O rugido das águas chega antes da imagem. Quem se aproxima da passarela sobre o Rio Iguaçu sente a névoa no rosto e, só então, enxerga o paredão de espuma que fez Eleanor Roosevelt exclamar um breve e definitivo “Pobre Niágara!”. Foz do Iguaçu, no extremo oeste do Paraná, é o tipo de destino que acumula superlativos sem forçar nenhum deles.
Como um aviador salvou as Cataratas da mão privada?
Santos Dumont visitou a região em 1916 e ficou surpreso ao saber que as terras das quedas pertenciam a um particular. Em três meses, o governo do Paraná declarou a área de utilidade pública. O Parque Nacional do Iguaçu só foi criado oficialmente em 1939, por decreto de Getúlio Vargas, tornando-se o segundo mais antigo do país.
Em 1986, a UNESCO reconheceu a unidade como Patrimônio Natural da Humanidade. Vinte e cinco anos depois, as Cataratas entraram na lista das Sete Maravilhas Naturais do Mundo por votação popular internacional. Com 185 mil hectares de Mata Atlântica protegida, o parque abriga espécies ameaçadas como a onça-pintada, a jacutinga e o papagaio-de-peito-roxo.

O que visitar além das Cataratas na tríplice fronteira?
A cidade na fronteira de três países oferece atrações para dias inteiros de roteiro. Algumas ficam a poucos minutos umas das outras, o que facilita a logística.
- Cataratas do Iguaçu: 275 quedas ao longo de 2,7 km. A Garganta do Diabo, com 82 m de altura e 150 m de largura, marca a divisa entre Brasil e Argentina. O passeio de barco sob as quedas garante um banho memorável.
- Parque das Aves: única instituição do mundo focada na conservação de aves da Mata Atlântica. São mais de 1.300 aves de 143 espécies em 16,5 hectares de floresta, com viveiros de imersão onde tucanos e araras voam sobre a cabeça do visitante.
- Itaipu Binacional: a usina no Rio Paraná consumiu concreto suficiente para erguer 210 Maracanãs e ferro para 380 Torres Eiffel. Desde 1977, mais de 25 milhões de pessoas de 209 países visitaram a barragem de 196 m de altura.
- Marco das Três Fronteiras: inaugurado em 1903, o obelisco marca o encontro de Brasil, Argentina e Paraguai. O pôr do sol sobre os rios Iguaçu e Paraná acompanha shows culturais e o jantar no Restaurante Cabeza de Vaca, com pratos dos três países.
Quais sabores a fronteira coloca na mesa?
A mistura de culturas brasileira, argentina e paraguaia criou uma cena gastronômica que vai muito além da picanha. O Mercado Público Barrageiro, inaugurado recentemente, reuniu cerca de 477 mil visitantes em seu primeiro ano e concentra sabores regionais em um só endereço.

Quando visitar a capital das Cataratas?
Foz do Iguaçu tem clima subtropical úmido. O verão é quente e chuvoso, mas a chuva costuma aumentar a vazão das quedas, o que torna o espetáculo ainda mais impressionante. O inverno seco e ameno permite caminhadas longas sem desconforto.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Como chegar a Foz do Iguaçu saindo das capitais?
O Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu recebe voos diretos de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e outras capitais. De carro, a cidade fica a 637 km de Curitiba pela BR-277, cerca de 6h30 de viagem. Ônibus partem diariamente da rodoviária de Curitiba e de outras cidades do Sul e Sudeste. Dentro da cidade, a Rodovia das Cataratas (BR-469) liga o centro ao Parque Nacional em 17 km.
Sinta o rugido das águas de perto
Foz do Iguaçu é o lugar onde a natureza exagera e a engenharia responde à altura. Três países, 275 quedas d’água, uma usina que abastece dois países e uma floresta que Santos Dumont ajudou a proteger formam um roteiro difícil de superar no continente.
Você precisa chegar à beira da Garganta do Diabo, sentir a névoa no rosto e entender por que quem visita Foz do Iguaçu volta para casa com vontade de voltar.










