Ruas de pedra, fachadas coloniais e o silêncio de quem entra numa igreja do século XVII recebem o visitante que sobe a ladeira até o centro histórico de São Cristóvão, a 25 km de Aracaju. Fundada em 1590, a cidade mãe de Sergipe foi a primeira capital do estado e carrega mais de quatro séculos de história em cada esquina.
A praça que uniu dois impérios no traçado colonial
A Praça São Francisco é o coração da cidade e o motivo pelo qual São Cristóvão aparece na lista da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Desde 2010, a praça é reconhecida como Patrimônio Mundial Cultural, sendo o primeiro sítio sergipano a receber a chancela.
O que torna essa praça rara é o traçado. Construída entre os séculos XVI e XVII, ela segue as Ordenações Filipinas, um código urbano espanhol aplicado durante a União Ibérica (1580-1640). O resultado é uma fusão entre o modelo de Plaza Mayor hispânica e o padrão urbano português. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), não existe outro exemplar dessa combinação no Brasil.

O que visitar no centro histórico da cidade mãe de Sergipe?
O centro histórico concentra as atrações em poucas quadras, todas acessíveis a pé. Meio dia é suficiente para percorrer os principais pontos, mas o ritmo lento da cidade convida a ficar mais.
- Igreja e Convento de São Francisco: conjunto do século XVII com detalhes em madeira e ouro. Abriga o Museu de Arte Sacra, com mais de 500 peças dos séculos XVII ao XX.
- Museu Histórico de Sergipe: funciona no antigo Palácio Provincial, onde Dom Pedro II se hospedou em 1860. Restaurado e reaberto em 2025.
- Cristo Redentor: inaugurado em 1926, cinco anos antes do monumento do Rio de Janeiro. Fica no alto do morro São Gonçalo, a 90 metros, com vista panorâmica da cidade.
- Conjunto do Carmo: abriga o Memorial de Irmã Dulce, primeira santa brasileira, que iniciou sua vida religiosa neste convento.
- Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos: fundada em 1746 pela irmandade dos homens negros escravizados. Arquitetura simples que guarda história de resistência.
Visite São Cristóvão, a quarta cidade mais antiga do Brasil e primeira capital de Sergipe. O vídeo é do canal Boa Sorte Viajante, com 240 mil inscritos, e apresenta o centro histórico, a queijadinha tradicional e o roteiro de Irmã Dulce.
Doces centenários com receita guardada a sete chaves
A gastronomia de São Cristóvão gira em torno da doçaria tradicional, com receitas que atravessam gerações. Três iguarias são parada obrigatória para quem visita a cidade histórica.
- Queijada: apesar do nome, não leva queijo. Criada por pessoas escravizadas que substituíram o ingrediente por coco, abundante na região. É Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe. A Casa da Queijada, na Praça da Matriz, mantém a receita há quatro gerações.
- Bricelet: biscoito fino e crocante de origem suíça, trazido por freiras beneditinas. Leva farinha de trigo, ovos e suco de laranja. A receita original é guardada em segredo.
- Beijú: herança indígena feita com farinha de tapioca e coco, vendido na Casa do Beijú.

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Qual é o melhor período para visitar a cidade histórica?
O clima tropical mantém o calor durante o ano inteiro. As chuvas se concentram no meio do ano, mas raramente atrapalham os passeios pelo centro, já que as manhãs costumam ser abertas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Um festival com mais de 50 anos transforma as ruas em palco
Em novembro, São Cristóvão recebe o Festival de Artes de São Cristóvão (FASC), criado em 1972 pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). O evento reúne música, teatro, cinema, literatura e folclore nos palcos espalhados pelo centro histórico. Artistas como Gilberto Gil, Daniela Mercury, Emicida e Liniker já passaram pelos palcos do festival. A 40ª edição, em 2025, atraiu cerca de 60 mil pessoas por dia com entrada gratuita. O FASC é reconhecido como Bem de Interesse Cultural de Sergipe desde 2023.

Como chegar à primeira capital sergipana?
São Cristóvão fica a 25 km de Aracaju, cerca de 30 minutos de carro pela rodovia estadual. Uma corrida de aplicativo a partir da Orla de Atalaia custa em torno de R$ 40. Ônibus partem da rodoviária de Aracaju com frequência ao longo do dia. O Aeroporto Santa Maria, em Aracaju, recebe voos diretos de São Paulo, Brasília e Salvador.
Suba a ladeira e conheça onde Sergipe nasceu
São Cristóvão oferece em poucas quadras o que muitas cidades históricas brasileiras levam dias para mostrar: igrejas seculares, a única praça ibérica das Américas, o Cristo mais antigo do país e doces com receitas de mais de 200 anos. Tudo a meia hora da capital.
Você precisa subir a ladeira de São Cristóvão e sentir o peso da história em cada pedra do calçamento, com o cheiro de queijada saindo da janela e o sino da Matriz marcando a tarde.









