O estoicismo costuma ser apresentado como uma filosofia antiga, mas muitas de suas ideias seguem aparecendo em livros de autoajuda, palestras motivacionais e discursos sobre saúde mental. Entre seus representantes mais conhecidos estão Zenão de Cítio, Epicteto, Marco Aurélio e, sobretudo, Sêneca, cuja vida política turbulenta em Roma o levou a refletir de forma intensa sobre medo, destino e controle pessoal. Nesse contexto, uma de suas recomendações mais citadas é a frase atribuída a Hecatão de Rodes e retomada por ele: “Deixarás de temer se deixares de esperar”.
O que é o estoicismo e por que ainda é tão citado
A palavra-chave central para compreender esse tema é estoicismo, entendido como uma escola filosófica que surgiu na Grécia antiga e se desenvolveu de forma marcante em Roma. Seu núcleo está na ideia de que a serenidade não se conquista eliminando problemas, mas aprendendo a lidar com eles de forma racional e disciplinada no cotidiano.
Ao longo dos séculos, a doutrina estoica foi resumida em alguns princípios recorrentes: diferenciar o que depende do indivíduo do que não depende, praticar a virtude como bem maior, aceitar o curso dos eventos inevitáveis e desenvolver resiliência frente a infortúnios. Em um cenário atual de mudanças rápidas, crises econômicas e excesso de informação, esse convite a filtrar preocupações influencia empresas, consultórios de psicologia e obras de divulgação.

Como o estoicismo entende o medo e a esperança na relação com o futuro
Entre os temas mais explorados pelos estoicos estão o medo e a esperança, tratados como forças emocionais que surgem da relação com o futuro e com a incerteza. Para Sêneca, o medo costuma nascer da antecipação de perdas, fracassos ou rejeições, enquanto a esperança se associa a desejos de ganho, reconhecimento ou sucesso pessoal e profissional.
Quando Sêneca recupera a frase de Hecatão — “deixarás de temer se deixares de esperar” — o recado se dirige à dependência emocional de resultados incertos. A ideia não é abandonar projetos ou metas, mas reduzir o apego ao desfecho específico que se deseja, focando mais na qualidade das ações do que nos cenários imaginados para exames, promoções ou decisões alheias.
- Medo: ligado à possibilidade de algo dar errado no futuro.
- Esperança: associada à expectativa de que algo corra exatamente como se deseja.
- Dependência emocional: quanto maior o apego a um desfecho, maiores as oscilações internas.
Como aplicar o estoicismo no dia a dia sem se afastar da realidade
Aplicar o estoicismo no cotidiano envolve pequenos ajustes de postura, mais do que grandes rupturas. Em vez de tentar controlar todas as variáveis de um projeto, a orientação é definir o que está realmente ao alcance: preparo, estudo, prática, diálogo e planejamento razoável, aceitando que imprevistos sempre existirão.
Situações como decisões de chefias, oscilações econômicas ou imprevistos de saúde entram na categoria de fatores que exigem adaptação, e não domínio total. Para organizar essa prática, algumas atitudes frequentemente associadas ao estoicismo podem ser estruturadas em passos simples, aproximando a teoria filosófica de rotinas atuais de trabalho e vida pessoal.
- Identificar o que depende da própria ação: esforço, dedicação, preparo e postura.
- Reconhecer o que foge ao controle direto: reações de outras pessoas, acontecimentos externos, sorte ou azar.
- Reduzir a ruminação sobre o futuro: limitar o tempo gasto com cenários hipotéticos que não agregam preparo objetivo.
- Fortalecer a atenção ao presente: observar tarefas em andamento, relações atuais e necessidades imediatas.
- Rever expectativas: transformar desejos rígidos em preferências flexíveis, aceitando mais de um possível resultado.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do perfil @viagemaocentrodaalma:
@viagemaocentrodaalma O QUE VOCÊ TRANSFORMOU EM MONSTRO? Sêneca dizia que o medo cresce toda vez que é alimentado em silêncio. Aquilo que você evita ganha força, ocupa espaço e passa a comandar decisões. O medo não some sozinho. Ele diminui quando é enfrentado. Coragem não aparece de repente, nem nasce da ausência de temor. Ela surge exatamente no instante em que você decide parar de fugir e atravessar aquilo que te assusta. #seneca #coragem #estoicismo #reflexao #autoconhecimento
♬ som original – Viagem ao Centro da Alma
A frase “deixarás de temer se deixares de esperar” ainda faz sentido hoje
A pertinência da frase atribuída a Hecatão e difundida por Sêneca costuma ser discutida à luz da experiência atual e dos desafios emocionais contemporâneos. Muitos pensadores estoicos viveram em ambientes de risco político, guerras e perseguições, realidade distinta da de boa parte da população hoje, mas ainda comparável a contextos de instabilidade e pressão.
Para alguns intérpretes, deixar de esperar não significa abandonar objetivos, mas reduzir a ilusão de controle total sobre o futuro e a dependência de um único resultado. Nesse sentido, o conselho funciona como convite a cultivar metas com flexibilidade, alinhando ações concretas a uma visão mais realista e mantendo o estoicismo ativo em debates sobre bem-estar emocional, planejamento de vida e manejo da incerteza no século XXI.









