Na língua portuguesa, a expressão “é proibido” costuma gerar dúvidas de concordância, especialmente em frases como “É proibido a entrada” ou “É proibida a entrada”. A questão envolve a relação entre o verbo ser, o adjetivo “proibido” e o substantivo que o acompanha. Entender essa estrutura ajuda a formular avisos, placas e textos normativos de forma adequada e clara, garantindo também objetividade e padronização em contextos formais.
Quando usar é proibido e é proibida corretamente
As duas formas podem estar corretas, mas cada uma depende da estrutura da frase. Em linhas gerais, a regra é a seguinte: se o substantivo vier acompanhado de artigo ou pronome, o adjetivo faz concordância; se vier sem determinante, o adjetivo fica no masculino singular. Assim, a escolha entre “é proibido” e “é proibida” não é aleatória, e sim condicionada à presença ou ausência de palavras como “a”, “aquela”, “essa”, “minha”, entre outras.
Observe os dois modelos mais comuns, ambos aceitos na norma culta, e repare como a mudança de artigo altera a concordância, mas não modifica o sentido prático do enunciado:
- Sem artigo ou pronome: “É proibido entrada de pessoas não autorizadas.”
- Com artigo: “É proibida a entrada de pessoas não autorizadas.”
Como funciona a concordância em é proibido
Na gramática normativa, “proibido” atua como adjetivo ligado ao verbo ser em construções impessoais, formando o que muitos gramáticos chamam de locução adjetiva de sentido geral. A concordância depende de como o substantivo aparece na frase: quando o substantivo vem determinado, o adjetivo acompanha gênero e número; quando vem sem determinante, a forma padrão permanece no masculino singular.
Veja alguns exemplos que ilustram a regra e mostram como a frase pode se adaptar ao grau de formalidade ou ênfase desejado pelo redator, sem perder a correção gramatical:
- “É proibido fumar neste local.” (substantivo sem artigo; mantém “proibido” no masculino singular)
- “É proibida a venda de bebidas alcoólicas para menores.” (substantivo com artigo; “proibida” concorda com “venda”)
- “É proibidas as vendas sem nota fiscal.” (forma inadequada; o usual é “São proibidas as vendas…”, ou “É proibida a venda…”)
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Professor Noslen (@professornoslen):
@professornoslen PROIBIDO ou PROIBIDA a entrada? 🚫 O certo é: ✅Proibido entrada. Agora, se vier artigo na frente, o certo é: ✅PROIBIDA a entrada. E agora, água é BOM ou água é BOA? Qual o certo? #português #línguaportuguesa #concurso #enem #dicasdeportuguês ♬ som original – professornoslen
Quando usar é proibida a entrada de pessoas não autorizadas
A frase “É proibida a entrada de pessoas não autorizadas” segue a concordância clássica entre adjetivo e substantivo com artigo definido. O núcleo do sujeito é “entrada”, substantivo feminino singular, antecedido do artigo “a”. Assim, o adjetivo assume a forma feminina: “proibida”. Esta é a opção mais comum em avisos e cartazes formais encontrados em empresas, condomínios e instituições públicas.
Já a forma “É proibido entrada de pessoas não autorizadas” também é aceita, porque o substantivo “entrada” aparece sem artigo, funcionando como um substantivo em sentido genérico. Nessa construção, “é proibido” mantém a forma fixa, impessoal, sem concordar em gênero com o substantivo que vem depois. O que se considera inadequado é misturar as duas estruturas, como em:
- “É proibido a entrada de pessoas não autorizadas.” (uso híbrido, considerado incorreto)
Quais são os erros mais comuns no uso de é proibido
Algumas falhas de concordância aparecem com frequência tanto na fala quanto na escrita, especialmente em avisos improvisados ou comunicações rápidas. Conhecer esses desvios ajuda a evitá-los em contextos formais e a manter um padrão de linguagem mais alinhado à norma culta contemporânea. Entre os erros mais recorrentes estão:
- Mistura de estrutura impessoal com artigo: “É proibido a entrada” (o ideal é retirar o artigo ou ajustar a concordância).
- Plural inadequado com verbo no singular: “É proibidas as entradas laterais” (o mais adequado seria “São proibidas as entradas laterais”).
- Redundância ou repetição desnecessária: “É totalmente proibido proibida a entrada” (repetição de ideia).
Para evitar esses problemas, é possível seguir um roteiro simples de revisão, útil sobretudo para quem redige regulamentos internos, normas de segurança ou sinalizações oficiais que exigem clareza imediata:
- Verificar se há artigo ou pronome antes do substantivo (“a entrada”, “as vendas”, “essa circulação”).
- Ajustar “proibido/proibida/proibidos/proibidas” ao gênero e número do substantivo, quando houver determinante.
- Manter “é proibido” no masculino singular quando o substantivo vier sem determinante, em sentido geral.

Quais outras expressões seguem a mesma lógica de concordância
A lógica aplicada a “é proibido” também aparece em outras construções com o verbo ser seguido de adjetivo, como “é permitido”, “é necessário”, “é preciso” e expressões afins. Em todos esses casos, a concordância pode seguir o mesmo princípio: com artigo ou pronome, o adjetivo concorda; sem determinante, mantém-se a forma masculina singular, em caráter impessoal e mais geral.
Alguns exemplos ilustrativos ajudam a visualizar a aplicação prática dessa regra em diferentes contextos, como avisos de segurança, instruções de uso e textos jurídicos ou administrativos:
- “É permitido saída de emergência por esta porta.” (sem artigo; impessoal)
- “É permitida a saída de emergência por esta porta.” (com artigo; concordância com “saída”)
- “É necessário atenção constante.” / “É necessária a atenção constante.”
- “É proibido estacionamento neste lado da rua.” / “É proibido o estacionamento neste lado da rua.” (neste caso, muitos gramáticos ainda aceitam a forma invariável mesmo com artigo, mas a concordância plena também é registrada)










