A frase “Até a vitória, sempre” tornou-se um dos lemas políticos mais reconhecidos da história recente da América Latina, associada à ideia de perseverança em meio a conflitos sociais e a projetos de transformação política. Hoje, a expressão aparece em murais, faixas, canções, redes sociais e discursos, muitas vezes desconectada de sua origem precisa, mas ainda fortemente vinculada a narrativas de resistência e esperança, inclusive em campanhas eleitorais, protestos de rua e debates acadêmicos no cenário de 2025.
Qual é a origem histórica de “Até a vitória, sempre”
A origem mais documentada de “Até a vitória, sempre” remete à trajetória revolucionária de Ernesto Che Guevara. Pesquisas históricas indicam o uso da expressão em correspondências do líder guerrilheiro na década de 1960, ligadas à Revolução Cubana e às tentativas de expandir a luta armada para outros territórios latino-americanos.
O historiador cubano Sergio Guerra Vilaboy, entre outros estudiosos, menciona uma carta de Che Guevara a Fidel Castro, escrita em 1965, como marco para a circulação do lema. Relatos de pessoas próximas a Guevara sugerem ainda que a frase derivaria de um enunciado mais longo, no qual se combinavam ideias de vitória, pátria e sacrifício, consolidando-se após a morte de Che, em 1967, como símbolo de compromisso revolucionário.
Por que “Até a vitória, sempre” é vinculada a Eloy Alfaro no Equador
No Equador, o nome de Eloy Alfaro costuma surgir em debates sobre a autoria de “Até a vitória, sempre”, embora não haja comprovação documental de que o líder liberal tenha usado a expressão. Alfaro, ativo no fim do século XIX e início do XX, tornou-se ícone de reformas políticas, luta anticlerical e modernização do Estado equatoriano, o que favorece associações simbólicas com lemas revolucionários posteriores.
Quando figuras políticas contemporâneas aproximam o lema de Alfaro, buscam conectar a tradição liberal equatoriana à luta revolucionária latino-americana do século XX. Essa junção reforça uma ideia de continuidade histórica entre ciclos distintos de confronto político, mas estudos historiográficos não registram a frase em discursos autênticos de Alfaro, revelando um uso mais retórico que histórico.
Como se explica a circulação e a reatribuição do lema em diferentes países
Essa confusão em torno da autoria de “Até a vitória, sempre” ilustra um fenômeno recorrente na política: lemas famosos são deslocados de seu contexto original e atribuídos a personagens de grande prestígio nacional. No caso equatoriano, Alfaro representa a resistência republicana, enquanto Che Guevara simboliza a luta revolucionária regional, permitindo a fusão de imagens em discursos atuais.
Em outros países latino-americanos, processos semelhantes ocorrem com figuras como Simón Bolívar ou líderes locais, que acabam associados a frases de forte impacto simbólico. Essa circulação mostra como slogans políticos funcionam como patrimônio simbólico compartilhado, suscetível a reinterpretações e usos estratégicos por diferentes tradições ideológicas.

Como a frase “Até a vitória, sempre” é usada hoje em diferentes contextos
Ao longo das décadas, “Até a vitória, sempre” deixou de ser apenas um enunciado ligado à Revolução Cubana e passou a compor o repertório de diversos movimentos políticos e culturais. Atualmente, aparece em manifestações estudantis, sindicatos, partidos de esquerda, coletivos de memória histórica e até em produtos culturais, como filmes, músicas e exposições sobre lutas sociais.
Para compreender o significado atual dessa palavra de ordem, é possível observar três dimensões principais, que ajudam a explicar sua permanência e sua ressignificação em diferentes países e causas:
- Dimensão histórica – ligação direta com Che Guevara, a Revolução Cubana e as experiências guerrilheiras dos anos 1960.
- Dimensão simbólica – ideia de continuidade da luta, sem interrupção, até a conquista de um objetivo político ou social.
- Dimensão contemporânea – reinterpretações em diferentes países, como no Equador, onde a expressão é associada também à memória de Eloy Alfaro e a novas agendas de justiça social.
Esse processo de ressignificação mostra como uma mesma frase pode carregar, ao mesmo tempo, um registro histórico específico e múltiplos sentidos atuais. Ao circular entre contextos variados, “Até a vitória, sempre” segue funcionando como referência para discursos de mobilização e identidade política, ao mesmo tempo em que alimenta debates sobre autoria, memória e o uso político da linguagem.








