Na Argentina, recusar um mate pode chamar a atenção em muitos círculos sociais, já que a infusão está profundamente ligada ao cotidiano do país. A bebida aparece em praças, locais de trabalho, viagens e encontros familiares, funcionando como um elo silencioso entre gerações. Por isso, o fato de uma pessoa não gostar de tomar mate costuma gerar curiosidade e levantar perguntas sobre sua história, seu ambiente de crescimento e até seu modo de se relacionar com os outros.
O que significa não gostar de tomar mate segundo a psicologia
A psicologia entende que as escolhas ligadas à alimentação e às bebidas raramente são apenas sobre sabor, envolvendo também memória afetiva, contexto social e até características biológicas. No caso específico de quem não gosta de tomar mate, observa-se uma combinação de fatores que vão desde a sensibilidade gustativa até questões de identidade e pertencimento, como trouxe a pesquisa “Associations between Taste Perception Profiles and Empirically Derived Dietary Patterns: An Exploratory Analysis among Older Adults with Metabolic Syndrome”.
Ao analisar o comportamento de quem recusa o mate, profissionais de psicologia social destacam que não se trata, em geral, de um traço de caráter ou de um indicador de sociabilidade. Muitas pessoas participam de encontros, mantêm relações próximas e valorizam o convívio, mas simplesmente não se adaptam à bebida, e o significado desse gesto depende, sobretudo, de como o grupo interpreta essa escolha.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do perfil @nosdaquestao, que explica a relação das festas e a sociabilidade:
@nosdaquestao Muita gente acha que não gostar de festa ou aglomeração é ser antissocial — mas, na verdade, pode ser só uma forma diferente de recarregar as energias. Existem pessoas que se alimentam do convívio e outras que se desgastam com ele. E tudo bem. O problema começa quando você tenta se encaixar num ritmo que não é o seu. Será que o seu jeito de estar no mundo precisa mesmo ser igual ao da maioria? #Psicologia #Autoconhecimento #SaúdeEmocional #Introversão #Reflexão ♬ som original – Nós Da Questão @Marcos Lacerda
Por que algumas pessoas rejeitam o mate
Há uma série de motivos que podem explicar por que alguém não gosta de tomar mate, e parte deles está vinculada a fatores corporais e à história de vida. Entre os elementos mais citados em estudos e observações clínicas aparecem componentes genéticos, experiências sensoriais marcantes e até o contexto social em que a pessoa cresceu.
Nesse sentido, o ato de não tomar mate pode ser lido como um pequeno indicador de trajetória individual, refletindo influências familiares, ambientais e biológicas, sem apontar para qualquer traço fixo de personalidade. A palavra-chave, para a psicologia, é história de vida, que organiza percepções, preferências e formas de se inserir nos rituais coletivos.
- Sensibilidade ao amargor: o mate tem um sabor marcado, que pode ser percebido como muito intenso por algumas pessoas, ligando-se a diferenças genéticas na percepção de sabores.
- Ausência de hábito familiar: quando a bebida não faz parte da rotina da casa, na infância e adolescência, a chance de incorporá-la na vida adulta diminui.
- Experiências iniciais desagradáveis: um primeiro contato associado a mal-estar, gosto excessivamente forte ou contexto desconfortável pode gerar rejeição duradoura.
- Busca de individualidade: em um ambiente onde o mate ocupa lugar central, escolher outra bebida pode funcionar como forma de diferenciar-se e marcar limites pessoais.
Não gostar de mate interfere nas relações sociais
A preocupação sobre o significado de recusar a bebida costuma surgir em ambientes muito marcados pela tradição do mate. Em alguns grupos, oferecer um mate é quase sinônimo de convidar para a conversa, o que leva muitas pessoas a se perguntarem se a recusa pode ser interpretada como distanciamento ou crítica ao costume.
Quando a pessoa que não gosta de tomar mate participa de outras práticas coletivas – como compartilhar uma refeição, acompanhar a roda com outra bebida ou manter o diálogo ativo – o grupo tende a perceber a recusa apenas como uma preferência pessoal. O desconforto é maior quando não há comunicação clara ou quando o gesto é interpretado como rejeição ao convívio, e não como simples escolha alimentar.
- Em contextos formais, como ambientes de trabalho, é comum que quem não toma mate participe das pausas coletivas com café, chá ou água, mantendo o espaço de interação.
- Em encontros familiares, muitas vezes, a recusa é rapidamente normalizada, desde que se mantenham outras formas de estar junto, como conversar, cozinhar ou brincar com crianças.
- Entre amigos, a dinâmica tende a ser ainda mais flexível, e o mate convive com outras bebidas sem que isso afete a proximidade do grupo.

O que o mate revela sobre identidade e pertencimento na Argentina
O mate funciona, na Argentina, como um símbolo de identidade coletiva, aparecendo em músicas, campanhas publicitárias e referências cotidianas. Essa presença reforça a ideia de uma prática amplamente compartilhada, ainda que a relação com a bebida varie de acordo com a região, a classe social e as experiências individuais de cada pessoa.
Quem aprecia o mate costuma associá-lo à calma, à conversa e à companhia, enquanto quem não gosta encontra outros rituais para os mesmos fins, como o café, o tereré ou encontros sem bebida protagonista. Assim, não gostar de tomar mate pode ser entendido como um traço individual em um contexto coletivo forte, mostrando que cada pessoa constrói sua própria forma de estar em grupo e de se sentir parte de uma mesma comunidade.








