O uso de exercícios físicos para tratar depressão tem ganhado espaço nas discussões sobre saúde mental. Em vez de ficar restrito apenas a remédios e sessões de psicoterapia, muitos profissionais passaram a considerar a atividade física como um recurso complementar para aliviar sintomas depressivos, especialmente em casos leves a moderados, desde que integrada a um plano de cuidado individualizado e supervisionado. A pesquisa original foi publicada na Cochrane Library.
Como o exercício ajuda no tratamento da depressão
O exercício físico pode atuar em vários mecanismos ligados à saúde mental. A prática regular influencia substâncias químicas no cérebro, como serotonina, dopamina e endorfina, que participam da regulação do humor, além de reduzir hormônios do estresse, como o cortisol, com efeitos graduais ao longo de semanas.
Outro ponto importante é o impacto na rotina diária. A inclusão de caminhadas, alongamentos ou treinos leves ajuda a organizar o dia, favorecendo sono, apetite e disposição geral. Atividades em grupo também ampliam o contato social, reduzindo o isolamento, bastante comum em quem enfrenta depressão.

O exercício físico é tão eficaz quanto a terapia para depressão
Pesquisas recentes sugerem que o exercício físico para depressão pode apresentar eficácia semelhante à psicoterapia em muitos casos de depressão leve a moderada. Em diversos estudos, programas estruturados de atividade física reduziram sintomas de forma comparável à terapia, com resultados próximos aos observados com alguns antidepressivos em determinadas populações.
Os dados indicam que exercícios leves a moderados tendem a funcionar melhor do que treinos muito intensos para aliviar a depressão, especialmente na faixa de 13 a 36 sessões. Como muitos estudos são de curto prazo, ainda há dúvidas sobre a manutenção dos benefícios, e qualquer decisão de substituir ou combinar tratamentos deve ser tomada com médicos e psicólogos.
Quais tipos de exercício físico ajudam mais na depressão
Até o momento, não há consenso sobre um único tipo de atividade física para depressão que funcione melhor que todos os outros. Caminhadas ao ar livre, musculação, exercícios aeróbicos, ioga, pilates e treinos combinados podem ser úteis, desde que adaptados às condições físicas e às preferências pessoais de cada indivíduo para favorecer a continuidade.
Algumas revisões sugerem leve vantagem em programas que misturam modalidades, como aeróbicos com força e alongamento. Para facilitar a escolha e a organização da rotina, é útil considerar algumas opções frequentes de atividades benéficas:
- Caminhadas regulares em parques, ruas tranquilas ou esteira, com ritmo leve a moderado.
- Treinos de força com peso corporal ou aparelhos, em 2 a 3 sessões semanais.
- Atividades mente-corpo, como ioga ou pilates, focando respiração e consciência corporal.
- Aulas em grupo, como dança ou ginástica, que associam exercício e socialização.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Dr. Silvio Lessa (@silviolessaneuro7):
@silviolessaneuro7 🧠 Você sabia que alguns exercícios são tão eficazes quanto antidepressivos para aliviar a depressão? Uma análise de 218 estudos com mais de 14 mil pessoas mostrou que caminhar, correr, praticar yoga e treino de força são os mais eficazes para reduzir sintomas depressivos. 📉 Caminhada e corrida apresentaram queda significativa nos sintomas, yoga teve efeito comparável, e treino de força também mostrou impacto relevante. ⚡ Exercícios mais intensos trazem benefícios maiores, mas até atividades mais leves, como yoga e caminhada, já fazem diferença. Esses resultados valem para pessoas de todas as idades, gêneros e condições de saúde. 💡 Movimentar-se regularmente é uma estratégia poderosa para cuidar da saúde mental. Com orientação, o exercício pode ser uma alternativa ou complemento seguro aos tratamentos convencionais. Se gostou desse conteúdo, me acompanhe aqui para mais dicas sobre saúde cerebral, mente integrativa e qualidade de vida! #SaúdeMental #Depressão #ExercíciosFísicos #BemEstar #DrSilvioLessa ♬ som original – Dr. Sílvio Lessa
Como começar a usar o exercício físico no tratamento da depressão
Para quem lida com sintomas depressivos, iniciar uma rotina de atividade física pode ser desafiador devido ao cansaço, à falta de energia e ao desânimo intensos. Por isso, planos de exercício costumam ser construídos de forma gradual, com metas realistas, flexíveis e sem cobranças excessivas, respeitando limites físicos e emocionais.
Algumas etapas costumam ser recomendadas por profissionais de saúde para tornar o processo mais seguro, estruturado e sustentável ao longo do tempo:
- Avaliação médica inicial: importante para verificar condições cardíacas, respiratórias e outras doenças que possam exigir ajustes na prática de exercícios.
- Definição de metas pequenas: começar com poucos minutos por dia, como curtas caminhadas, pode facilitar a adaptação.
- Escolha de atividades agradáveis: caminhar no bairro, fazer alongamentos em casa ou participar de aulas em grupo pode tornar o processo mais sustentável.
- Registro da rotina: anotar horários, duração e sentimentos físicos após o treino ajuda a monitorar a evolução.
- Acompanhamento profissional: quando possível, o apoio de educadores físicos, médicos e psicólogos torna o processo mais seguro.
Quais cuidados são importantes ao usar exercício físico para depressão
Embora o exercício para tratar depressão seja considerado uma estratégia segura para a maioria das pessoas, alguns cuidados são essenciais. Quadros depressivos podem estar relacionados a distúrbios hormonais, doenças neurológicas ou deficiências nutricionais, exigindo avaliação médica, e sintomas intensos, como ideação suicida, pedem atenção imediata.
Outro aspecto relevante é que muitos estudos envolvem pessoas já motivadas a se exercitar, o que pode não representar toda a população com depressão. Isso reforça a necessidade de novas pesquisas de longo prazo, mas hoje há consenso de que o exercício físico pode integrar o cuidado em saúde mental como ferramenta acessível, desde que personalizado e combinado, quando necessário, com outros tipos de tratamento.








