Uma fenda aberta na montanha com paredões de 90 metros de altura, curvas de 180 graus e uma formação geológica de 160 milhões de anos fazem parte de uma estrada brasileira. A Serra do Corvo Branco, na divisa entre Urubici e Grão-Pará, no sul de Santa Catarina, guarda o maior corte em rocha arenítica do país e uma das estradas mais radicais do Brasil.
A rocha de 160 milhões de anos que virou estrada
As rochas que formam a Serra do Corvo Branco datam do período em que a América do Sul ainda estava grudada na África, no supercontinente Pangeia. O arenito Botucatu, depositado por ventos em um deserto que cobria a região, foi depois selado por derrames de lava basáltica que hoje compõem a Formação Serra Geral. Esse mesmo arenito é a rocha porosa que alimenta o Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do planeta.
Quem desce a serra percebe uma faixa escura rasgando o paredão de baixo para cima. É o dique de basalto, resultado do resfriamento da lava incandescente que subiu do núcleo da Terra há 160 milhões de anos. A geologia está ali, exposta como uma aula a céu aberto.

Por que se chama Corvo Branco?
O nome nasceu de um engano. Os moradores antigos da região avistavam uma ave de plumagem branca e detalhes coloridos fazendo ninhos nos paredões e a chamavam de corvo. Na verdade, trata-se do Urubu-rei, espécie rara e de beleza singular. O apelido pegou, batizou a serra e hoje identifica um dos cartões-postais mais fotografados de Santa Catarina. A ave, porém, tornou-se cada vez mais difícil de avistar por conta da degradação do habitat e da baixa reprodutividade da espécie.
A estrada mais surpreendente da Serra Catarinense. O vídeo é do canal Algum Lugar na Terra, que conta com mais de 100 mil inscritos, e apresenta a vertiginosa Serra do Corvo Branco, destacando o impressionante corte vertical na rocha e dicas de segurança para a travessia:
Da picareta ao asfalto: a estrada mais temível do país
A construção começou antes dos anos 1950 com trabalho voluntário, picaretas e força braçal. Para abrir passagem pela montanha, foi necessário cortar a rocha ao meio com um trator esteira, criando a famosa garganta de 90 metros. A estrada foi inaugurada em 1980 e se tornou a primeira ligação entre o litoral e a Serra Catarinense.
Por décadas, a SC-370 foi chamada de “a estrada mais temível do Brasil”. Em 2025, o Governo de Santa Catarina iniciou a pavimentação do trecho de terra pelo Programa Estrada Boa, com investimento de R$ 50 milhões e previsão de conclusão em 2026. Parte da serra pode estar interditada durante as obras. Antes de ir, consulte a situação da via com a Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade (SIE).

O que visitar na Serra do Corvo Branco e arredores?
A fenda é apenas o começo. No topo da serra e nas proximidades, outras atrações completam o roteiro pela Serra Catarinense.
Quando o clima favorece o passeio pela serra?
A altitude de Urubici, cidade-base para a serra, faz as temperaturas serem bem mais baixas que no litoral catarinense. O inverno atrai quem busca frio intenso, mas o melhor período para fotografar a fenda é entre abril e setembro, quando as chuvas diminuem e o céu abre com mais frequência.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Como chegar à Serra do Corvo Branco?
A cidade-base é Urubici, a 270 km de Florianópolis pela BR-282 e SC-370, cerca de 3h30 de carro. A fenda da serra fica a 27 km do centro de Urubici por estrada parcialmente asfaltada. Pelo lado de Grão-Pará, o acesso é pela SC-438 a partir da BR-101, passando por Gravatal e Braço do Norte. O aeroporto mais próximo é o de Florianópolis.
Uma fenda na montanha que vale cada curva
A Serra do Corvo Branco é daqueles lugares que nenhuma foto consegue traduzir por inteiro. O som dos pássaros ecoando entre paredões de 90 metros, o vento cortando a garganta de rocha e a vista que se abre no topo da montanha pertencem a quem está ali, de pé, na beira do abismo.
Você precisa subir a Serra do Corvo Branco e descobrir por que essa estrada no meio da rocha é uma das paisagens mais impressionantes do Sul do Brasil.










