Em muitas famílias, a posição que cada filho ocupa na ordem de nascimento desperta debates e expectativas. Estudos recentes têm buscado compreender se o lugar na fila dos irmãos influencia apenas o comportamento em certos momentos da vida ou se realmente marca diferenças mais amplas no desenvolvimento infantil e na trajetória adulta, considerando também fatores como estilo parental, contexto sociocultural e saúde emocional, como a pesquisa “The Early Origins of Birth Order Differences in Children’s Outcomes and Parental Behavior”.
A ordem de nascimento influencia o comportamento infantil?
Pesquisas que comparam irmãos em diferentes países observaram que filhos nascidos em segundo lugar, especialmente meninos, aparecem de forma proporcionalmente maior em registros disciplinares e estatísticas de justiça juvenil quando comparados aos mais velhos. Em alguns estudos, esses irmãos chegam a apresentar entre 20% e 40% mais ocorrências de punições escolares ou conflitos com a lei, o que despertou o interesse de sociólogos, economistas e psicólogos.
Esses dados não indicam uma causa única, mas sugerem a atuação de um conjunto de influências. Entre as hipóteses está o fato de que o filho mais velho vivencia um período exclusivo com os pais, sem disputar atenção. Já o seguinte nasce em um contexto no qual precisa compartilhar cuidados, tempo e recursos desde o início. Além disso, a dinâmica familiar costuma mudar: os adultos têm mais experiência, porém menos tempo livre e, muitas vezes, menos disposição para manter o mesmo nível de rigidez aplicado ao primeiro filho.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do perfil @dicasdotorele que conta com mais de 200 mil seguidores nas redes:
@dicasdotorele O segundo filho homem…
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Como a ordem de nascimento molda a relação entre pais e filhos?
Um ponto frequentemente citado por especialistas é a mudança gradual no estilo de criação. Com o primeiro filho, muitos pais adotam uma postura mais vigilante e rigorosa com horários, alimentação e disciplina. Já com o segundo ou terceiro, a tendência é de maior flexibilidade. Esse ajuste pode ser positivo em alguns aspectos, por reduzir tensões, mas também pode abrir espaço para diferenças de exigência e responsabilidade entre os irmãos.
A ordem de nascimento na família também se relaciona ao modo como a atenção é distribuída. O primogênito vivencia, por um período, a exclusividade do cuidado. Quando o irmão mais novo chega, ocorre uma redistribuição inevitável dessa atenção. O caçula, por sua vez, nunca experimenta esse cenário de exclusividade, mas costuma ser tratado como o “mais novo” por mais tempo, o que pode favorecer atitudes de proteção excessiva e padrões de superdependência emocional.
Qual é o papel dos irmãos na construção da personalidade?
A ordem de nascimento também afeta quem serve como principal modelo de comportamento. Em geral, o filho mais velho olha principalmente para os pais em busca de referência. Já os irmãos mais novos observam tanto os adultos quanto o primogênito, que funciona como um mediador entre o mundo familiar e o grupo de colegas. Esse arranjo pode fortalecer no mais velho habilidades ligadas à liderança e ao senso de responsabilidade, enquanto o mais novo pode desenvolver estratégias sociais para se adaptar a grupos de idades variadas.
Na prática, o primogênito costuma ser encarregado, formal ou informalmente, de apresentar o caçula a amigos, incluí-lo em brincadeiras ou evitar que fique isolado. Isso expõe o mais novo a conversas, vocabulário e situações vividas por crianças mais velhas. Em muitas famílias, o resultado é um caçula percebido como “esperto” ou “adiantado” em certas habilidades sociais ou verbais, ao mesmo tempo em que delega ao irmão mais velho parte das responsabilidades cotidianas, reforçando papéis de cuidador e de protegido.
- Filho mais velho: tende a receber mais cobranças e responsabilidades.
- Filho do meio: pode desenvolver estratégias de mediação e negociação.
- Filho caçula: costuma contar com mais proteção e maior exposição a grupos variados.
O que os estudos indicam sobre irmãos do meio e caçulas?
Em famílias com três filhos ou mais, o irmão do meio ganha um lugar próprio na discussão sobre ordem de nascimento e personalidade. Alguns levantamentos com adultos que cresceram nesse tipo de estrutura familiar apontaram que, em comparação com os primogênitos, os filhos do meio podem relatar menor foco em regras, religiosidade ou desempenho escolar, além de maior abertura à fantasia e à impulsividade. Em certos perfis, esses traços se aproximam da imagem associada aos caçulas em outras pesquisas.
Curiosamente, há trabalhos que descrevem os filhos mais novos como mais calorosos, afetuosos e agradáveis na convivência diária. Já estudos mais recentes, avaliando pares de irmãos ao longo do tempo, indicam que o impacto duradouro da ordem de nascimento na personalidade geral pode ser menor do que se imaginava. Nesses casos, diferenças de traços como extroversão, gentileza ou estabilidade emocional aparecem mais ligadas à combinação de genética e ambiente do que apenas à posição na hierarquia dos irmãos.
- Experiências únicas de cada filho ao longo da infância.
- Estilo de criação dos pais em fases diferentes da vida.
- Condições econômicas e emocionais da família a cada novo nascimento.
- Características individuais herdadas geneticamente.

A ordem de nascimento define o futuro dos filhos?
Pesquisadores destacam que a ordem de nascimento é apenas um dos muitos elementos que influenciam o desenvolvimento humano. A personalidade resulta da interação entre fatores biológicos, experiências diárias e contexto social. Assim, dois irmãos que ocupam a mesma posição em famílias diferentes podem trilhar caminhos completamente distintos, mesmo que estatísticas gerais apontem certas tendências para primogênitos, filhos do meio ou caçulas.
O que se observa, de forma mais consistente, é que a história de vida de cada criança — oportunidades educacionais, apoio emocional, qualidade das relações familiares e contexto cultural — exerce um peso significativo na formação de competências cognitivas e sociais. Pais, cuidadores e profissionais que lidam com crianças costumam ser orientados a considerar a individualidade de cada filho, evitando rótulos baseados apenas na posição entre os irmãos, e investindo em vínculos afetivos seguros e em limites claros para todos.









