A 545 km de Recife, no meio do Oceano Atlântico, um conjunto de 21 ilhas vulcânicas guarda a praia mais premiada do planeta, golfinhos que aparecem todos os dias e uma história que começou antes mesmo das capitanias hereditárias. Fernando de Noronha é, ao mesmo tempo, santuário ecológico e destino de viagem inesquecível.
De presídio político a Patrimônio da Humanidade
O arquipélago foi descrito pela primeira vez por Américo Vespúcio em 1503. Um ano depois, o rei Dom Manuel I doou as ilhas a Fernão de Loronha, criando a primeira capitania hereditária do Brasil, antes mesmo da divisão oficial do território. Noronha, porém, nunca foi ocupada pelo donatário.
A partir de 1737, a ilha recebeu presos políticos, de ciganos a farroupilhas. Durante a Segunda Guerra Mundial, virou base militar com presença de tropas americanas. O naturalista Charles Darwin passou por ali em 1832, atraído pela biodiversidade. Só em 1988 o arquipélago voltou a Pernambuco como distrito estadual, e no mesmo ano nasceu o Parque Nacional Marinho. Em 2001, a UNESCO reconheceu Noronha como Patrimônio Natural da Humanidade.

Quais praias não podem ficar de fora do roteiro?
O Parque Nacional Marinho protege 70% do arquipélago e abriga as praias mais famosas. O acesso a elas exige o ingresso do ICMBio, válido por 10 dias.
- Baía do Sancho: eleita 7 vezes a melhor praia do mundo pelo Travellers’ Choice do TripAdvisor. O acesso se dá por uma escadaria cravada nas falésias ou por barco. Entre fevereiro e junho, cachoeiras temporárias descem das rochas direto no mar.
- Baía dos Golfinhos: centenas de golfinhos-rotadores se reúnem diariamente ao amanhecer, considerado o ponto de observação mais regular da espécie no planeta. A entrada na água é proibida; o mirante garante a vista.
- Praia do Leão: principal área de desova de tartarugas marinhas no arquipélago, entre dezembro e junho. Areia larga, poucas pessoas e mar aberto.
- Baía dos Porcos: pequena faixa de areia entre rochas com vista direta para o Morro Dois Irmãos, cartão-postal de Noronha.
- Praia de Atalaia: piscina natural com visita controlada por horário de maré. Grupos limitados mergulham em um aquário raso repleto de vida marinha.
Fernando de Noronha é um arquipélago paradisíaco conhecido por abrigar algumas das praias mais bonitas do mundo, como a Baía do Sancho. O vídeo do canal Viagens Cine, que conta com mais de 160 mil inscritos, mostra a infraestrutura do parque nacional, o acesso à praia por escadarias e o icónico Morro Dois Irmãos:
Mergulho e experiências no mar de Noronha
A visibilidade da água chega a 50 metros em alguns pontos, o que coloca o arquipélago entre os melhores destinos de mergulho do Atlântico Sul. O batismo de mergulho é oferecido para iniciantes, e mergulhadores credenciados exploram profundidades de até 60 metros.
A Caverna da Sapata impressiona pela boca submersa a 20 metros de profundidade. Na Praia do Porto de Santo Antônio, naufrágios transformaram-se em recifes artificiais que atraem tartarugas e tubarões-lixa. Passeios de barco pelo “mar de dentro” e a atividade de planasub, em que o visitante é puxado por um barco segurando uma prancha submersa, completam a experiência marítima.

O que comer no meio do Atlântico?
A gastronomia de Noronha se apoia em frutos do mar frescos e ingredientes que chegam do continente por avião. Os restaurantes acompanham o ritmo descontraído da ilha, com mesas ao ar livre e cardápios que mudam conforme a pesca do dia.
- Peixe grelhado com molho de maracujá: prato símbolo da ilha, servido em quase todos os restaurantes.
- Lagosta: preparada na manteiga, grelhada ou no coco, disponível conforme a temporada de pesca.
- Tubalhau: bolinho de tubarão, iguaria local que virou marca registrada noronhense.
- Sorvete de frutas tropicais: sabores como pitanga, cajá e graviola refrescam as tardes quentes.
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Quando ir para aproveitar cada experiência?
Fernando de Noronha tem clima tropical oceânico com duas estações bem marcadas: a seca e a chuvosa. A temperatura da água fica em torno de 26 °C o ano inteiro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao arquipélago pernambucano?
O acesso é exclusivamente aéreo. Voos diários partem de Recife (1h20 de voo) e Natal (cerca de 1h). Há também voos diretos de São Paulo (Guarulhos) em alguns dias da semana. As companhias Azul, Gol e Latam operam rotas para o Aeroporto Governador Carlos Wilson. Todo visitante paga a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), calculada por dia de permanência, diretamente no site oficial do arquipélago ou na chegada.
Um pedaço de oceano que vale cada esforço
Fernando de Noronha é daqueles lugares que justificam qualquer planejamento. A combinação de praias intocadas, vida marinha abundante e uma história de cinco séculos faz do arquipélago uma experiência que vai muito além do cartão-postal.
Reserve seus dias, pague suas taxas com antecedência e vá com calma: Noronha merece ser sentida no ritmo das marés, sem pressa de voltar.










