O cheiro de rosa recém-cortada e o perfil de um moinho de 38 metros recebem quem chega a Holambra, no interior de São Paulo. Com pouco mais de 15 mil habitantes e um nome que funde “Holanda Brasileira“, América e Brasil em uma só palavra, a cidade a 134 km da capital paulista transformou um passado de guerra em campos floridos que abastecem o país inteiro.
De refugiados de guerra a maior centro floricultor da América Latina
A história de Holambra começa em 1948, quando cerca de quinhentos imigrantes neerlandeses da província de Brabante do Norte deixaram uma Europa destruída pela Segunda Guerra Mundial e se estabeleceram na antiga Fazenda Ribeirão. O plano original era produzir leite e laticínios, mas o gado holandês não resistiu às doenças tropicais. A solução veio com um segundo grupo de imigrantes, em 1951, que trouxe sementes de gladíolos na bagagem.
Das flores nasceu uma cadeia que hoje responde por cerca de 40% da produção brasileira de flores e plantas ornamentais, segundo a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP). Em 1989, a comunidade implantou o leilão reverso de flores, o Klok holandês, sistema até então desconhecido no país. A Cooperativa Veiling Holambra se tornou o quinto maior leilão de flores do mundo e opera 24 horas por dia, sete dias por semana, comercializando mais de 7 mil variedades de plantas.

Como é viver na Capital Nacional das Flores?
Morar em Holambra significa conviver com ciclovias que lembram os Países Baixos, ruas com nomes de flores e um ritmo que mistura interior paulista com tradição europeia. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,793, considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O PIB per capita alcançou R$ 119.692 em 2023, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A cidade integra a Região Metropolitana de Campinas, o que facilita o acesso a universidades, hospitais e aeroporto internacional sem abrir mão da tranquilidade de um município de 65 km². O espírito cooperativista herdado dos fundadores permanece vivo em diversas associações locais e no calendário de festas que envolve a comunidade inteira.
Explore o charme europeu e a qualidade de vida no interior paulista. O vídeo é do canal MAIS 50, que conta com mais de 730 mil inscritos, e detalha como é morar em Holambra, abordando a segurança impecável, o custo de vida, as tradições holandesas e o potencial turístico da Cidade das Flores:
O que fazer além dos campos de flores?
A Cidade das Flores oferece atrações durante o ano todo. Algumas ficam a poucos minutos do centro e rendem um dia inteiro de passeio.

Quais pratos experimentar na cidade holandesa do interior?
A mesa de Holambra mistura herança dos Países Baixos com ingredientes brasileiros. Os restaurantes locais servem desde receitas tradicionais até criações com flores comestíveis.
- Stamppot: purê de batata com legumes, prato típico holandês servido em vários restaurantes do centro.
- Stroopwafel: waffle fino recheado com caramelo, encontrado em cafeterias e nas feiras da cidade.
- Pratos com flores: sobremesas e saladas preparadas com rosas, lavanda e hibisco, ingredientes cultivados na própria região.
- Cervejas artesanais: rótulos locais inspirados na tradição cervejeira holandesa, servidos em pubs do centro.

Quando visitar a capital das flores?
Holambra fica a 600 metros de altitude e tem clima agradável ao longo do ano. O inverno seco favorece passeios ao ar livre, enquanto a primavera concentra os maiores eventos. As chuvas de verão costumam ser fortes, mas passageiras.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Como chegar à cidade das flores?
Holambra fica a 134 km de São Paulo pela Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), com acesso pela Rodovia Dom Pedro I (SP-065). De carro, a viagem leva cerca de duas horas. O aeroporto mais próximo é o de Viracopos, em Campinas, a 40 km. Não há ônibus direto da capital, mas linhas regulares partem de Campinas pela Viação Princesa d’Oeste.
Conheça a cidade que nasceu de três idiomas e floresce o ano inteiro
Holambra guarda em cada rua o improvável encontro entre a disciplina holandesa e a energia do interior paulista. Uma cidade pequena que abastece o país de flores, mantém um leilão de escala mundial e ainda preserva o sotaque dos fundadores nas festas de setembro.
Você precisa atravessar o interior de São Paulo e sentir o perfume que só Holambra tem, a cidade onde três continentes viraram um nome e um campo de flores sem fim.










