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Início Cidades

O maior deserto molhado da América do Sul esconde lagoas que somem e voltam todos os anos criando novos cenários

Por Maura Pereira
22/02/2026
Em Cidades, Turismo
O maior campo de dunas da América do Sul esconde lagoas que somem e voltam todos os anos criando novos cenários

Barreirinhas organiza o acesso a três circuitos de lagoas e ao passeio fluvial mais procurado do Maranhão. / Imagem ilustrativa

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A areia branca avança até onde a vista alcança e, entre uma duna e outra, lagoas de água doce aparecem e desaparecem conforme a chuva decide. Barreirinhas, no litoral do Maranhão, é a principal porta de entrada para esse fenômeno que a UNESCO reconheceu como Patrimônio Natural da Humanidade em 2024.

Como surgiram as dunas que enganam como deserto?

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi criado em 1981 para proteger 155 mil hectares de dunas, restingas e manguezais. Apesar da aparência desértica, a região recebe em torno de 1.600 mm de chuva por ano. Essa precipitação alimenta os lençóis freáticos e forma as lagoas azuis e verdes que deram fama ao parque.

A área fica em uma zona de transição entre Cerrado, Caatinga e Amazônia, o que explica a diversidade: são ao menos 133 espécies de plantas, 112 de aves e 42 de répteis. Entre as espécies ameaçadas estão o guará, a lontra-neotropical e o peixe-boi-marinho. Em julho de 2024, o comitê da UNESCO reunido em Nova Délhi declarou os Lençóis Maranhenses Patrimônio Natural da Humanidade, o primeiro título do tipo concedido ao Brasil em 23 anos.

O maior campo de dunas da América do Sul esconde lagoas que somem e voltam todos os anos criando novos cenários
Em Barreirinhas, trilhe dunas leves, nade em lagoas mornas e prove peixe fresco à beira-rio no clima acolhedor do litoral maranhense tranquilo. // Créditos: Wikipédia

O que fazer entre as dunas e o rio na porta do parque?

Barreirinhas organiza o acesso a três circuitos de lagoas e ao passeio fluvial mais procurado do Maranhão. Os veículos 4×4 credenciados pelo ICMBio levam os visitantes por trilhas de areia até os circuitos de lagoas.

  • Lagoa Azul e Lagoa Bonita: os dois cartões-postais do circuito de Barreirinhas. A Lagoa Bonita oferece vista panorâmica do campo de dunas, com sensação de horizonte infinito.
  • Passeio pelo Rio Preguiças: lancha voadeira parte da Avenida Beira-Rio e desce o rio até a península de Caburé, com paradas em Vassouras (Pequenos Lençóis e macacos saguis) e Mandacaru, onde o farol da Marinha, com 35 m e 160 degraus, revela a foz do rio encontrando o Oceano Atlântico.
  • Atins: vilarejo de ruas de areia fofa a 15 minutos de barco de Caburé. O circuito de lagoas local é menos movimentado e atrai praticantes de kitesurf. A vila lembra o que Jericoacoara foi décadas atrás.
  • Trekking de travessia: para os mais aventureiros, caminhadas de até cinco dias cruzam o campo de dunas com pernoite nos oásis de Queimada dos Britos e Baixa Grande, onde cerca de 30 famílias vivem entre a restinga.

Explore as belezas de Barreirinhas, a principal base para os Lençóis Maranhenses. O vídeo é do canal Bru e Badila Viagens, com mais de 100 mil inscritos, e detalha roteiros pelas lagoas Bonita e Azul, além de dicas de hospedagem e gastronomia local.

Quais sabores o rio e o mangue colocam no prato?

A gastronomia de Barreirinhas nasce do rio e do mar que se encontram poucos km adiante. A farinha de mandioca acompanha quase tudo, herança das comunidades que vivem dentro e no entorno do parque.

  • Peixe na telha: peixe fresco grelhado com temperos regionais, servido nos restaurantes da Beira-Rio.
  • Camarão ao molho: camarões pescados na foz do Rio Preguiças, preparados com leite de coco e arroz de cuxá.
  • Arroz de cuxá: prato maranhense com vinagreira, gergelim torrado e camarão seco, presente em todas as mesas da cidade.
Uma cidade em um deserto de água doce e areias brancas no Brasil que conquista quem busca um paraíso diferente
Barreirinhas fascina com dunas infinitas e lagoas azuis: viva o oásis maranhense que inspira aventura, paz e beleza surreal no coração do deserto brasileiro! // Créditos: Wikipédia

Leia também: No Oeste de Santa Catarina, a cidade modelo em agroindústria com força econômica de metrópole e tempo de deslocamento de cidade pequena.

Quando as lagoas estão mais cheias na cidade das dunas?

O período chuvoso vai de janeiro a junho e é quando as lagoas atingem o nível máximo. O melhor momento para encontrar água abundante e sol firme é entre maio e setembro. A partir de outubro, as lagoas começam a baixar e algumas desaparecem até a próxima estação.

CHUVOSO
Janeiro – Junho
25°C a 32°C
🌧️ CHUVA ALTA
É o período de renovação. As chuvas intensas fazem as lagoas enchendo e ficarem cheias, pintando o deserto com espelhos d’água cristalinos.
IDEAL
Maio – Setembro
25°C a 33°C
✨ MELHOR ÉPOCA
A janela de ouro! Você encontrará as lagoas cheias com sol firme, garantindo aquele contraste surreal entre o branco das dunas e o azul das águas.
SECO
Outubro – Dezembro
26°C a 34°C
☀️ CHUVA MUITO BAIXA
As lagoas começam a secar gradualmente. É a época ideal para quem busca dunas infinitas e quer aproveitar as praias de Atins sem as multidões.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.

O deserto de água doce e areias brancas no Brasil que conquista quem busca um paraíso diferente
Barreirinhas, MA, portal dos Lençóis Maranhenses, revela dunas brancas e lagoas cristalinas no Parque Nacional, com Rio Preguiças e Pequenos Lençóis como destaques ecoturísticos. // Créditos: Wikipédia

Como chegar a Barreirinhas saindo de São Luís?

A cidade fica a 252 km de São Luís pela MA-402 (Translitorânea), cerca de 4h de carro ou van. Ônibus partem diariamente do terminal rodoviário da capital. O Aeroporto de Barreirinhas opera com voos fretados e de aviação executiva, e o Programa AmpliAR do governo federal prevê a retomada de voos comerciais. Barreirinhas também integra a Rota das Emoções, circuito que conecta os Lençóis ao Delta do Parnaíba (PI) e a Jericoacoara (CE).

Vá antes que as lagoas decidam sumir

Poucos lugares no mundo combinam a imensidão de um deserto com lagoas de água doce que aparecem e desaparecem ao ritmo da chuva. Barreirinhas é a base para viver esse fenômeno de perto, com a simplicidade das comunidades ribeirinhas e o sabor do peixe tirado do rio no mesmo dia.

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Você precisa subir uma duna nos Lençóis Maranhenses, olhar o horizonte sem encontrar nada além de areia e água, e entender por que a UNESCO precisou de uma palavra para resumir tudo isso: excepcional.

Tags: barreirinhasMaranhão
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