Mais do que uma montanha, o Monte Roraima é uma ilha no tempo. Localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, este tepui (montanha em formato de mesa) eleva-se a 2.810 metros, guardando em seu topo um ecossistema pré-histórico que inspirou Arthur Conan Doyle a escrever “O Mundo Perdido” e a Pixar a criar o filme “Up – Altas Aventuras”.
Por que é considerado o “Mundo Perdido”?
Geologicamente, o Roraima faz parte do Escudo das Guianas, uma das formações mais antigas da Terra, com cerca de 2 bilhões de anos. O isolamento geográfico do cume criou uma evolução biológica paralela. Cerca de 80% da vida encontrada lá em cima é endêmica, ou seja, não existe em nenhum outro lugar do planeta.
Para o aventureiro, isso significa caminhar entre plantas carnívoras que se adaptaram ao solo pobre, sapos negros minúsculos que não pulam (o Oreophrynella quelchii) e formações rochosas negras esculpidas pelo vento que lembram animais e guardiões, criando uma paisagem verdadeiramente alienígena.

O trekking é realmente o mais desafiador da América do Sul?
É, sem dúvida, um dos mais místicos e exigentes. A expedição padrão dura de 7 a 10 dias e exige um preparo físico robusto para enfrentar subidas íngremes, travessias de rios e a famosa “Rampa” final.
A logística é complexa: embora seja símbolo do estado de Roraima, a ascensão turística é feita pelo lado venezuelano, partindo de Santa Elena de Uairén (fronteira com Pacaraima/BR). O visitante caminha pela savana (Gran Sabana) antes de tocar a parede vertical (“o muro”) e subir ao topo, guiado obrigatoriamente pelos indígenas Pemon, os guardiões espirituais da montanha.
Descubra por que o Monte Roraima é um dos lugares mais inacreditáveis do planeta num documentário emocionante. O vídeo é do canal Rolê Família, que partilha expedições épicas e dicas de viagem, e apresenta uma jornada de 7 dias e 110 km por este mundo perdido, destacando os paredões colossais, as jacuzzis naturais e a profunda conexão com a cultura indígena local:
O que se encontra no topo do tepui?
Chegar ao cume não é o fim, é o começo da exploração. O topo do Monte Roraima é um labirinto de pedra com atrações surreais:
- Vale dos Cristais: Um caminho coberto por cristais de quartzo branco que brilham sob o sol (é estritamente proibido levar qualquer pedra como souvenir).
- Jacuzzis: Piscinas naturais de água gelada e cristalina com fundo de cristais e algas douradas, onde os corajosos se banham.
- Ponto Triplo: Um marco piramidal que sinaliza a união exata das fronteiras do Brasil, Venezuela e Guiana.
- Maverick: O ponto mais alto do tepui, de onde se tem a vista definitiva da vastidão da floresta amazônica e da savana.

É possível ver o monte sem sair do Brasil?
Sim. Para quem não deseja (ou não pode) fazer o trekking internacional, o município de Uiramutã, no extremo norte de Roraima, oferece a vista mais privilegiada da face brasileira do monte. É uma experiência contemplativa, focada no ecoturismo em terras indígenas (como as cachoeiras do Urucá e do Paiuá), onde se observa a imponência do paredão sem a necessidade de escalada.
Leia também: O que significa gostar de cheirinho de casa limpa, segundo a psicologia.
Como o clima equatorial afeta a expedição?
No topo, o clima é imprevisível e severo. Pode fazer sol, chover torrencialmente e cobrir-se de neblina densa no mesmo dia. A temperatura à noite pode se aproximar de zero grau.
Segundo guias locais, não existe época “seca” absoluta no topo, mas há janelas melhores. Confira:
| Período | Condições | Vantagem/Desvantagem |
|---|---|---|
| Seca Relativa (Set-Mar) | Menos chuva na caminhada de aproximação. | Melhores vistas panorâmicas; noites muito frias; “Jacuzzis” com menos água. |
| Chuvosa (Abr-Ago) | Cachoeiras temporárias brotam das paredes. | Trilhas com lama pesada; visual das quedas d’água é espetacular; risco de rios cheios. |

Motivos para encarar a montanha sagrada
O Monte Roraima não é apenas turismo de aventura; é uma jornada introspectiva em um lugar que a humanidade pouco tocou.
- Contato direto com uma das geologias mais antigas do planeta.
- Imersão cultural com o povo Pemon e suas lendas sobre a “Mãe de todas as Águas”.
- Desintoxicação digital total: lá em cima, a única conexão é com a natureza bruta.
Você precisa tocar a parede fria do tepui após três dias de caminhada para entender a insignificância humana diante da “Casa de Makunaima”.







