Na língua portuguesa, a forma correta de escrever números acompanhados de palavras como “milhão”, “bilhão” e “trilhão” costuma gerar dúvidas, especialmente quando aparecem com casas decimais e em contextos formais como textos jornalísticos, documentos oficiais e relatórios financeiros, em que é fundamental seguir a norma-padrão para garantir clareza, precisão e uniformidade na comunicação escrita.
Qual é a forma correta 1,5 milhão ou 1,5 milhões
A forma considerada correta pela norma-padrão é “1,5 milhão”. A justificativa está na regra de concordância dos numerais coletivos “milhão”, “bilhão” e “trilhão”, que variam para o plural apenas quando a quantidade expressa é igual ou superior a dois inteiros, como em “2 milhões” ou “3 milhões”.
No exemplo frequentemente citado em gramáticas — “Em 2016, foram gastos no país 1,5 milhão de cartuchos de impressora” — a estrutura está adequada ao padrão formal. A leitura desse número é “um vírgula cinco milhão de cartuchos”, e a concordância se faz com o número inteiro anterior à vírgula: o algarismo 1, que mantém o substantivo numeral no singular, mesmo que a quantidade ultrapasse um milhão exato.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do perfil @anawillscinttila:
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Como funciona a regra gramatical para milhão bilhão e trilhão
A lógica que orienta o uso de milhão no singular ou no plural é simples: observa-se sempre o número inteiro que antecede a vírgula ou o ponto decimal. Essa regra vale tanto para valores com casas decimais quanto para números inteiros e é a mesma que se aplica a bilhão e trilhão em contextos de contagem, estatísticas e dados econômicos.
Assim, quando a parte inteira é 1, o substantivo numeral permanece no singular; quando é 2 ou mais, assume a forma plural. Essa regularidade é importante para evitar oscilações de concordância e garantir que expressões como “1,5 milhão” e “2,3 milhões” sigam o mesmo critério em qualquer tipo de texto.
- Singular: utilizado quando a parte inteira é 1 (1,1 milhão; 1,5 milhão; 1,9 milhão).
- Plural: utilizado quando a parte inteira é 2 ou mais (2 milhões; 2,3 milhões; 5,7 milhões).
Em quais situações usar milhão milhões bilhão e bilhões corretamente
O uso adequado desses numerais é especialmente importante em contextos formais, como textos acadêmicos, relatórios financeiros, notícias econômicas e documentos oficiais. Nesses casos, recomenda-se seguir a norma culta de forma consistente, mesmo que, na fala do dia a dia, ocorram variações como “1,5 milhões” ou “um milhão e meio de pessoas”.
Para facilitar a aplicação prática dessa regra, observe como a parte inteira do número orienta a escolha entre singular e plural em diferentes escalas numéricas, tanto com milhão quanto com bilhão e trilhão.
- Quando a parte inteira é 1:
- 1,5 milhão de habitantes;
- 1,2 milhão de reais em investimentos;
- 1,9 milhão de visualizações.
- Quando a parte inteira é 2 ou mais:
- 2 milhões de assinantes;
- 3,4 milhões de veículos licenciados;
- 10,8 milhões de toneladas produzidas.
- Com “bilhão” e “trilhão”:
- 1,3 bilhão de usuários;
- 2 bilhões de reais;
- 1,7 trilhão de transações;
- 3 trilhões de bytes de dados.

Por que ainda se escreve e se fala 1,5 milhões no dia a dia
A forma “1,5 milhões” aparece com frequência na fala e em textos informais porque, intuitivamente, muitas pessoas associam a ideia de “mais de um” ao plural. A leitura corrente como “um milhão e meio” também contribui para essa percepção, afastando o falante da lógica de observar apenas o número inteiro antes da vírgula.
Entretanto, para fins de redação padrão — como em concursos, provas, manuais de estilo e textos institucionais — recomenda-se manter o critério fixo: considerar sempre a parte inteira do número. Assim, expressões como “1,5 milhão de unidades” e “1,5 bilhão de reais” alinham-se ao que a gramática normativa considera correto, garantindo uniformidade e evitando dúvidas de concordância.







