Eleita pelo jornal britânico The Guardian como a praia de água doce mais bonita do planeta, Alter do Chão é um distrito de Santarém, no oeste do Pará, onde o Rio Tapajós assume tons de azul-turquesa e bancos de areia branca surgem e desaparecem conforme a estação. A vila é conhecida como o “Caribe Amazônico” de quase 400 anos guarda uma festa tricentenária, floresta alagada navegável e uma gastronomia que só existe na Amazônia.
Quatro séculos entre a aldeia Borari e o Caribe Amazônico?
O português Pedro Teixeira fundou a localidade em 6 de março de 1626, sobre a aldeia do povo Borari. Em 1758, o governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado elevou o povoado à categoria de vila, batizando-o com o nome de uma vila portuguesa. Os Borari foram catequizados, mas nunca desapareceram. Hoje, boa parte dos moradores descende desse povo, e o Festival Borari celebra a identidade indígena que sobreviveu aos séculos.
Em abril de 2022, o governo do Pará declarou Alter do Chão patrimônio cultural de natureza material e imaterial do estado. A vila está entre os dez destinos turísticos mais procurados do Brasil.

O que visitar no Caribe Amazônico?
A paisagem muda a cada semestre. Na seca (agosto a dezembro), praias de areia branca aparecem por toda parte. Na cheia (janeiro a julho), a floresta alaga e o passeio de canoa substitui o banho de rio. As duas versões valem a viagem.
- Ilha do Amor: banco de areia em frente à vila, acessível por catraias (pequenos barcos a remo) em menos de cinco minutos. Barracas servem peixe fresco e o pôr do sol é o cartão-postal da região.
- Floresta Encantada: igarapé do Tapajós onde, na cheia, canoas deslizam entre árvores submersas em silêncio absoluto. O passeio dura cerca de duas horas.
- Ponta do Cururu: faixa de areia que avança quase 2 km rio adentro, ideal para ver botos e assistir ao entardecer mais aberto da vila.
- Floresta Nacional do Tapajós: unidade de conservação com mais de 527 mil hectares, administrada pelo ICMBio. Trilhas levam a sumaúmas gigantes e a comunidades ribeirinhas que recebem visitantes com artesanato e refeições típicas.
- Encontro das Águas: o Tapajós (azul-esverdeado) e o Amazonas (barrento) correm lado a lado sem se misturar, num fenômeno visível de barco a partir de Santarém.
Pise na areia branca da “Vila Mais Charmosa do Brasil” e mergulhe nas águas cristalinas do Rio Tapajós. O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com mais de 70 mil inscritos, e apresenta um guia completo por Alter do Chão, destacando a Ilha do Amor, a Floresta Encantada e o inesquecível Festival do Sairé:
O Sairé: a festa mais antiga da Amazônia só sobrevive aqui
Com mais de 300 anos de história, a Festa do Sairé é a mais antiga celebração popular ainda viva na região Norte. Realizada na segunda semana de setembro, mistura procissões católicas com rituais de origem Borari ao longo de cinco dias. O símbolo da festa carrega três cruzes alusivas à Santíssima Trindade, mas o nome vem do nheengatu e significa “Salve!”.
Desde 1997, o evento inclui o Duelo dos Botos, disputa entre as agremiações Boto Cor de Rosa e Boto Tucuxi, com alegorias, danças e fantasias que lembram o formato dos bois de Parintins. Em 2024, a Lei Federal 14.997 reconheceu o Sairé como manifestação da cultura nacional. Setembro é também o mês com menor volume de chuvas, e a vila lota: reserve hospedagem com antecedência.
Que sabores da Amazônia provar em Alter do Chão?
A culinária paraense ganha frescor extra na vila, onde o peixe sai do rio direto para a grelha. Os ingredientes da floresta dominam cada prato.
- Tacacá: servido quente na cuia com tucupi, goma de mandioca, jambu (que adormece a língua) e camarão seco. Tradição indígena de fim de tarde.
- Tucunaré na manteiga: peixe amazônico grelhado com acompanhamento de arroz de jambu e farofa de piracuí (feita de peixe seco).
- Pirarucu fresco: o maior peixe de escamas de água doce do mundo, preparado na brasa ou em postas com molho de tucupi.
- Sorvetes e sucos regionais: taperebá, cupuaçu e bacuri refrescam o calor constante da vila.
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Quando ir e como o rio decide a paisagem?
Alter do Chão tem duas estações bem marcadas. O “verão amazônico” (seca) revela praias e é a alta temporada. O “inverno” (cheia) esconde a areia, mas abre a floresta alagada para navegação.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo (Santarém, cidade-base). Condições podem variar.
Como chegar à vila às margens do Tapajós?
O aeroporto de Santarém (STM) recebe voos diretos de Belém, Manaus e Brasília operados por Gol, Latam e Azul. De Santarém, a vila fica a 37 km pela rodovia PA-457 (Everaldo Martins), toda pavimentada, em cerca de 40 minutos de carro. Para quem busca aventura, barcos regionais partem de Belém e Manaus, com travessias que levam de um a dois dias pelo Rio Amazonas.
O lugar onde o rio vira mar
Alter do Chão é um daqueles destinos que mudam quem os visita. Praias que somem e reaparecem, uma festa tricentenária que só existe ali e o silêncio de uma floresta navegável formam uma experiência sem paralelo no Brasil.
Você precisa ver o Tapajós mudar de cor com a luz da tarde e entender por que essa vila amazônica conquistou o mundo sem precisar de mar.










