Grande parte das frutas que chega às prateleiras já passou por um processo cuidadoso de limpeza, seleção e proteção. Um dos métodos mais usados pela indústria é o revestimento com resina de lac comestível, um tipo de cera derivada de insetos que ajuda a manter o alimento íntegro por mais tempo, contribuindo para a conservação, a aparência e a redução do desperdício de alimentos.
O que é resina de lac comestível e como ela chega às frutas
A resina de lac é produzida por pequenos insetos da família Kerriidae, conhecidos como insetos-lac, que vivem em galhos de árvores em regiões tropicais da Ásia. Ao se fixarem nos ramos, as fêmeas secretam uma substância resinosa que endurece e forma crostas ao redor dos galhos, que depois são coletadas, aquecidas, filtradas e purificadas.
Depois de refinada, a resina pode ser transformada em cobertura comestível para frutas e legumes, em “glacê natural” para confeitaria ou em “glacê farmacêutico” para comprimidos e cápsulas. Nas frutas frescas, costuma ser misturada a amidos vegetais, ácidos graxos e polímeros alimentares, formando uma solução líquida aplicada em esteiras de empacotamento.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Dr. Julio Luchamnn, publicado em seu próprio perfil @julioluchmann que conta com mais de 1.7 milhão de seguidores:
@julioluchmann Como tirar a cera da casca das frutas #cera #frutas #saude ♬ som original – Júlio luchmann
Por que frutas recebem revestimento com resina de lac
O principal motivo para aplicar resina de lac em frutas é o aumento da vida útil e a preservação da qualidade visual. Em condições naturais, muitas frutas apresentam uma película cerosa que reduz a evaporação da água e protege contra microorganismos, mas essa camada é parcialmente removida na lavagem pós-colheita.
As coberturas comestíveis à base de resina de lac ajudam a manter a qualidade pós-colheita durante armazenamento e transporte, favorecendo cadeias longas de distribuição. Entre os principais benefícios desse tipo de revestimento, destacam-se:
- Reduzir a perda de água e o ressecamento da polpa;
- Diminuir o ataque de fungos e bactérias na superfície;
- Evitar murchamento precoce, importante em produtos vendidos sem embalagem plástica;
- Proteger durante o transporte, principalmente em viagens longas ou armazenagem prolongada;
- Dar brilho, que muitos consumidores associam à ideia de frescor e qualidade.
Resina de lac comestível é segura para consumo
No campo da segurança alimentar, a resina de lac comestível é classificada como aditivo autorizado em vários países, incluindo Estados Unidos e União Europeia. Órgãos reguladores avaliam as formulações usadas como “agentes de acabamento de superfície” ou “glacês” em frutas, doces e medicamentos, considerando doses de exposição muito baixas.
As quantidades aplicadas na casca são pequenas, geralmente alguns miligramas por unidade, quase imperceptíveis ao tato e ao paladar. Relatos de efeitos adversos são raros, embora pessoas com alergias específicas ou condições médicas particulares devam buscar orientação profissional antes de consumir produtos revestidos.
Resina de lac é sempre usada e quais são as alternativas
Nem toda fruta comercializada passa por revestimento com resina de insetos. Alguns produtores usam ceras de origem vegetal, como a de carnaúba, ou de origem animal, como a cera de abelha, além de formulações sintéticas derivadas de petróleo. A escolha depende de clima, tempo de transporte, custo, regulamentação e posicionamento de mercado.
De forma geral, diferentes tipos de produtos recebem coberturas distintas, de acordo com exigências técnicas e regulatórias:
- Produtos orgânicos não recebem ceras sintéticas; em muitos casos, usam resina de lac, cera de abelha ou carnaúba, aprovadas pelas normas de produção orgânica.
- Cítricos costumam receber ceras com barreira moderada à umidade, como formulações à base de cera de abelha ou carnaúba.
- Frutas com longa armazenagem, como algumas maçãs destinadas à exportação, frequentemente se beneficiam de revestimentos com maior resistência à umidade, caso típico da resina de lac.

Como o revestimento com resina de lac impacta escolhas alimentares
O uso de resina de lac em frutas e vegetais gera debates em grupos que evitam produtos de origem animal, como vegetarianos estritos e veganos. A resina é uma secreção animal e o processo de coleta costuma envolver a morte de parte dos insetos, o que leva muitas pessoas a buscar alternativas livres desse tipo de cobertura.
Em contextos religiosos, a resina de lac é, em geral, considerada uma secreção e não parte estrutural do animal, o que a coloca em zona específica de interpretação em diferentes tradições. Para consumo mais consciente, o contato com produtores locais, feiras e a leitura atenta de rótulos ajudam a identificar opções mais alinhadas a princípios éticos, culturais e nutricionais individuais.










