensa: aumentam a capacidade de “bater” a água e produzir bolhas.
- Alta carga de matéria orgânica: mais algas e micro-organismos significam mais surfactantes naturais.
- Descarga de rios e estuários: trazem nutrientes, sedimentos e partículas que alimentam o processo.
- Períodos após tempestades: o mar revolto redistribui materiais da coluna d’água para a superfície.
Com o avanço dos estudos sobre qualidade da água e monitoramento costeiro, a espuma de mar segue sendo usada como um dos vários indicadores visuais das condições do ambiente marinho. Embora faça parte do cenário comum de muitas praias, a observação atenta de sua aparência, cheiro e frequência ajuda a entender melhor o estado dos ecossistemas costeiros e possíveis alterações ligadas à ação humana.








