Quem chega a Cuiabá logo entende por que os moradores chamam a cidade de Cuiabrasa. A capital do Mato Grosso, fundada em 8 de abril de 1719 às margens do Rio Coxipó, carrega no asfalto e nos costumes o calor extremo de quem vive no coração de um continente.
A cidade que o Marechal Rondon colocou no centro do mundo
Em 1909, o Marechal Cândido Rondon calculou, com técnicas astronômicas e geográficas, o ponto exato do Centro Geodésico da América do Sul. O resultado ficou em Cuiabá, confirmado oficialmente pelo Exército Brasileiro em 1975, segundo o Museu Virtual de Cuiabá. Um obelisco de mármore branco, com cerca de 20 metros de altura, marca o local na Praça Pascoal Moreira Cabral, no centro da cidade.
O símbolo vai além do turismo: o obelisco está estampado na bandeira municipal e no escudo do Cuiabá Esporte Clube. O lugar onde hoje fica o marco foi, durante séculos, o Campo d’Ourique, local usado para punições na época da escravidão e, depois, para touradas. Essa virada simbólica é parte do DNA da cidade.

Como surgiu a capital mais antiga do Centro-Oeste?
A história de Cuiabá começa com ouro e conflito. O bandeirante paulista Pascoal Moreira Cabral chegou à região em 1718, travou batalha com os índios coxiponés e, na retirada, encontrou ouro no rio. Em 8 de abril de 1719, assinou a ata de fundação do arraial às margens do Coxipó, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 1835, a cidade se tornou capital da província de Mato Grosso.
O nome vem do povo Bororo: Ikuiapá significa “lugar da flecha-arpão usada para pescar”. O gentílico oficial, segundo o IBGE, é “papa-peixe”, o que já diz bastante sobre a cultura local. Os restos mortais de Pascoal Moreira Cabral e do bandeirante Miguel Sutil estão enterrados na cripta da Catedral do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, onde os visitantes podem vê-los.
O que fazer em Cuiabá?
A capital mato-grossense tem pontos históricos, parques urbanos e funciona como base para três dos ecossistemas mais ricos do planeta. O roteiro combina cultura e natureza sem precisar ir longe.
- Centro Geodésico da América do Sul: obelisco de mármore na Praça Pascoal Moreira Cabral, no centro histórico, com o marco original de 1909 preservado em vidro no interior da estrutura.
- Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito: construída em 1730 no mesmo local onde surgiu o arraial original. É a única dedicada a dois santos e a festa de São Benedito que abriga dura um mês, a mais longa do estado.
- Sesc Arsenal: antigo arsenal da Guerra do Paraguai transformado em centro cultural, com teatro, cinema, gastronomia e biblioteca no bairro Porto.
- Parque Mãe Bonifácia: 77 hectares de Cerrado preservado no coração da cidade, com cinco trilhas, mirantes e fauna nativa como saguis e cutias. Homenageia uma escrava curandeira que controlava um quilombo na região.
- Parque das Águas: 270 mil m² com show de fontes iluminadas todas as noites às 20h e às 21h30, de entrada gratuita, além de ciclovia e pistas de caminhada.
- Chapada dos Guimarães: a 67 km de Cuiabá, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães tem a cachoeira Véu da Noiva, com 86 metros de queda, grutas de arenito e mirantes com vista sobre o planalto.
Cuiabá surpreende como o coração geodésico da América do Sul e um portal para as belezas naturais do Mato Grosso. O vídeo é do canal Estevam Pelo Mundo, que conta com mais de 2 milhões de inscritos, e detalha o centro histórico, a culinária regional no Sesc Arsenal e o icônico Parque Mãe Bonifácia:
A culinária de quem vive às margens de rios fartos
A cozinha cuiabana é moldada pelos rios. O Pantanal, o Cerrado e a Amazônia abastecem os mercados e as peixarias com uma variedade que poucos destinos brasileiros oferecem.
- Mojica de Pintado: ensopado com o pintado, peixe nobre dos rios mato-grossenses, e pedaços de mandioca. Uma das receitas mais tradicionais da cidade.
- Pacu assado na folha de bananeira: recheado com farofa de banana e couve, o pacu é assado envelopado na folha. A lenda local diz que quem come a cabeça do peixe nunca mais vai embora de Cuiabá.
- Maria Isabel: arroz com carne-seca desfiada, prato que teria surgido durante o isolamento da Guerra do Paraguai e foi eleito o favorito de 29% dos cuiabanos em pesquisa de 2019.
- Mercado do Porto: mais de 200 boxes com peixes frescos, pequi, frutas do Cerrado e pratos típicos no bairro Porto, aberto diariamente das 6h às 18h.
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Cuiabá fica entre três biomas: Cerrado, Pantanal e Amazônia
Poucas capitais do mundo estão no encontro de três ecossistemas tão distintos. Essa posição geográfica faz de Cuiabá o ponto de partida mais estratégico para quem quer explorar o Brasil Central. O Pantanal Mato-grossense, acessado pela Transpantaneira a partir de Poconé (a cerca de 100 km), é uma das maiores planícies alagáveis do planeta, com onças, jacarés, tuiuiús e capivaras visíveis em safáris e passeios de barco. A Chapada dos Guimarães, a 67 km, tem trilhas, grutas e a beleza dos paredões de arenito alaranjado. Para quem prefere a transparência das águas, Nobres, a 150 km, oferece flutuações em rios de visibilidade comparada à de Bonito.
Quando é a melhor época para visitar Cuiabá?
O clima tropical semiúmido da cidade tem duas estações bem definidas. O inverno seco, entre maio e setembro, é o período ideal para turismo: calor intenso, mas sem chuva. Em outubro de 2023, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 44,2°C, o maior já marcado na cidade desde o início das medições. O verão chuvoso refresca levemente as temperaturas, mas reduz o acesso a trilhas e estradas no Pantanal.
Temperaturas aproximadas com base na climatologia disponível no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Cuiabá?
O Aeroporto Internacional Marechal Rondon (CGB) fica a cerca de 7 km do centro e recebe voos diretos de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e outras capitais. De carro, a cidade está a 1.734 km de São Paulo pela BR-364 e a 1.135 km de Brasília pela BR-060 e BR-163.
Cuiabá vale muito mais do que a parada antes da Chapada
A capital mato-grossense carrega séculos de história no calçamento colonial do centro, no calor que já rendeu recordes nacionais e na mesa farta de peixes que os rios ainda oferecem. É uma cidade que surpreende quem chega esperando apenas um ponto de conexão para outros destinos.
Reserve ao menos um dia inteiro para Cuiabá, ande pelo centro histórico ao entardecer, coma um pacu assado na folha de bananeira e veja por que o obelisco do coração da América do Sul foi parar na bandeira desta cidade.









