A terapia com água fria vem despertando interesse em diferentes áreas da saúde e do bem-estar. Conhecida também como imersão em água gelada, a prática envolve banhos frios, banheiras com gelo ou mergulhos em rios e mares em baixas temperaturas, com foco em possíveis benefícios como redução de estresse, melhora do sono e apoio à recuperação física, embora as evidências científicas ainda estejam em construção.
O que é terapia com água fria e como ela funciona no corpo
A terapia com água fria consiste na exposição controlada do corpo à água em baixa temperatura, como em banhos frios ou imersões. Essa prática é usada há séculos em diferentes culturas com o objetivo de fortalecer o organismo. Atualmente, também é associada à recuperação física e ao bem-estar geral. A pesquisa foi realizada pela Universidade da Austrália.
No corpo, a água fria provoca contração dos vasos sanguíneos, estimulando a circulação e ajudando a reduzir inflamações. Ela também ativa o sistema nervoso, aumentando o estado de alerta e a sensação de energia. Com o uso regular, pode contribuir para maior resistência física e mental.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do especialista Rafael Gratta (@rafaelgrattap):
@rafaelgrattap O desconforto gerado pela água gelada faz ela ser a forma mais simples e rápida de modular sua dopamina, já tendo sido usada até para dependentes químicos se livrarem do vício pela psiquiatra americana, Anna Lembke. É o oposto do conforto e prazer imediato de algumas atividades como um doce hiperpalável, que gera um pico de dopamina seguido por uma queda – o que te deixa menos focado (a) e motivado(a). Além disso, o banho gelado tem sido estudado como uma forma de treinar seu sistema nervoso autônomo para lidar com estresse e por modular seu relógio biológico, já que a água fria gera um reflexo interno no corpo de aumento de metabolismo e secreção de adrenalina e cortisol. Me conta aqui nos comentários: você percebe que o banho gelado já poderia ter estes benefícios? Faz sentido para você? #banhogelado #saudemental #ansiedade #depressão #dopamina #metodowimhof ♬ som original – Rafael Gratta
A terapia com água fria realmente reduz estresse e melhora o sono
Estudos recentes sobre cold water immersion avaliaram níveis de estresse, qualidade do sono e percepção de qualidade de vida em diferentes grupos. Em várias análises, a imersão em água fria esteve associada a redução de estresse nas horas seguintes à exposição, sugerindo um efeito mais pontual do que permanente, semelhante a um “reset” momentâneo.
Quanto ao sono, a exposição à água fria apresentou resultados promissores em grupos específicos, especialmente entre homens, com relatos de adormecer mais rápido e sensação de descanso ligeiramente melhor. Porém, as amostras ainda são pequenas e concentradas em perfis restritos, limitando a extrapolação para toda a população.
Quais são os possíveis riscos e para quem a terapia com água fria não é indicada
A terapia com água gelada costuma ser divulgada como prática simples, mas não é isenta de riscos e pode desencadear reações intensas em alguns indivíduos. A resposta inicial ao choque térmico inclui aumento de batimentos cardíacos, elevação da pressão arterial e um pico inflamatório de curta duração, o que em pessoas com doenças pré-existentes pode representar um desafio adicional.
Especialistas chamam atenção para grupos que exigem cuidado redobrado, em que a imersão em água fria pode potencializar sintomas ou interferir em tratamentos em andamento. Entre os principais perfis que devem buscar avaliação profissional prévia estão:
- pessoas com histórico de infarto, arritmias ou hipertensão sem controle adequado;
- indivíduos com doenças autoimunes ou inflamatórias em atividade;
- gestantes, principalmente em estágios iniciais, sem avaliação médica;
- pessoas em uso de medicamentos que alteram a pressão arterial ou a frequência cardíaca.
Como incluir a terapia com água fria na rotina de forma segura
Entre os interessados em experimentar a exposição ao frio como recurso complementar de bem-estar, a recomendação predominante é começar de maneira gradual. Em vez de iniciar com banheiras cheias de gelo, muitos protocolos sugerem a adaptação progressiva por meio de duchas frias controladas, sempre respeitando limites individuais de conforto e de saúde.
Algumas diretrizes simples podem ajudar a tornar a prática mais segura, organizada e alinhada a outros hábitos de vida, como sono adequado e atividade física regular. A seguir, estão passos frequentemente sugeridos por profissionais para quem deseja testar a imersão em água fria de forma responsável:
- Início progressivo: alternar água morna e fria no final do banho por 20 a 30 segundos.
- Aumento gradual: ampliar o tempo em água fria ao longo de semanas, observando sinais como tontura, falta de ar ou dor intensa.
- Foco na respiração: manter respiração controlada pode ajudar a reduzir o impacto do choque térmico inicial.
- Monitoramento da saúde: acompanhar pressão arterial, qualidade do sono e sensação geral de bem-estar ao longo do tempo.
- Evitar excessos: sessões muito prolongadas ou em água extremamente gelada aumentam o risco de hipotermia e mal-estar.

O que a ciência ainda precisa esclarecer sobre a imersão em água fria
Apesar do crescente interesse, pesquisadores destacam que as evidências sobre terapia com água fria ainda apresentam lacunas importantes. A maioria dos estudos até 2025 tem duração limitada, foco em grupos específicos – como atletas ou adultos jovens – e protocolos variados, dificultando a definição de dose ideal e frequência segura.
Entre os pontos que ainda exigem investigação estão os efeitos em longo prazo sobre o sistema cardiovascular, o impacto real no sistema imunológico em diferentes faixas etárias, as diferenças de resposta entre homens e mulheres e a interação com doenças crônicas e medicamentos. Assim, a imersão em água fria deve ser vista como uma ferramenta pontual de bem-estar, cuja adoção segura depende de informação de qualidade, avaliação de riscos individuais e, quando necessário, acompanhamento profissional.









