Em muitas situações do dia a dia, a baixa autoestima passa despercebida, justamente porque não aparece apenas em sinais óbvios, como timidez extrema ou dificuldade para falar em público. Em diversos casos, ela se manifesta em detalhes da comunicação, na forma como a pessoa se posiciona, responde a pedidos simples ou toma decisões rotineiras, o que faz com que esses comportamentos sejam vistos apenas como “jeito de ser”, quando na verdade indicam uma relação frágil consigo mesma e um medo constante de desagradar.
Qual é o principal sinal de baixa autoestima no comportamento diário
Um dos principais sinais de baixa autoestima no comportamento diário é a autocrítica excessiva. A pessoa tende a se desvalorizar constantemente, mesmo diante de conquistas reais. Ela costuma focar mais nos próprios erros do que nas qualidades. Isso afeta a forma como se vê e como age no dia a dia, como trouxe a pesquisa “Maladaptive Coping, Adaptive Coping, and Depressive Symptoms: Variations across Age and Depressive State”.
Além disso, é comum haver dificuldade em dizer não e em estabelecer limites. A busca constante por aprovação dos outros aparece com frequência. O medo de errar ou de ser rejeitada pode levar à evitação de desafios. Com o tempo, esse padrão impacta relações, escolhas e bem-estar emocional.

Quais comportamentos diários estão associados à baixa autoestima
Esses comportamentos costumam estar ligados a uma busca intensa por aprovação externa. Em vez de apenas informar algo, a pessoa tenta garantir que não será mal interpretada, quase como se precisasse “provar” que tem direito à própria opinião, o que torna cada interação um verdadeiro teste de aceitação e pertencimento.
Alguns comportamentos comuns associados à baixa confiança em si mesma incluem atitudes que parecem inofensivas, mas revelam uma dificuldade em se sentir válida por conta própria. A seguir, veja exemplos claros desse padrão no dia a dia:
- Explicar decisões simples, como preferências de horário ou escolha de comida, mesmo quando ninguém questionou.
- Dar respostas longas para assuntos que poderiam ser resolvidos em poucas palavras.
- Sentir culpa depois de estabelecer um limite ou recusar um pedido.
- Antecipar críticas e se defender antes que qualquer comentário seja feito.
Por que a necessidade de se justificar tanto indica baixa autoestima
Quando alguém sente que precisa explicar tudo, essa necessidade costuma estar associada à dificuldade de se sentir válido por si só. A comunicação deixa de ser um simples compartilhamento de informações e passa a funcionar como um pedido constante de validação, quase como se a pessoa pedisse autorização para existir do jeito que é, com seus gostos, limites e prioridades.
Na prática, a baixa autoestima aparece em frases cheias de justificativas, como “desculpa atrapalhar”, “é só a minha opinião, posso estar errado” ou “não sei se faz sentido, mas…”, mesmo quando não há nenhum ataque. Com o tempo, esse padrão gera cansaço nas relações, aumenta a dúvida sobre si mesma e faz a pessoa evitar conflitos a qualquer custo.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da psicóloga Erika Coutinho publicado em seu perfil @euerikacoutinho que conta com quase 255 mil seguidores, abordando a importância de não dar tantas justitificativas:
@euerikacoutinho Fez sentido pra você? Me conta aqui #autoconhecimento #desenvolvimentopessoal #inteligenciaemocional #mentalidade ♬ som original – Erika Coutinho – Terapeuta
Como a baixa autoestima afeta limites, relações e bem-estar emocional
Quando a pessoa vive se justificando, tende a priorizar o conforto alheio e a ultrapassar seus próprios limites, o que alimenta um ciclo de autodesvalorização. A autoestima baixa, nesses casos, não aparece em explosões emocionais, mas em pequenas concessões diárias que vão minando o bem-estar e criando relações desequilibradas.
Esse padrão pode levar a um aumento de ansiedade social, dificuldade de dizer “não” e medo de desagradar, fazendo com que a pessoa se acostume a se adaptar o tempo todo. Aos poucos, ela passa a acreditar que seus sentimentos são menos importantes, reforçando internamente a ideia de que precisa sempre se justificar para ser aceita.
Como treinar limites curtos e fortalecer a autoestima
Trabalhar a baixa autoestima passa, em grande parte, por aprender a colocar limites de forma simples, sem justificativas extensas. Um dos exercícios mais utilizados por psicólogos é o chamado “treino do limite curto”, que incentiva respostas diretas, claras e respeitosas, ajudando a reconhecer que é possível dizer “não” ou fazer escolhas sem se defender o tempo todo.
Com o tempo, esse treino ajuda a reorganizar a forma como a pessoa se enxerga nas relações. A autoestima se fortalece à medida que a própria palavra passa a ter peso suficiente, sem complementos defensivos, tornando o ato de dizer “não” um gesto de respeito pessoal e abrindo espaço para vínculos mais equilibrados.
- Usar respostas breves: priorizar frases objetivas, como “hoje não posso”, “prefiro não participar” ou “vou ficar em casa”.
- Evitar justificativas extras: resistir ao impulso de acrescentar explicações longas sobre o motivo da recusa.
- Aceitar o desconforto inicial: entender que sentir estranheza ao colocar limites é comum, especialmente para quem passou anos tentando agradar.
- Reconhecer que nem todos vão aprovar: perceber que desagradar em alguns momentos faz parte das relações saudáveis.
Quando o hábito de se explicar demais começa a ser substituído por uma comunicação mais direta, a pessoa percebe que continua sendo respeitada, mesmo sem longas defesas. Essa experiência enfraquece a ideia de que é preciso se justificar o tempo todo e favorece uma relação mais estável consigo mesma, menos guiada pelo medo de julgamento e mais alinhada ao próprio valor interno.










