A esteatose hepática, também conhecida como fígado gorduroso, vem ganhando destaque na área da saúde por estar cada vez mais associada à obesidade, ao diabetes e ao estilo de vida sedentário. Trata-se de uma condição em que ocorre acúmulo de gordura nas células do fígado em quantidades superiores ao considerado normal, o que pode comprometer o funcionamento desse órgão ao longo do tempo e, em casos mais graves, levar à inflamação, fibrose e cirrose.
O que é esteatose hepática e por que o fígado acumula gordura
A esteatose hepática é caracterizada pelo depósito de triglicerídeos no interior das células hepáticas em níveis acima do normal. Quando essa gordura ultrapassa um limite considerado seguro, o fígado aumenta de tamanho e pode ter suas funções alteradas, prejudicando o metabolismo de nutrientes, a produção de proteínas e a filtração de toxinas.
Os especialistas descrevem dois grandes tipos de fígado gorduroso: o relacionado ao consumo de álcool e o associado a causas não alcoólicas, chamado de doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). No primeiro caso, o uso frequente e excessivo de bebidas alcoólicas provoca lesão direta nas células do fígado; no segundo, a principal origem está ligada à síndrome metabólica, que inclui obesidade abdominal, alteração de colesterol, hipertensão e diabetes tipo 2.
Quais são os principais sintomas da esteatose hepática
Em boa parte das pessoas, a gordura no fígado não gera sintomas claros na fase inicial, o que reforça seu caráter de doença silenciosa. Ainda assim, alguns sinais subjetivos podem surgir em indivíduos com sobrepeso, resistência à insulina ou história familiar de doença hepática, exigindo atenção clínica.
Entre os sintomas mais relatados e que podem motivar a busca por avaliação médica, destacam-se desconfortos gerais e alterações na disposição física. Abaixo estão alguns dos sinais que, quando persistentes, podem estar relacionados à presença de esteatose hepática e justificar investigação especializada:
- Dor ou pressão leve na parte superior direita do abdômen;
- Cansaço persistente e sensação de fraqueza;
- Perda de apetite ou sensação de estômago “cheio” com pouca comida;
- Aumento do volume abdominal e impressão de barriga inchada;
- Cefaleias recorrentes (dor de cabeça constante) em algumas pessoas.
Quando a esteatose evolui para quadros mais avançados, com inflamação intensa e fibrose hepática, o fígado passa a funcionar de forma insuficiente. Nessa fase, podem surgir icterícia, alterações na coagulação, acúmulo de líquido na cavidade abdominal (ascite) e mudanças no estado mental, sugerindo progressão para cirrose ou hepatite gordurosa.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Dr. Moacir Rosa (@drmoacir):
@drmoacir GORDURA NO FÍGADO: 3 Sinais Sutis #saude #gorduranofigado #drmoacirrosa ♬ som original – Dr. Moacir Rosa
Quais são as principais causas da gordura no fígado
As causas da esteatose hepática envolvem, em grande parte, hábitos de vida inadequados e o conjunto de alterações conhecido como síndrome metabólica. Dietas ricas em alimentos ultraprocessados, excesso de açúcares simples, frituras e gorduras saturadas favorecem o acúmulo de gordura no fígado, sobretudo quando combinadas a sedentarismo e aumento da gordura abdominal.
Entre os fatores mais frequentemente associados ao fígado gorduroso, destacam-se condições clínicas e comportamentais que podem se somar ao longo dos anos. Conhecer esses fatores é fundamental para planejar prevenção, rastreamento e tratamento individualizado, especialmente em pessoas com risco cardiovascular elevado.
- Obesidade e sobrepeso, especialmente com acúmulo de gordura na região abdominal;
- Diabetes tipo 2 e resistência à insulina;
- Colesterol e triglicerídeos elevados no sangue;
- Hipertensão arterial e outras condições cardiovasculares;
- Consumo excessivo de álcool de forma prolongada;
- Sedentarismo e baixa prática de atividade física;
- Perda ou ganho muito rápido de peso, inclusive após dietas restritivas;
- Gravidez, em situações específicas e sob acompanhamento médico;
- Doenças hepáticas crônicas e inflamações prévias.

Como é feito o tratamento da gordura no fígado no dia a dia
O tratamento da gordura no fígado baseia-se, principalmente, em mudanças de estilo de vida e no controle rigoroso dos fatores de risco associados. Em quadros não alcoólicos, a perda de peso gradual e sustentável é fundamental, pois reduções de 7% a 10% do peso corporal já podem melhorar exames hepáticos e diminuir o acúmulo de triglicerídeos.
Além da perda de peso, intervenções combinadas em alimentação, atividade física e controle do álcool são decisivas para evitar a progressão para esteato-hepatite, fibrose ou cirrose. O acompanhamento com profissionais de saúde permite ajustar o plano terapêutico à realidade de cada pessoa e, quando necessário, incluir medicamentos para controle de diabetes, colesterol e hipertensão:
- Ajustes na alimentação priorizando frutas, legumes, verduras, grãos integrais, fontes magras de proteína e gorduras consideradas mais saudáveis, como azeite de oliva e oleaginosas, reduzindo açúcares, bebidas adoçadas, farinha branca, frituras e alimentos muito processados.
- Atividade física regular com combinação de exercícios aeróbicos (como caminhada rápida, corrida leve ou bicicleta) e treino de força, para melhorar a sensibilidade à insulina e aumentar o gasto de gordura armazenada.
- Controle de álcool com redução drástica ou suspensão do consumo em casos de esteatose relacionada ao álcool, seguindo orientação médica individualizada.
- Acompanhamento médico com endocrinologistas, hepatologistas e clínicos para avaliar exames de sangue, imagem e, quando necessário, outros procedimentos que monitorem a evolução da doença.
Em algumas situações, o uso de medicamentos pode ser indicado para controlar condições associadas, como diabetes, colesterol alto e hipertensão, sempre com orientação profissional. A adoção de hábitos mais saudáveis de forma contínua é o principal aliado na proteção do fígado em longo prazo, reduzindo o risco de complicações e melhorando a qualidade de vida.








