Todo entardecer, milhares de pássaros de plumagem escarlate cruzam o céu sobre os igarapés de Parnaíba para dormir numa ilha segura. A cena, chamada de revoada dos guarás, é só a abertura de um destino que guarda o terceiro maior delta do planeta, um centro histórico tombado com 830 imóveis e a porta de entrada da Rota das Emoções, no litoral do Piauí.
Um porto de charque que virou patrimônio nacional
A história de Parnaíba começa no século XVIII às margens do rio Igaraçu. O comerciante português Domingos Dias da Silva trouxe fortuna em ouro e prata, instalou charqueadas e transformou o Porto das Barcas no principal entreposto comercial do norte piauiense. Em 1844, o povoado foi elevado a cidade.
O conjunto histórico e paisagístico foi tombado pelo Iphan em 2011. São cerca de 830 imóveis divididos em cinco setores: Porto das Barcas, Praça da Graça, Praça Santo Antônio, Estação Ferroviária e Avenida Getúlio Vargas. Casarões com azulejos portugueses, chalés de inspiração inglesa e as únicas igrejas setecentistas do Piauí compõem o cenário.

O que esperar do Delta do Parnaíba?
O Delta do Parnaíba é o único das Américas que deságua em mar aberto e o terceiro maior do mundo, atrás apenas do Nilo (Egito) e do Mekong (Vietnã). Sua configuração lembra uma mão aberta: cinco braços de rio se ramificam e envolvem mais de 73 ilhas, formando um labirinto de igarapés, dunas, lagoas de água doce e manguezais entre o Piauí e o Maranhão.
Os passeios partem do Porto dos Tatus, na Ilha Grande, a cerca de 12 km de Parnaíba. Embarcações grandes ou lanchas rápidas navegam pelos igarapés, com paradas para banho, almoço à base de peixe e caranguejo e, no fim da tarde, a revoada dos guarás. A cor vermelha intensa dos íbis-escarlates vem da alimentação rica em caranguejos, segundo o Ministério do Turismo.
A exuberância do Delta do Parnaíba e os segredos bem guardados do litoral piauiense em um roteiro fascinante. O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com mais de 70 mil inscritos, e apresenta a revoada dos guarás, as praias de Luís Correia e o cristalino Olho d’Água da Saúde:
Quais atrações visitar além do delta?
Parnaíba funciona como base para explorar todo o litoral piauiense. A cidade integra a Rota das Emoções, roteiro turístico que conecta o Delta aos Lençóis Maranhenses e a Jericoacoara (CE). Dentro do próprio município, as opções surpreendem.
- Praia da Pedra do Sal: única praia de Parnaíba, a 16 km do centro. Formações rochosas dividem o mar em dois: lado bravo para surf e kitesurf, lado manso para banho em família.
- Lagoa do Portinho: margeada por dunas brancas e palmeiras, oferece pedalinhos, passeios de barco e estrutura de bares à beira d’água.
- Lençóis Piauienses: dunas de areia branca com piscinas naturais no município vizinho de Ilha Grande. Acesso gratuito, passeios de quadriciclo ou bugue.
- Ilha do Caju: a 50 km de Parnaíba, reúne cinco ecossistemas diferentes numa só ilha, entre dunas, mangues e campos alagados.
- Porto das Barcas: ruínas dos antigos armazéns abrigam lojas de artesanato, restaurantes e agências de ecoturismo. Ponto de partida cultural da cidade.
- Museu do Trem: instalado na antiga estação ferroviária (inaugurada em 1920), guarda fotos, objetos e a locomotiva Maria Fumaça prefixo 29, a única do Piauí no inventário nacional de locomotivas a vapor.

Os sabores entre o rio e o mar
A mesa parnaibana mistura sertão e litoral. O caranguejo-uçá é servido fresco, na tradicional “corda” ou em casquinhas elaboradas. A torta de camarão é prato obrigatório nos restaurantes da Beira Rio, avenida que margeia o Igaraçu e concentra a vida noturna da cidade.
A cajuína, bebida não alcoólica feita do suco de caju clarificado, é Patrimônio Cultural Brasileiro e acompanha qualquer refeição no Piauí. Para quem prefere os sabores da terra, o arroz Maria Isabel (com carne de sol desfiada) e a paçoca de carne de sol completam a experiência.
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Quando visitar a Capital do Delta?
Parnaíba tem sol o ano inteiro e ventos constantes que aliviam o calor. A estação chuvosa vai de fevereiro a maio, e a seca, de junho a janeiro. A melhor época para turismo é entre junho e setembro, quando as lagoas estão cheias, o céu limpo e os ventos favorecem esportes náuticos.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à porta de entrada do delta?
O Aeroporto Internacional de Parnaíba recebe voos da Azul e da Latam, com rotas que variam por temporada. De Teresina, são 339 km pela BR-343, cerca de 4h de carro. Quem vem de Jericoacoara percorre 210 km por estrada asfaltada (3h). A Capital do Delta também é conectada por ônibus a São Luís e Fortaleza.
Um destino que o Brasil ainda está conhecendo
Parnaíba reúne delta, praia, dunas, patrimônio colonial e uma gastronomia que honra o encontro do rio com o mar. Poucos destinos brasileiros entregam tanta diversidade num raio tão curto, com o bônus de um espetáculo natural que se repete todas as tardes no céu.
Você precisa navegar pelos igarapés do delta, provar o caranguejo fresco e assistir ao céu ficar vermelho com a revoada dos guarás para entender por que Parnaíba é o segredo mais bem guardado do litoral nordestino.










