Ruas largas, terra roxa nos canteiros e o som do tereré nas calçadas ao fim da tarde. Dourados, no sul de Mato Grosso do Sul, é a maior cidade do interior do estado e uma das que mais crescem no Centro-Oeste.
De colônia militar a segunda maior cidade do estado
A história do município começa em 1861, quando o tenente Antônio João Ribeiro comandava uma colônia militar às margens do rio que batizou a cidade. A região era território dos povos Guarani, Kaiowá e Terena, cujos descendentes mantêm presença marcante até hoje. O município foi criado oficialmente em 1935, desmembrado de Ponta Porã.
Nas décadas seguintes, levas de migrantes gaúchos, paulistas e paranaenses chegaram atraídos pela fertilidade do solo. Um dado surpreende: em 1960, Dourados era o município mais populoso de todo o antigo Mato Grosso, superando Campo Grande e Cuiabá. A criação de novos municípios reduziu os números, mas o crescimento nunca parou.

Por que tanta gente está se mudando para Dourados?
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população alcançou 243.367 habitantes no Censo 2022, um salto de 24% em doze anos. A taxa de crescimento anual de 1,84% é quase o dobro da média estadual. A estimativa para 2025 já aponta 264 mil moradores.
Os motivos são práticos. O custo de vida é menor que o de qualquer capital da região, os deslocamentos raramente passam de 15 minutos e o mercado de trabalho gira em torno do agronegócio, do comércio e dos serviços de saúde e educação. A cidade funciona como centro de referência para mais de 30 municípios vizinhos e parte do Paraguai, a cerca de 120 km.
Dourados se consolida como o principal polo de serviços e agronegócio do interior do Mato Grosso do Sul. O vídeo é do canal Cidades do Interior, que conta com mais de 71 mil inscritos, e apresenta o Parque Antenor Martins, a força das universidades e o desenvolvimento econômico da região:
O apelido de Cidade Universitária faz sentido?
Faz. Dourados abriga duas universidades públicas, a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), além da Unigran e do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS). A UFGD nasceu em 2005 do desmembramento de um campus da UFMS que funcionava na cidade desde 1971.
Essa concentração acadêmica atrai estudantes de todo o país, injeta jovialidade nos bairros e mantém bares, restaurantes e centros culturais sempre movimentados. O IDH de 0,747, terceiro maior do estado, reflete os bons indicadores de educação e renda. Hospitais como o Hospital da Vida e o Hospital Universitário da UFGD atendem pacientes de dezenas de cidades e até do lado paraguaio da fronteira.
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Onde o douradense passa o tempo livre?
Os parques são o coração da vida social. Ao fim da tarde, famílias se espalham pelos gramados com cuias de tereré e crianças nas quadras.
- Parque dos Ipês: principal área verde, com pista de caminhada, Teatro Municipal, biblioteca e quadras esportivas. Abriga feiras culturais às terças e sextas.
- Parque Antenor Martins (Parque do Lago): lago com campeonatos de pesca, quadras e amplo gramado na região oeste da cidade.
- Praça Antônio João: coração do centro, ao lado da Catedral Imaculada Conceição.
- Figueiras da Avenida Presidente Vargas: árvores centenárias tombadas como patrimônio histórico pelo Decreto Municipal nº 75/1985. Formam um túnel verde que virou símbolo da identidade urbana.

Quando o clima favorece cada tipo de programa?
O verão é quente e chuvoso, típico do Centro-Oeste. O inverno surpreende com noites frias e sensação térmica que pode se aproximar de zero em alguns dias de julho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao Portal do Mercosul?
Dourados fica a 220 km de Campo Grande pela BR-163, cerca de 3 horas de carro. Ônibus partem da rodoviária da capital com frequência diária. O Aeroporto Municipal Francisco de Matos Pereira opera voos regionais. Para quem vem de São Paulo, a distância é de aproximadamente 1.050 km pela BR-267.
Viva a cidade que cresce sem perder o ritmo de interior
Dourados combina a estrutura de uma cidade média com o ritmo de quem ainda toma tereré na calçada e conhece o vizinho pelo nome. A terra roxa que sustenta o agronegócio é a mesma que colore os pés depois de uma caminhada no parque.
Você precisa conhecer Dourados e sentir como é viver numa cidade que cresce rápido, mas ainda reserva tempo para uma roda de tereré ao entardecer.










