Infartos e derrames seguem sendo algumas das principais causas de morte no mundo, mas estudos recentes indicam que, na maior parte das vezes, esses episódios graves não acontecem de forma totalmente inesperada. Pesquisas com milhões de adultos mostram que quase todos os casos de doença cardiovascular importante são precedidos por fatores de risco bem conhecidos, o que significa que uma parte expressiva desses eventos poderia ser evitada com acompanhamento, exames periódicos e controle adequado do estilo de vida.
A pesquisa foi publicada na JACC Journals.
Quais são os principais fatores de risco para doenças do coração
A expressão doenças do coração, ou doença cardiovascular, abrange condições como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca. Análises com grandes bases de dados de saúde indicam que quase todos os pacientes que passaram por um evento cardiovascular importante apresentavam pelo menos um fator de risco modificável antes do problema, mesmo que não soubessem disso.
Entre esses fatores, a hipertensão arterial aparece com destaque, afetando silenciosamente grande parte da população. Estimativas indicam que mais de 9 em cada 10 pessoas que sofreram infarto, derrame ou falência do coração tinham pressão alta diagnosticada ou não, geralmente associada a colesterol alto, glicemia alterada e, em muitos casos, tabagismo atual ou passado.
Como os fatores de risco mais comuns afetam o coração
Entre os fatores mais estudados, quatro se destacam pela força da associação com eventos cardiovasculares graves ao longo dos anos. Esses elementos costumam atuar em conjunto, aumentando de forma importante a sobrecarga sobre o coração e os vasos sanguíneos, mesmo em pessoas que se sentem bem no dia a dia.
A seguir estão alguns dos principais fatores que merecem atenção e monitoramento regular por parte de profissionais de saúde e pacientes:
- Pressão alta (hipertensão arterial): elevação persistente da pressão nas artérias, geralmente sem sintomas.
- Colesterol alto: excesso de gorduras no sangue, especialmente o LDL, que facilita a formação de placas.
- Glicemia elevada: pré-diabetes ou diabetes mal controlado, que danificam progressivamente os vasos.
- Tabagismo: uso atual ou passado de cigarros e outros produtos de tabaco, que inflamam e endurecem as artérias.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do @casal_cardio_oficial:
@casal_cardio_oficial 5 fatores de risco são responsáveis por quase metade dos infartos. É possível evitar. Obesidade, diabetes, colesterol alto, tabagismo, pressão alta. @É de Coração EMS #prevencaocardiovascular ♬ som original – casal_cardio_oficial
Doenças do coração podem ser previstas e prevenidas na prática
As evidências recentes indicam que, em grande medida, as doenças do coração podem ser previstas a partir da identificação precoce de fatores de risco. Estudos populacionais com adultos de diferentes países apontam que quase 99% dos eventos cardiovasculares analisados estavam associados a pelo menos um dos quatro grandes fatores: pressão alta, colesterol elevado, alteração na glicemia ou tabagismo.
Mesmo em mulheres com menos de 60 anos, consideradas tradicionalmente de menor risco, mais de 95% dos casos de infarto ou AVC apresentavam histórico desses elementos. Isso reforça que episódios sem fator de risco identificável são raros e muitas vezes refletem problemas de base ainda não diagnosticados, em estágio inicial ou abaixo dos limites usados na prática clínica.
Por que a ausência aparente de risco pode ser enganosa
Em diversos casos, a chamada “ausência de risco” ocorre porque a pessoa não realiza exames periódicos ou não mede a pressão com regularidade. Assim, condições silenciosas, como hipertensão leve, colesterol limítrofe ou pré-diabetes, podem passar despercebidas por anos, enquanto o dano vascular se acumula de forma lenta e contínua.
Para a saúde pública, esse cenário mostra que é mais eficaz concentrar esforços em detectar e tratar o que é modificável do que buscar causas raras. Pressão, colesterol, glicemia e tabaco são alvos claros de intervenção, e o acompanhamento de rotina com profissionais de saúde é uma das principais estratégias para reduzir o risco futuro de infarto e AVC.
