A brisa constante que desce a serra já explica o apelido. Botucatu, no interior de São Paulo, carrega no próprio nome a promessa de qualidade de vida: Ibytu-katu, em tupi, quer dizer “vento bom”. A 235 km da capital, a cidade entrega ar limpo, saúde de referência e um custo de moradia que surpreende.
Uma história que começa por um caminho inca
Antes mesmo da chegada dos portugueses, a região já era ponto de passagem no lendário Caminho do Peabiru, rota indígena que conectava o litoral atlântico ao Peru. O povoamento europeu começou em 1766, e a vila foi emancipada em 1855. No fim do século XIX, Botucatu vivia o auge do café e era chamada de Princesa da Serra, servindo como entroncamento ferroviário para o interior paulista.
Essa herança aparece na Catedral Metropolitana de Sant’Ana, erguida no ponto mais alto do centro, e na Fazenda Lageado, onde o Museu do Café preserva a memória do ciclo que moldou a economia regional. A Arquidiocese de Botucatu, criada em 1958, ainda reúne sete dioceses do interior, sinal do peso que a cidade carrega na história do estado.

De onde vem a fama de cidade segura e acolhedora?
Botucatu apareceu como a segunda cidade mais segura do país em levantamento de 2024 baseado em dados do IBGE e do Ministério da Saúde. O trânsito flui sem congestionamentos, cruzar a cidade leva poucos minutos e resolver tarefas do dia a dia não consome horas. Bairros como Centro, Jardim Paraíso e Rubião Júnior oferecem ruas arborizadas e casas com espaço que a capital não comporta.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o IDH do município gira em torno de 0,800. A taxa de alfabetização supera 90% e a expectativa de vida ultrapassa 70 anos. A Cidade dos Bons Ares também é referência em longevidade: aparece entre as melhores do Brasil para a população idosa no Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade. Os dados do Censo 2022 apontam 145.155 habitantes, com 95,8% dos domicílios atendidos por esgotamento sanitário adequado.
Conheça o encanto da “Cidade dos Bons Ares”, um polo de excelência acadêmica e qualidade de vida no interior paulista. O vídeo é do canal Cidades & Cia, que conta com mais de 30 mil inscritos, e apresenta Botucatu, destacando o Parque Municipal Joaquim Amaral e o Museu de Arte Contemporânea:
O que a UNESP e o Hospital das Clínicas significam para quem mora aqui?
A presença da Universidade Estadual Paulista (UNESP) transforma o cotidiano de Botucatu. O campus se divide entre o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina e a Fazenda Lageado, ligados por ciclofaixa. São cursos de medicina, veterinária, agronomia e biociências que atraem estudantes de todo o país.
O Hospital das Clínicas (HCFMB) é a maior instituição pública de saúde vinculada ao SUS na região. O morador tem acesso a tratamentos de alta complexidade sem precisar viajar até São Paulo. Esse ecossistema acadêmico e hospitalar puxa a economia, gera empregos qualificados e mantém o nível de serviços acima da média do interior.

Quanto custa viver na Cidade dos Bons Ares?
Um estudo comparativo da própria UNESP mostrou que o aluguel de um quarto em Botucatu pode sair por cerca de R$ 500, enquanto o mesmo tipo de moradia em bairros acessíveis da capital paulista custa em média R$ 960. Combustível, serviços e transporte por aplicativo também pesam menos no orçamento.
Quem trabalha parcialmente na capital consegue equilibrar rotina e deslocamento: a viagem de carro leva cerca de três horas pela Rodovia Castelo Branco (SP-280) ou pela Marechal Rondon (SP-300). Empresas como Embraer, Duratex e Caio Induscar mantêm unidades na cidade, ampliando a oferta de vagas sem exigir migração para a metrópole.
O lazer do morador vai muito além do centro urbano
Botucatu fica no topo da Cuesta, formação geológica de arenito e basalto moldada ao longo de milhões de anos. O município abriga mais de 70 cachoeiras e mirantes que ficam a menos de 20 minutos do centro. O Gigante Adormecido, conjunto de morros que lembra a silhueta de um homem deitado, é o cartão-postal da região.
- Parque da Cachoeira da Marta: queda de 38 metros com trilhas estruturadas, centro de visitantes e mirantes acessíveis.
- Ecoparque Pedra do Índio: deck panorâmico com vista para as Três Pedras, café colonial e rapel no mirante.
- Museu do Café: instalado na Fazenda Lageado, preserva a memória cafeeira do estado em um casarão histórico do campus da UNESP.
- Tirolesa do Gigante: 800 metros de cabo em três lances, com panorama completo da Cuesta.
A região também atrai praticantes de parapente, mountain bike e trekking. Nos fins de semana, moradores frequentam os bares rurais da serra, como o Deck 976, com petiscos e vista para o Gigante ao pôr do sol.

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Como é o clima ao longo do ano na serra paulista?
A altitude média de 800 metros garante noites frescas mesmo no verão. No inverno, a temperatura pode se aproximar de zero nos dias mais frios.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Venha sentir o vento bom da Cuesta
Botucatu combina o que muita gente procura e poucas cidades entregam ao mesmo tempo: hospital universitário de referência, custo de vida acessível, natureza a minutos de casa e um ritmo que respeita quem escolheu desacelerar sem abrir mão de estrutura.
Você precisa subir a serra, respirar o ar da Cuesta e entender por que quem chega a Botucatu costuma ficar.










