O aroma de chocolate paira no ar quente de Ilhéus, no sul da Bahia, onde fachadas do início do século XX dividem a paisagem com coqueiros e o azul do Atlântico. Fundada em 1534 como sede de uma capitania hereditária, a Princesinha do Sul guarda quase cinco séculos de história, 100 km de litoral e os cenários reais que Jorge Amado transformou em romances traduzidos para 49 idiomas.
O cacau que ergueu palácios e inspirou romances
O fruto chegou à região em 1746, trazido do Pará pelo colonizador francês Luiz Frederico Warneau. Em poucas décadas, as fazendas de cacau fizeram de Ilhéus uma das cidades mais ricas da Bahia. No início do século XX, o município já era referência mundial na produção, e os coronéis do cacau ergueram palacetes, teatros e praças inspirados em Paris.
Foi nesse cenário que Jorge Amado cresceu e encontrou matéria-prima para livros como Gabriela, Cravo e Canela e São Jorge dos Ilhéus. Em 1989, a praga da vassoura-de-bruxa devastou as lavouras e encerrou a era de ouro. A cidade se reinventou: hoje aposta no cacau fino, no chocolate artesanal e no turismo que nasce dessa memória.

O que visitar no centro histórico da terra de Gabriela?
O centro de Ilhéus concentra as marcas do apogeu cacaueiro em poucos quarteirões. Uma caminhada de duas horas é suficiente para percorrer os principais pontos, todos ligados à história do cacau ou à obra de Jorge Amado.
- Casa de Cultura Jorge Amado: palacete dos anos 1920 onde o escritor cresceu. Expõe fotos, roupas, manuscritos e objetos da família. Das janelas se avista o Bar Vesúvio.
- Bar Vesúvio: fundado em 1919 por imigrantes italianos e imortalizado em Gabriela, Cravo e Canela. Tombado como patrimônio histórico, mantém a decoração original do século XX.
- Bataclan: antigo cabaré frequentado por coronéis entre 1926 e 1938. Cenário da história da cafetina Maria Machadão, hoje funciona como restaurante temático.
- Catedral de São Sebastião: construção neogótica com 48 metros de altura, iniciada em 1931 e inaugurada em 1967. Vitrais que retratam as Sete Dores de Maria.
- Teatro Municipal: inaugurado em 1932, é considerado um dos mais importantes do interior baiano.
Explore a terra do cacau e de Jorge Amado em um roteiro por Ilhéus. O vídeo é do canal Grupo Dicas De Viagem, com mais de 540 mil inscritos, e detalha o centro histórico, fazendas e praias paradisíacas. Dicas do Grupo Dicas De Viagem:
Praias para todos os ritmos no litoral sul e norte
Ilhéus possui cerca de 100 km de costa, divididos entre o litoral sul, mais estruturado, e o norte, preservado e quase deserto. A diversidade atende desde famílias com crianças até surfistas experientes.
No sul, a Praia dos Milionários é a mais conhecida, com barracas, restaurantes e infraestrutura completa. O nome remonta às casas de veraneio dos antigos coronéis do cacau. A Praia de Cururupe atrai surfistas com ondas fortes, enquanto o rio de mesmo nome oferece banho calmo ao lado. Mais adiante, Olivença combina águas termais, cultura indígena e boa estrutura turística. No litoral norte, praias como São Miguel e Ponta do Ramo reservam faixas extensas de areia com poucas construções.

A Estrada do Chocolate e uma lagoa escondida na mata
Fora das praias, dois roteiros completam a experiência em Ilhéus. A Estrada do Chocolate, primeira estrada temática da Bahia, percorre fazendas centenárias entre Ilhéus e Uruçuca. O visitante acompanha a colheita do cacau, degusta a polpa fresca e vê a transformação em chocolate artesanal. Fazendas como Almada, Capela Velha e Riachuelo oferecem almoço típico e trilhas pela cabruca, o sistema agroflorestal que preserva a Mata Atlântica sobre os cacaueiros.
A 34 km do centro, a Lagoa Encantada é um espelho d’água de 6,4 km² cercado por mata nativa. Dentro da Área de Proteção Ambiental (APA), a lagoa abriga ilhas flutuantes que se deslocam conforme o vento e duas cachoeiras acessíveis de barco. O pôr do sol sobre a lagoa é considerado um dos mais bonitos da região.
Moqueca, acarajé e chocolate em cada esquina
A gastronomia ilheense mistura tradição baiana com a onipresença do cacau. A moqueca de camarão e o bobó são servidos em restaurantes à beira-mar na Praia dos Milionários. No centro, o Bataclan serve pratos que combinam ingredientes regionais com derivados do cacau, como queijo coalho com melaço de cacau e petit gateau com nibs. Em julho, o Chocolat Festival reúne mais de 200 expositores e cerca de 100 marcas de chocolate de origem, consolidando a cidade como capital do chocolate artesanal baiano.
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Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima tropical úmido mantém temperaturas agradáveis o ano inteiro. As chuvas se distribuem ao longo dos meses, com maior volume entre abril e julho. O verão é a alta temporada nas praias.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Como chegar à Princesinha do Sul?
Ilhéus possui o Aeroporto Jorge Amado, a menos de 4 km do centro, com voos diretos de São Paulo, Belo Horizonte e Salvador. De carro, a cidade fica a 460 km de Salvador pela BR-101, com trecho via ferry-boat na Baía de Todos os Santos. A vizinha Itacaré está a 70 km pela BA-001, o que permite combinar os dois destinos numa mesma viagem.
Conheça a cidade onde o cacau virou literatura
Ilhéus entrega ao visitante algo raro no litoral brasileiro: praias extensas, uma história que se lê nas fachadas e nos livros, fazendas vivas que transformam fruto em chocolate diante dos seus olhos e uma gastronomia que mistura dendê com cacau. Tudo embalado pelo ritmo lento do sul baiano.
Você precisa caminhar pelas ruas de Ilhéus, sentar no Vesúvio como Nacib fez e provar um chocolate feito com cacau colhido na mesma manhã, a poucas curvas de estrada da praia.










