O impacto da bebida alcoólica no organismo costuma ser associado principalmente ao fígado, mas pesquisas recentes indicam que o intestino pode sofrer efeitos rápidos e intensos, mesmo após poucos episódios de consumo excessivo, com alterações na mucosa intestinal, na microbiota e na resposta inflamatória, o que ajuda a explicar a ligação precoce entre exagero nas doses e danos sistêmicos. A pesquisa foi a “Unraveling the gastrointestinal tract’s response to alcohol binges: Neutrophil recruitment, neutrophil extracellular traps, and intestinal injury”.
Como o álcool afeta o intestino em poucos dias
O consumo de álcool em poucos dias pode irritar a mucosa do intestino, prejudicando a digestão e a absorção de nutrientes. Ele também altera o equilíbrio da flora intestinal, reduzindo bactérias benéficas e favorecendo inflamações. Isso pode causar desconfortos como inchaço, gases e diarreia.
Além disso, o álcool aumenta a permeabilidade intestinal, permitindo a passagem de substâncias que não deveriam entrar na corrente sanguínea. Esse processo pode provocar inflamação e afetar o sistema imunológico. Mesmo em curto prazo, esses efeitos já impactam o funcionamento do intestino e o bem-estar geral.
A pesquisa foi a “Unraveling the gastrointestinal tract’s response to alcohol binges: Neutrophil recruitment, neutrophil extracellular traps, and intestinal injury”.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do perfil @andreachociay:
@andreachociay Como o alcool pode acabar com a sua saude intestinal. #vidasaudavel #gymtok #fitnesslifestyle #semalcool #parardebeber ♬ som original – Andrea Chociay
O que é o leaky gut induzido por álcool
Em poucas horas após o binge drinking, a parede intestinal passa a permitir a passagem de fragmentos bacterianos e de outras moléculas que normalmente ficariam restritas ao tubo digestivo. Essa alteração é descrita como aumento da permeabilidade, ou “intestino mais vazado”, fenômeno central no conceito de leaky gut induzido por álcool.
No caso do binge drinking, o processo foi detectado já nas primeiras três horas após a ingestão de álcool, com efeitos que podem se manter por pelo menos 24 horas. Quando essa barreira se torna mais frágil, lipopolissacarídeos e outros produtos bacterianos alcançam o sangue, favorecendo inflamação sistêmica e maior risco de dano hepático.
Como o álcool, o intestino e os neutrófilos se relacionam
Ao investigar o dano intestinal, os pesquisadores identificaram a participação de um tipo específico de célula de defesa: os neutrófilos. Esses glóbulos brancos foram recrutados para a região lesionada do intestino e formaram estruturas conhecidas como NETs (traps extracelulares de neutrófilos), redes pegajosas que ajudam a capturar microrganismos invasores.
Embora façam parte da resposta imune inata, essas redes também podem contribuir para a inflamação local e para o agravamento da lesão intestinal. Esse mecanismo adiciona uma camada extra de agressão ao epitélio, somando-se ao efeito direto do álcool e à ação dos produtos bacterianos que atravessam a barreira comprometida.
Qual é a ligação entre intestino permeável e doença do fígado
Intestino e fígado mantêm uma comunicação constante por meio da circulação entero-hepática. O fígado envia sais biliares e moléculas de defesa para o intestino, enquanto o intestino devolve nutrientes, metabólitos da dieta e substâncias produzidas pela microbiota intestinal, formando o chamado eixo intestino–fígado.
Quando o binge drinking afeta a parede intestinal, essa via de mão dupla passa a carregar um volume maior de produtos bacterianos, intensificando a inflamação hepática. Em modelos animais, essa sequência foi clara: o álcool lesionou o intestino, aumentou a permeabilidade da barreira e, em seguida, surgiram sinais de dano hepático, mesmo sem consumo crônico de longa duração.
- Intestino delgado afetado: lesões na mucosa e resposta inflamatória local.
- Barreira fragilizada: aumento da passagem de produtos bacterianos para o sangue.
- Fígado sobrecarregado: contato maior com toxinas e ativação do sistema imune hepático.

O que a ciência ainda investiga sobre álcool e microbiota intestinal
Apesar de os modelos em camundongos indicarem um efeito rápido do binge drinking sobre o intestino, ainda existem dúvidas sobre a extensão desse fenômeno em seres humanos. O consumo crônico de álcool já foi associado a disbiose, maior permeabilidade intestinal e doença hepática alcoólica, mas a intensidade e a frequência de bebedeiras capazes de gerar o mesmo quadro em humanos seguem em avaliação.
Linhas atuais de pesquisa exploram doses, suscetibilidades individuais e possíveis formas de proteção da barreira intestinal. Entre as intervenções estudadas estão ajustes na alimentação, uso de probióticos e prebióticos, estratégias farmacológicas e mudanças de comportamento que reduzam a exposição a padrões de binge drinking, com o objetivo de diminuir inflamação no trato gastrointestinal e no sistema hepático.







