Não sentir vontade de entrar no mar é uma experiência relatada por muitas pessoas, mesmo em contextos em que a praia costuma ser associada ao lazer e às férias. Em vez de ser um sinal direto de medo, essa reação costuma envolver a forma como o cérebro avalia segurança, controle e previsibilidade em ambientes naturais, e pode estar ligada tanto à história de vida quanto ao modo como cada um percebe o próprio corpo e o ambiente ao redor.
O que significa não gostar de entrar no mar segundo a psicologia
A psicologia aponta que não gostar de se meter no mar pode estar ligado à maneira como o cérebro lida com a ideia de controle e segurança. Em superfícies estáveis, como o chão firme, o corpo sabe exatamente onde está o apoio; já na água profunda, essa referência é reduzida e o sistema nervoso reage com maior cautela, como trouxe a pesquisa “Diving and Treatment of Aquaphobia in Cognitive Behavior Therapy: A Case Study”.
Pesquisas sobre comportamentos de evitação em ambientes aquáticos sugerem que o cérebro humano possui um viés de proteção diante de riscos potenciais, mesmo que pequenos. Assim, a sensação de insegurança pode surgir como um desânimo em entrar na água, sem necessariamente configurar uma fobia, mas sim um mecanismo de autopreservação ajustado à história de vida e ao perfil sensorial de cada indivíduo.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da psicóloga Mayara Aurélia (@psicologamayaraaurelia):
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Por que o mar provoca sensação de alerta no corpo e na mente
A relação entre o mar e a sensação de alerta envolve fatores emocionais, cognitivos e físicos. Em nível emocional, o mar simboliza imprevisibilidade: o fundo não é visto com clareza, as correntes podem mudar e as ondas variam de intensidade em pouco tempo, o que aumenta a percepção de vulnerabilidade.
Para algumas pessoas, essa imprevisibilidade é interpretada como um sinal para manter distância ou limitar o tempo dentro da água. A seguir, alguns elementos ajudam a entender por que o mar pode gerar esse estado de alerta e desconforto moderado:
- Necessidade de controle: a água em movimento dificulta a sensação de estabilidade e pode gerar insegurança corporal.
- Resposta de proteção: o cérebro costuma priorizar a sobrevivência em cenários percebidos como incertos.
- Histórias anteriores: episódios de susto na água, mesmo na infância, influenciam a relação com o mar na vida adulta.
- Sensibilidade física: pessoas mais sensíveis ao frio, ao balanço do corpo ou à pressão da água sentem desconforto mais rápido.
- Preferência individual: nem todos apreciam as mesmas sensações, mesmo em contextos de lazer e férias.
Não gostar de entrar no mar é sempre um problema para a saúde mental
De modo geral, não gostar de entrar no mar é entendido como uma preferência válida. Muitas pessoas aproveitam a praia de outras formas: caminham na beira, leem na sombra, observam o horizonte ou socializam na areia, mantendo o contato com o ambiente costeiro sem precisar mergulhar.
Profissionais de saúde mental destacam que a preocupação maior surge quando a evitação da água gera sofrimento intenso ou interfere de forma significativa na rotina. Nesses casos, é importante observar a frequência, a intensidade e o impacto desses comportamentos no dia a dia.
Quais sinais indicam que a relação com o mar merece atenção profissional
Especialistas costumam apontar alguns sinais que sugerem a necessidade de uma avaliação psicológica mais detalhada. Esses indícios ajudam a diferenciar uma simples preferência pessoal de um quadro de medo intenso, fobia ou ansiedade relacionada a ambientes aquáticos.
- Evitar completamente viagens ou passeios por causa da presença do mar ou de piscinas.
- Sentir sintomas físicos fortes, como palpitações intensas ou falta de ar, só de pensar em ambientes aquáticos.
- Adaptar a vida cotidiana de forma rígida para não se aproximar de lugares com água.

Como construir uma relação saudável com o mar respeitando limites pessoais
A psicologia destaca que a relação com o mar pode ser construída de maneira gradual e respeitosa com a sensibilidade de cada um. Para quem sente leve desconforto, estratégias espontâneas como entrar só até os tornozelos, permanecer em áreas rasas ou escolher horários em que o mar está mais calmo ajudam a manter algum contato com a água sem elevar demais a tensão.
Em muitos casos, a chave está em reconhecer que o prazer não é universal e que o lazer não precisa envolver mergulhos profundos. A praia pode ser cenário de descanso, contemplação e convivência social, independentemente da profundidade alcançada dentro do mar, e respeitar limites internos passa a ser entendido como parte essencial do cuidado com a própria saúde.








