A areia branca avança até onde a vista alcança e, entre uma duna e outra, lagoas de água doce aparecem e desaparecem conforme a chuva decide. Barreirinhas, no litoral do Maranhão, é a principal porta de entrada para esse fenômeno que a UNESCO reconheceu como Patrimônio Natural da Humanidade em 2024.
Como surgiram as dunas que enganam como deserto?
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi criado em 1981 para proteger 155 mil hectares de dunas, restingas e manguezais. Apesar da aparência desértica, a região recebe em torno de 1.600 mm de chuva por ano. Essa precipitação alimenta os lençóis freáticos e forma as lagoas azuis e verdes que deram fama ao parque.
A área fica em uma zona de transição entre Cerrado, Caatinga e Amazônia, o que explica a diversidade: são ao menos 133 espécies de plantas, 112 de aves e 42 de répteis. Entre as espécies ameaçadas estão o guará, a lontra-neotropical e o peixe-boi-marinho. Em julho de 2024, o comitê da UNESCO reunido em Nova Délhi declarou os Lençóis Maranhenses Patrimônio Natural da Humanidade, o primeiro título do tipo concedido ao Brasil em 23 anos.

O que fazer entre as dunas e o rio na porta do parque?
Barreirinhas organiza o acesso a três circuitos de lagoas e ao passeio fluvial mais procurado do Maranhão. Os veículos 4×4 credenciados pelo ICMBio levam os visitantes por trilhas de areia até os circuitos de lagoas.
- Lagoa Azul e Lagoa Bonita: os dois cartões-postais do circuito de Barreirinhas. A Lagoa Bonita oferece vista panorâmica do campo de dunas, com sensação de horizonte infinito.
- Passeio pelo Rio Preguiças: lancha voadeira parte da Avenida Beira-Rio e desce o rio até a península de Caburé, com paradas em Vassouras (Pequenos Lençóis e macacos saguis) e Mandacaru, onde o farol da Marinha, com 35 m e 160 degraus, revela a foz do rio encontrando o Oceano Atlântico.
- Atins: vilarejo de ruas de areia fofa a 15 minutos de barco de Caburé. O circuito de lagoas local é menos movimentado e atrai praticantes de kitesurf. A vila lembra o que Jericoacoara foi décadas atrás.
- Trekking de travessia: para os mais aventureiros, caminhadas de até cinco dias cruzam o campo de dunas com pernoite nos oásis de Queimada dos Britos e Baixa Grande, onde cerca de 30 famílias vivem entre a restinga.
Explore as belezas de Barreirinhas, a principal base para os Lençóis Maranhenses. O vídeo é do canal Bru e Badila Viagens, com mais de 100 mil inscritos, e detalha roteiros pelas lagoas Bonita e Azul, além de dicas de hospedagem e gastronomia local.
Quais sabores o rio e o mangue colocam no prato?
A gastronomia de Barreirinhas nasce do rio e do mar que se encontram poucos km adiante. A farinha de mandioca acompanha quase tudo, herança das comunidades que vivem dentro e no entorno do parque.
- Peixe na telha: peixe fresco grelhado com temperos regionais, servido nos restaurantes da Beira-Rio.
- Camarão ao molho: camarões pescados na foz do Rio Preguiças, preparados com leite de coco e arroz de cuxá.
- Arroz de cuxá: prato maranhense com vinagreira, gergelim torrado e camarão seco, presente em todas as mesas da cidade.

Quando as lagoas estão mais cheias na cidade das dunas?
O período chuvoso vai de janeiro a junho e é quando as lagoas atingem o nível máximo. O melhor momento para encontrar água abundante e sol firme é entre maio e setembro. A partir de outubro, as lagoas começam a baixar e algumas desaparecem até a próxima estação.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.

Como chegar a Barreirinhas saindo de São Luís?
A cidade fica a 252 km de São Luís pela MA-402 (Translitorânea), cerca de 4h de carro ou van. Ônibus partem diariamente do terminal rodoviário da capital. O Aeroporto de Barreirinhas opera com voos fretados e de aviação executiva, e o Programa AmpliAR do governo federal prevê a retomada de voos comerciais. Barreirinhas também integra a Rota das Emoções, circuito que conecta os Lençóis ao Delta do Parnaíba (PI) e a Jericoacoara (CE).
Vá antes que as lagoas decidam sumir
Poucos lugares no mundo combinam a imensidão de um deserto com lagoas de água doce que aparecem e desaparecem ao ritmo da chuva. Barreirinhas é a base para viver esse fenômeno de perto, com a simplicidade das comunidades ribeirinhas e o sabor do peixe tirado do rio no mesmo dia.
Você precisa subir uma duna nos Lençóis Maranhenses, olhar o horizonte sem encontrar nada além de areia e água, e entender por que a UNESCO precisou de uma palavra para resumir tudo isso: excepcional.









