No meio do Vale do Itajaí, a 100 km de Florianópolis, uma cidade de colonização alemã guarda um templo assinado pelo arquiteto que ganhou o equivalente ao Nobel da arquitetura. Brusque é conhecida como a “Cidade dos Tecidos”, mas surpreende quem vai além das lojas.
De colônia alemã a berço da fiação catarinense
Tudo começou em 4 de agosto de 1860, quando 54 colonos alemães liderados pelo Barão austríaco Von Schneeburg subiram o Rio Itajaí-Mirim em canoas para fundar a Colônia Itajahy. Nos anos seguintes, levas de italianos, poloneses e franceses se juntaram aos alemães. O nome Brusque veio só em 1890, em homenagem a Francisco Carlos de Araújo Brusque, presidente da província de Santa Catarina na época da fundação.
Em 1866, a colônia já tinha o Clube de Caça e Tiro Araújo Brusque, o mais antigo do gênero no Brasil. A vocação industrial chegou em 1892, com a primeira fábrica têxtil do estado. Dali nasceu um dos maiores polos de produção de malhas e confecções do país, que segue ativo e aberto ao público.

Uma igreja que poucos brasileiros conhecem e que o mundo da arquitetura admira
No ponto mais alto do centro, acessada por uma longa escadaria, a Igreja Matriz São Luiz Gonzaga impressiona antes mesmo de se entrar. Toda construída com blocos irregulares de granito da região, a igreja foi projetada pelo arquiteto alemão Gottfried Böhm, vencedor do Prêmio Pritzker em 1986. Böhm é considerado um dos grandes nomes da arquitetura do século XX.
O templo foi inaugurado em 1962, após oito anos de obras. São 16 colunas sustentando uma abóbada de 26,40 metros, com vitrais coloridos que criam jogos de luz semelhantes aos das catedrais góticas medievais. Pesquisadores da ArchDaily consideram a obra uma das mais importantes do modernismo em Santa Catarina.
Polo têxtil e referência em moda, esta cidade catarinense une tradição germânica a uma economia robusta e diversificada. O vídeo é do canal Cidades do Interior, que conta com mais de 30 mil inscritos, e detalha Brusque, apresentando sua excelente infraestrutura, o Parque das Esculturas e a famosa Festa Nacional do Marreco:
Qual o número de habitantes e o nível de escolaridade atual?
O município conta com 141 mil habitantes e figura constantemente entre as cidades mais seguras e desenvolvidas de porte médio no país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o local aponta um IDH de 0,795.
Este índice reflete o compromisso com a educação pública e privada, que prepara os jovens para o mercado industrial altamente tecnológico da região. A presença de centros universitários e escolas técnicas de excelência garante que o desenvolvimento humano acompanhe o crescimento econômico da Região de Blumenau.
O que visitar além das lojas de tecidos?
Brusque tem atrações para quem busca história, fé e natureza. O centro se percorre a pé, e os demais pontos ficam a poucos quilômetros.
- Santuário Nossa Senhora de Azambuja: complexo religioso erguido a partir de uma capela de colonos italianos em 1876. O templo atual, em estilo românico com torres de 40 metros, foi concluído em 1956. Ao lado, o Museu Arquidiocesano Dom Joaquim abriga cerca de 4 mil peças e é o maior acervo de arte sacra do Sul do Brasil.
- Morro do Rosário: trilha em zigue-zague atrás do santuário, com esculturas em tamanho real representando os 15 Mistérios do Rosário. Do topo, vista panorâmica da cidade e do vale.
- Parque Zoobotânico de Brusque: próximo à Praça Sesquicentenário, ideal para famílias. Reúne fauna e flora regionais em área de mata nativa.
- Parque das Esculturas Ilse Teske: obras em mármore ao ar livre, próximo ao Pavilhão da Fenarreco. Caminhada leve entre arte e jardins.
- Colina Evangélica: com a igreja luterana no topo, forma um contraponto visual à colina da Igreja Matriz. As duas colinas, lado a lado no centro, refletem as duas tradições religiosas que fundaram a cidade.
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A festa do marreco que atrai mais de 100 mil pessoas
Criada em 1985 para celebrar a herança germânica da região, a Festa Nacional do Marreco (Fenarreco) acontece em outubro, durante 11 dias, no Pavilhão de Eventos Maria Celina Vidotto Imhof. A 38ª edição, em 2025, teve entrada gratuita e reuniu bandas germânicas, grupos folclóricos, cervejarias artesanais locais e o prato-chefe: marreco recheado com repolho roxo e especiarias.
A Secretaria de Turismo de Santa Catarina (Setur) destaca a Fenarreco como uma das principais festas de outubro do estado, ao lado da Oktoberfest de Blumenau, que fica a apenas 40 km.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima subtropical de Brusque tem chuvas bem distribuídas ao longo do ano. O verão é quente e o inverno ameno, com manhãs que podem trazer nevoeiro sobre o vale.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade dos tecidos no Vale do Itajaí?
Brusque fica a 100 km de Florianópolis pela BR-101 e BR-486, cerca de 1h30 de carro. De Blumenau, são apenas 40 km pela SC-108. O aeroporto mais próximo é o de Navegantes (NVT), a 60 km. O Aeroporto Hercílio Luz (FLN), em Florianópolis, é outra opção com mais voos nacionais. A cidade também fica a 44 km de Balneário Camboriú, o que facilita roteiros combinados pelo litoral e pelo vale.
Visite a cidade que esconde um Pritzker entre teares e tradições
Brusque é mais do que um destino de compras. A combinação de uma igreja monumental desenhada por um dos maiores arquitetos do mundo, a festa do marreco em outubro e o charme das duas colinas religiosas no centro fazem da cidade uma parada que merece mais do que uma tarde entre lojas.
Você precisa subir a escadaria da Matriz, olhar os vitrais de Böhm e entender por que esse pedaço do Vale do Itajaí guarda bem mais do que tecidos.










