O debate em torno da expressão latina Homo homini lupus ganhou novo fôlego nos últimos anos, reaparecendo em redes sociais, debates acadêmicos e produtos culturais para discutir a natureza humana, a violência e o papel das instituições na contenção de conflitos.
Qual é a origem de Homo homini lupus na Roma Antiga
A formulação mais antiga conhecida de Homo homini lupus aparece em uma comédia do dramaturgo romano Plauto, no século II a.C. Na obra, a imagem do homem como lobo não se refere a uma maldade inevitável, mas a uma situação específica de ausência de laços sociais e reconhecimento mútuo.
Em vez de um retrato fixo da espécie humana, Plauto apresenta uma advertência sobre o que acontece quando a convivência se baseia apenas em desconfiança. Nesse contexto, a literatura latina já discutia a tensão entre a capacidade de criar cidades, leis e cultura e o potencial de agir com brutalidade quando faltam regras e vínculos.
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Por que Homo homini lupus se tornou tão conhecida na filosofia política
O grande salto de popularidade da expressão Homo homini lupus ocorre com o filósofo inglês Thomas Hobbes, no século XVII. Em obras como De Cive e, sobretudo, Leviatã, ele utiliza a imagem do homem como lobo para discutir o estado de natureza, cenário teórico em que não há governo, leis ou autoridade central.
Para Hobbes, não se trata de afirmar que o ser humano nasça perverso, mas de reconhecer que, sem regras comuns, o medo e o desejo de autopreservação geram um ambiente de constante insegurança. Nessa leitura, a expressão ganha um sentido claramente político, servindo para justificar a necessidade de instituições fortes.
Como Homo homini lupus explica a visão de natureza humana em Hobbes
Na interpretação hobbesiana, Homo homini lupus está ligada à vulnerabilidade e à relativa igualdade entre os indivíduos em força e inteligência. Cada pessoa teme ser atacada ou prejudicada, o que produz rivalidade, desconfiança e a famosa ideia de “guerra de todos contra todos”.
Diante desse quadro, Hobbes sustenta que os indivíduos aceitam entregar parte de sua liberdade a um poder comum — o Estado — em troca de proteção. Para organizar essa visão, é possível resumir alguns de seus conceitos centrais relacionados à expressão:
- Estado de natureza situação hipotética sem leis nem governo;
- Medo e insegurança cada indivíduo teme o ataque do outro;
- Pacto social acordo para transferir poderes ao Estado;
- Ordem e paz objetivo de reduzir a lógica “homem contra homem”.

Como Homo homini lupus é usada no mundo atual
No século XXI, a expressão Homo homini lupus aparece em debates sobre violência, desigualdade, guerras e violações de direitos humanos. Muitas vezes, ela é citada para destacar situações em que um grupo trata outro como se não fosse digno de reconhecimento, proteção ou respeito.
Em notícias, análises e redes sociais, a frase costuma ser associada a episódios de conflitos armados, exploração econômica extrema, discriminação sistemática e outras formas de violência que ignoram a dignidade humana, servindo também como ponto de partida para discutir políticas públicas e proteção social.
O que a ideia de Homo homini lupus revela sobre a sociedade contemporânea
A permanência de Homo homini lupus no vocabulário atual indica que a sociedade ainda lida com tensões entre cooperação e conflito. A frase funciona como um espelho incômodo, lembrando que avanços tecnológicos e institucionais não eliminam, por si só, práticas de dominação, exclusão e violência.
Ao revisitar a trajetória dessa expressão, de Plauto a Hobbes e até o presente, observa-se como o pensamento político utiliza imagens fortes para discutir medo, poder, segurança e reconhecimento do outro. Assim, “o homem é um lobo para o homem” segue útil para refletir sobre quais condições sociais favorecem a agressão e quais fortalecem uma convivência baseada em leis, respeito e limites claros ao uso da força.






