Com sementes de palmeiras vindas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro em 1867, imigrantes alemães plantaram o cartão-postal de Joinville, no norte de Santa Catarina. A maior cidade do estado cresceu entre fábricas e sapatilhas de balé, e hoje carrega por lei federal o título de Capital Nacional da Dança.
Como uma colônia alemã virou referência mundial em dança?
A história começa em 1851, quando a barca Colon trouxe os primeiros colonos europeus às margens do rio Cachoeira. As terras faziam parte do dote da princesa Francisca Carolina de Bragança, irmã de Dom Pedro II, ao se casar com o príncipe francês François Ferdinand de Orléans. O nome da cidade homenageia justamente o título dele: príncipe de Joinville.
Da Colônia Dona Francisca ao maior parque industrial catarinense, o salto levou pouco mais de um século. Multinacionais como Tupy, Whirlpool e Schulz convivem com uma vocação cultural que brotou nos anos 1980 e não parou de crescer. Em 1983, nasceu o Festival de Dança dentro do teatro da Sociedade Harmonia Lyra. Em 2000, a Escola do Teatro Bolshoi abriu as portas como a única filial da companhia russa fora de Moscou. E em 2016, a Lei 13.314 oficializou o que o mundo da dança já reconhecia.

O Bolshoi brasileiro que forma bailarinos para o mundo
Fundada em 15 de março de 2000, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil ocupa 6 mil m² no Centreventos Cau Hansen, no coração da cidade. A instituição ensina a metodologia Vaganova, a mesma aplicada em Moscou desde 1776, e concede bolsa integral a todos os alunos. Em 25 anos, formou quase 480 bailarinos, vários deles contratados por companhias na Rússia, na Inglaterra e nos Estados Unidos.
A escola recebe visitantes de segunda a sábado, em horários agendados. Ao lado dela, o Festival de Dança de Joinville acontece todo mês de julho por cerca de treze dias. Reconhecido pelo Guinness World Records desde 2005 como o maior do mundo em número de participantes, o evento reúne mais de 7 mil bailarinos e atrai público superior a 200 mil pessoas. Palcos abertos espalham apresentações gratuitas por praças, shoppings e até pela vizinha São Francisco do Sul.
Entenda a força da maior cidade de Santa Catarina, um gigante econômico e cultural. O vídeo é do canal Coisas do Mundo, com mais de 160 mil inscritos, e apresenta Joinville como a capital nacional da dança, destacando seu polo industrial, segurança e excelente qualidade de vida.
Qualidade de vida na maior cidade catarinense
Com 664 mil habitantes estimados em 2025, a Capital da Dança mantém números que impressionam para uma cidade desse porte. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IBGE) é de 0,809, a escolarização entre 6 e 14 anos alcança 98,68% e o PIB per capita passa de R$ 80 mil. A rede municipal de ensino lidera o IDEB entre cidades com mais de 500 mil habitantes, com nota 7,0.
Joinville abriga campus da UFSC voltado a engenharias de mobilidade, o Centro de Ciências Tecnológicas da UDESC, o IFSC e a universidade comunitária Univille. Para quem busca bairros residenciais, América e Atiradores se destacam por ruas arborizadas e proximidade com o centro, enquanto Saguaçu oferece vida mais tranquila com acesso rápido ao Mirante do Morro da Boa Vista.

O que visitar além dos palcos na Cidade da Dança?
A herança dos colonizadores se revela a pé pelo centro. Da Rua das Palmeiras aos museus, a cidade guarda atrações para um fim de semana inteiro.
Quais sabores experimentar na cidade das flores?
A cena gastronômica joinvilense reflete a mistura de culturas que formou a cidade. Na Estrada Bonita e no centro, os sabores vão do colonial alemão ao contemporâneo.
- Marreco recheado: prato símbolo da imigração germânica, servido com repolho roxo e purê nos restaurantes da zona rural.
- Café colonial: mesas fartas com cucas, pães caseiros, geleias, queijo colonial e muss de melado nos recantos da Estrada Bonita.
- Frutos do mar da Babitonga: a proximidade com a baía garante peixe fresco e ostras nos restaurantes do bairro Espinheiros.
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Quando o clima favorece a visita à capital catarinense da dança?
Joinville carrega o apelido carinhoso de Chuville por um motivo: chove o ano inteiro. O clima subtropical úmido pede guarda-chuva em qualquer estação, mas cada período tem seu charme.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Como chegar à Capital Nacional da Dança?
Joinville fica às margens da BR-101, com acesso direto de carro tanto pelo norte (vindo de Curitiba, a 130 km pela BR-376/BR-101) quanto pelo sul (Florianópolis fica a 180 km). O aeroporto local opera voos regionais, mas Navegantes (80 km) e Curitiba oferecem mais opções de conexão. A rodoviária Harold Nielson recebe linhas diretas de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre.
Uma cidade que dança e acolhe quem fica
Joinville consegue algo raro: ser o maior parque industrial de Santa Catarina sem perder o ritmo de uma cidade que respira cultura. Entre palmeiras imperiais, sotaque germânico e sapatilhas de balé, a Capital da Dança combina oportunidade e identidade como poucas cidades brasileiras.
Você precisa cruzar a BR-101, subir ao mirante e sentir por que Joinville dança desde 1983 sem perder o compasso.










