Ao discutir a pereza, Friedrich Nietzsche não a tratava apenas como falta de vontade de agir, mas como um sinal de acomodação e fraqueza interior em uma cultura que privilegia o conforto acima de qualquer esforço. Para o pensador alemão, esse estado de apatia comprometia a possibilidade de uma vida realmente criativa e plena de sentido, pois bloqueia a autossuperação e o desenvolvimento de um espírito forte, capaz de transformar o sofrimento em potência.
O que significa superar a pereza na filosofia de Nietzsche
A palavra-chave nesse debate é superar a pereza, entendida não apenas como levantar-se da cama ou concluir tarefas atrasadas, mas como transformar a relação do indivíduo com o esforço e com a dificuldade. Na visão de Nietzsche, superar a inércia envolve enfrentar medos, limites e frustrações, encarando cada obstáculo como chance de fortalecimento e de afirmação da própria vontade.
Nesse cenário, a pereza se associa à figura do chamado “último homem”, personagem que busca conforto permanente, evita conflitos e prefere uma vida previsível. Tal atitude conduz a uma existência rasa, sem grandes projetos ou ambições elevadas, em contraste com o ideal do além-do-homem que abraça o risco e a criação de novos valores.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do psicólogo Guilherme Angrao (@guilhermeangraoficial):
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Como a sociedade alimenta a pereza e a acomodação nas pessoas
Nietzsche sugeria que certas normas sociais e morais reforçam a tendência à acomodação e à passividade. Códigos de conduta rígidos, expectativas coletivas de comportamento e a busca constante por aprovação podem incentivar atitudes conformistas, desestimulando a iniciativa individual e o pensamento crítico que exigem esforço e coragem.
A busca pela gratificação imediata também contribui para esse quadro, especialmente em sociedades marcadas por consumo e entretenimento constantes. O acesso fácil a distrações, recompensas rápidas e soluções prontas reduz o incentivo à persistência em tarefas longas ou exigentes, favorecendo um estilo de vida disperso e pouco profundo.
- Recompensas imediatas: reduzem a tolerância à frustração.
- Excesso de entretenimento: dificulta a concentração prolongada.
- Medo de errar: impede tentativas e experimentações necessárias ao aprendizado.
Como superar a pereza na prática segundo esse enfoque filosófico
Ao tratar de como superar a pereza, a filosofia de Nietzsche aponta para a construção de uma postura mais ativa diante da vida. Isso envolve aceitar que o esforço faz parte de qualquer trajetória significativa e que o desconforto é um preço da criação; o indivíduo deixa de esperar motivação constante e passa a confiar em hábitos, disciplina e clareza de propósito.
Uma forma prática de aplicar esse enfoque é dividir grandes objetivos em etapas menores, de modo a reduzir a sensação de peso inicial. Ao mesmo tempo, torna-se fundamental enfrentar o medo do fracasso, entendendo erros como parte do processo de fortalecimento e de lapidação da vontade, em vez de sinais de incapacidade definitiva.
- Definir metas exigentes, porém realistas: estabelecer objetivos que desafiem sem se tornarem inatingíveis.
- Criar rotinas estáveis: reservar horários fixos para atividades importantes, reduzindo espaço para a procrastinação.
- Quebrar tarefas complexas: transformar grandes projetos em ações diárias simples e mensuráveis.
- Praticar o autocontrole: limitar distrações e gratificações imediatas que desviam do foco principal.
- Reavaliar valores pessoais: questionar se a prioridade maior é o conforto ou o crescimento.

O medo do sofrimento impede superar a pereza
O medo de sofrer, de se frustrar ou de não corresponder às expectativas ocupa lugar central nessa discussão sobre pereza. Para Nietzsche, esse temor funciona como um combustível da inércia: ao evitar qualquer situação desconfortável, o indivíduo adota um comportamento defensivo, afastando-se de desafios que poderiam ampliá-lo e fortalecer seu caráter.
Superar a pereza, nessa ótica, envolve reformular a relação com o sofrimento e com a dor psíquica. Esforço, frustração e incerteza deixam de ser vistos apenas como ameaças e passam a ser interpretados como sinais de que algo relevante está em jogo, aproximando-se da ideia de “amor fati”, isto é, de amar também o que é difícil e inevitável na vida.
Disciplina e força de vontade como caminhos de transformação pessoal
A ênfase de Nietzsche na disciplina não se limita a regras rígidas ou autoimposição severa; trata-se de construir uma vontade capaz de sustentar projetos de longo prazo. Em contraste com a pereza, que busca atalhos e satisfação imediata, a força de vontade se orienta por objetivos que exigem tempo, constância e paciência, aproximando o indivíduo de uma vida mais criadora.
Ao adotar essa perspectiva, a superação da pereza deixa de ser um esforço pontual e passa a se tornar um processo contínuo de autossuperação. A cada desafio assumido, a capacidade de perseverar se fortalece, criando um ciclo em que a disposição para agir substitui a antiga tendência à inércia e abre espaço para uma existência guiada por metas difíceis, porém cheias de sentido.