Como reduzir o risco de doenças do coração no dia a dia
A prevenção da doença cardiovascular não se baseia em uma única medida, mas em um conjunto de ações contínuas e consistentes. Combinar ajustes no estilo de vida com acompanhamento médico regular costuma ser a forma mais eficaz de manter o coração protegido ao longo dos anos, mesmo em pessoas com histórico familiar.
- Acompanhamento regular da pressão arterial
Medir a pressão com frequência ajuda a identificar a hipertensão precocemente. Quando detectada, o uso de medicamentos, aliado a mudanças no estilo de vida, reduz o risco de infarto e AVC. - Avaliação periódica de colesterol e glicemia
Exames de sangue de rotina permitem monitorar os níveis de gordura e açúcar no sangue. Ajustes na alimentação, atividade física e, quando necessário, remédios específicos ajudam a manter esses valores em faixas consideradas seguras. - Abandono do tabagismo
Parar de fumar diminui o risco de doenças do coração e do cérebro em qualquer idade. A redução do risco começa pouco tempo depois da interrupção e se acumula com o passar dos anos. - Hábitos de vida mais saudáveis
Alimentação com menor teor de sal, gorduras saturadas e ultraprocessados, associada a consumo adequado de frutas, legumes e verduras, contribui para controlar peso, pressão, colesterol e glicose. - Atividade física regular
Caminhadas, ciclismo, natação ou outras modalidades, na intensidade recomendada por profissionais de saúde, ajudam a proteger o sistema cardiovascular.
Quais sinais de alerta exigem atendimento imediato
Além da prevenção ao longo da vida, é essencial reconhecer rapidamente os sinais de alerta de infarto e AVC. Agir nas primeiras horas pode reduzir complicações e aumentar as chances de recuperação, tornando fundamental buscar atendimento de emergência diante de sintomas suspeitos.
Dor ou desconforto no peito, falta de ar súbita, tontura intensa, alteração na fala, fraqueza em um lado do corpo e mudança brusca na visão são alguns exemplos que exigem avaliação imediata. Em situações assim, é recomendável acionar o serviço de urgência sem tentar se deslocar sozinho, pois cada minuto conta para salvar músculo cardíaco e tecido cerebral.

Por que o controle precoce dos fatores de risco faz tanta diferença
Especialistas em cardiologia ressaltam que o dano cardiovascular é cumulativo. A exposição prolongada a pressão alta, colesterol elevado, glicemia alterada e fumaça do cigarro provoca alterações progressivas nas artérias, facilitando a formação de placas e a obstrução dos vasos, muitas vezes décadas antes de qualquer sintoma.
Ao iniciar o tratamento ainda nas fases iniciais de alteração da pressão, do colesterol ou da glicose, a tendência é reduzir a velocidade de deterioração dos vasos e do músculo cardíaco. Da mesma forma, o abandono do tabagismo em qualquer etapa da vida está associado a queda gradual no risco de infarto e derrame em comparação a quem continua fumando, reforçando a importância de intervir cedo.
Qual é a mensagem central sobre prevenção das doenças do coração
Diante desse cenário, a mensagem central dos estudos recentes é direta e baseada em evidências: a maioria das doenças do coração não surge de forma imprevisível. Na grande parte dos casos, existe um histórico de fatores de risco identificáveis e tratáveis, que podem ser controlados com monitoramento e orientação adequada.
Quanto mais cedo esses elementos forem detectados e manejados, maiores são as chances de manter o coração e os vasos sanguíneos em melhor condição ao longo dos anos. Investir em prevenção, exames de rotina e mudanças sustentáveis no estilo de vida é uma das formas mais eficazes de reduzir a probabilidade de infarto, AVC e insuficiência cardíaca no futuro.









