Roer as unhas é muitas vezes tratado como um simples mau hábito, algo associado a nervosismo ou falta de autocontrole. No entanto, estudos recentes em psicologia indicam que esse comportamento pode ter uma função mais profunda no modo como o cérebro lida com tensão, medo e incerteza. Em vez de ser apenas um vício desagradável, roer as unhas aparece como uma forma de o organismo tentar manter algum tipo de estabilidade emocional e de regulação da ansiedade cotidiana.
Roer as unhas é um mecanismo de sobrevivência emocional?
Roer as unhas pode funcionar como um mecanismo de autorregulação emocional, ajudando a aliviar ansiedade, tédio ou estresse. O comportamento oferece sensação momentânea de controle e descarga de tensão. Embora não seja consciente, pode surgir como resposta aprendida a ambientes imprevisíveis ou exigentes, reforçada pelo alívio imediato percebido frequentemente observado, como trouxe a pesquisa “Body Focused Repetitive Behavior Disorders: Behavioral Models and Neurobiological Mechanisms”.
Contudo, classificá-lo como sobrevivência emocional absoluta simplifica demais o fenômeno. Trata-se de um hábito corporal repetitivo, influenciado por genética, contexto social e aprendizado. Pode coexistir com estratégias saudáveis, mas merece atenção quando causa dor, infecções ou prejuízos, indicando necessidade de alternativas regulatórias e apoio adequado clínico psicológico gradual acessível contínuo.
Por que o cérebro prefere hábitos como roer as unhas no dia a dia
Especialistas apontam que o cérebro reage a ameaças emocionais de forma semelhante às ameaças físicas. Situações de vergonha, ansiedade social, pressão no trabalho ou conflitos pessoais podem ativar sistemas de defesa antigos, orientados para a sobrevivência e para evitar riscos.
Nessa lógica, comportamentos como roer unhas, procrastinar ou repetir pensamentos autocríticos surgem como tentativas de recuperar algum controle em meio à incerteza. Em vez de enfrentar diretamente o risco, o cérebro recorre a pequenas ações previsíveis que oferecem familiaridade, ainda que gerem desconforto posterior.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da especialista em linguagem corporal sistêmica Vann Porath, publicado em seu perfil @vannporath que já conta com 48 mil seguidores:
@vannporath Esta é uma questão comum para muitas pessoas, vamos falar um pouco mais sobre o que pode estar por trás deste hábito emocionalmente! #roerunhas #corpofalaporvoce #seucorposeumelhorterapeuta #f #terapeutas #terapiaintegrativa #doresemocionais ♬ som original – VP Brasil
Roer as unhas faz mal ou protege de algo maior na saúde mental
A questão sobre se roer as unhas faz mal costuma ser respondida apenas do ponto de vista médico ou estético, destacando riscos de infecções, desgaste dos dentes e inflamações. No entanto, pesquisas em saúde mental sugerem que, ao mesmo tempo em que é prejudicial, o hábito cumpre uma função de proteção psicológica em alguns contextos.
Alguns especialistas descrevem o comportamento como uma “dose protetora”: um dano pequeno que ajuda o cérebro a evitar um sofrimento considerado maior. Em vez de entrar em contato direto com o medo do fracasso ou da rejeição, a pessoa mergulha em uma ação repetitiva que consome atenção e reduz momentaneamente a ansiedade.
Como lidar com o hábito de roer as unhas de forma mais consciente
Ao compreender que o hábito de roer as unhas está ligado à tentativa do cérebro de controlar o desconforto, profissionais de saúde mental recomendam abordagens menos baseadas em culpa. Em vez de focar apenas em bloquear o comportamento, a proposta é investigar que tipo de medo ou tensão ele está ajudando a aliviar no cotidiano.
Algumas estratégias sugeridas incluem mudanças de postura interna e ajustes práticos na rotina, que ajudam a construir uma sensação maior de segurança emocional e física:
- Reconhecer a função do hábito: em vez de pensar “isso é apenas fraqueza”, observar em quais situações a vontade de roer as unhas aumenta, como momentos de estresse no trabalho, reuniões ou conflitos familiares.
- Reduzir o autojulgamento: adotar um olhar mais compreensivo sobre o próprio comportamento tende a diminuir a pressão interna e, com o tempo, enfraquecer a necessidade de recorrer ao hábito.
- Criar rotinas de segurança: manter horários previsíveis, rituais de descanso e relações de apoio contribui para que o cérebro se sinta menos ameaçado.
- Substituir o ato por alternativas menos danosas: bolas de borracha, objetos de estímulo tátil ou técnicas de respiração podem ser usados quando surgir a vontade de levar as unhas à boca.

Quais são os passos práticos para reduzir o hábito de roer as unhas
Para quem busca diminuir esse comportamento, alguns passos simples podem ajudar na adaptação do cérebro a novas formas de lidar com o desconforto. A ideia é introduzir mudanças graduais, que não soem tão ameaçadoras para o sistema de proteção interno e favoreçam a criação de novos hábitos.
- Observar sem tentar mudar imediatamente: por alguns dias, apenas anotar horários, locais e emoções associadas ao ato de roer as unhas.
- Identificar gatilhos emocionais: relacionar o hábito a sentimentos como medo, tédio, pressão ou insegurança.
- Praticar técnicas de ancoragem: exercícios de respiração, atenção à postura ou foco em sensações do corpo podem ser usados quando surgir a vontade de roer as unhas.
- Introduzir “riscos controlados”: encarar, pouco a pouco, situações que geram ansiedade — como falar em uma reunião curta — para mostrar ao cérebro que a incerteza pode ser administrada.
- Buscar apoio profissional quando necessário: em casos mais intensos, acompanhamento psicológico pode auxiliar na compreensão das causas profundas e no desenvolvimento de estratégias personalizadas.
Ao tratar roer as unhas não apenas como um vício desagradável, mas como um sinal de que o cérebro está tentando se proteger, abre-se espaço para intervenções mais realistas e eficazes. Essa mudança de olhar permite lidar com o hábito com menos culpa e mais responsabilidade, favorecendo ajustes duradouros no comportamento e na forma de enfrentar o medo e a ansiedade.









