Paredões de até 720 m de profundidade, neblina que sobe do vale e araucárias no topo do planalto. Cambará do Sul, nos Campos de Cima da Serra do Rio Grande do Sul, é a porta de entrada para o maior conjunto de cânions da América do Sul: 36 falhas geológicas distribuídas em mais de 200 km entre os estados gaúcho e catarinense. A região integra o Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul, chancelado pela UNESCO.
Rochas de 130 milhões de anos cortadas como navalha
Os cânions nasceram de sucessivos derrames de lava basáltica que formaram o Planalto Meridional. Milhões de anos depois, a separação entre América do Sul e África rachou esse imenso bloco de rocha. Rios e chuvas fizeram o resto, esculpindo gargantas verticais que os tropeiros chamaram de “aparados”, porque pareciam cortados a faca.
O nome Itaimbezinho vem do tupi-guarani: ita (pedra) e aí’be (afiada). Quem olha os paredões retos entende imediatamente a escolha. A cidade fica a 1.031 m de altitude, e a borda dos cânions funciona como divisa natural entre o Rio Grande do Sul (em cima) e Santa Catarina (embaixo).

O que fazer nos parques nacionais de Cambará do Sul?
Dois parques administrados pelo ICMBio concentram as principais atrações. A concessionária Urbia Cânions Verdes cuida da visitação e cobra ingresso.
- Cânion Itaimbezinho (Parque Nacional de Aparados da Serra): 5.800 m de extensão e até 720 m de profundidade. A Trilha do Vértice (1,5 km, nível fácil) oferece vista das cachoeiras das Andorinhas e Véu de Noiva. A Trilha do Cotovelo (6 km) revela 75% dos paredões. Não abre às segundas.
- Cânion Fortaleza (Parque Nacional da Serra Geral): muralha verde de 7,5 km com até 900 m de profundidade. Do mirante, em dias limpos, avista-se o litoral de Torres. A Trilha da Pedra do Segredo (3 km) passa pela Cachoeira do Tigre Preto. Não abre às terças.
- Trilha do Rio do Boi: acesso pela base do Itaimbezinho, em Praia Grande (SC). São 8,3 km entre paredões de 700 m, com trechos dentro do rio. Guia obrigatório e agendamento prévio.
Cambará do Sul reserva segredos que vão muito além dos seus famosos cânions. O vídeo é do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 1,06 milhão de inscritos, e detalha experiências únicas como o tour astronômico, cachoeiras escondidas, a curiosa sequoia lunar e a rica cultura do mel e do tropeirismo na região:
Quais passeios fazer além dos cânions?
Cambará do Sul vai além dos parques nacionais. Os campos de altitude e as cachoeiras da região rendem pelo menos mais um dia de roteiro.
- Cachoeira dos Venâncios: quatro quedas em sequência com corredeiras que formam piscinas naturais, perfeitas para banho nos meses mais quentes.
- Voo de balão: decolagem ao amanhecer em Praia Grande (SC), com vista panorâmica dos cânions. Cerca de 1 hora de voo, coletivo ou exclusivo.
- Passeio 4×4 pelas fazendas: percurso por estradas rurais entre coxilhas, araucárias e propriedades que produzem queijo e mel artesanal.
- Tirolesa no Cânion Fortaleza: travessia sobre o vale com vista dos paredões.
O que comer na terra do pinhão e do carreteiro?
A gastronomia de Cambará do Sul reflete o frio da serra e a tradição tropeira. Restaurantes do centro e das pousadas rurais servem pratos que aquecem depois de um dia de trilha.
- Pinhão na chapa: fruto da araucária assado no fogão a lenha, servido como entrada ou petisco em quase todos os restaurantes da cidade.
- Carreteiro de charque: arroz com carne seca desfiada, herança dos tropeiros que cruzavam os campos de altitude.
- Truta grelhada: criada em águas frias da região, aparece nos cardápios do Lago Restaurante e de outros estabelecimentos locais.
- Fondue: opção clássica para noites geladas, encontrado em casas como o La Cave Vinhos e Fondue.

Quando visitar a Terra dos Cânions?
O inverno seco é a melhor época para ver os cânions sem neblina. No verão, a “viração” (cerração que sobe do vale) pode encobrir a paisagem à tarde, mas as cachoeiras ficam mais cheias para banho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme altitude e cerração.

Como chegar à borda dos cânions?
Cambará do Sul fica a 190 km de Porto Alegre pela RS-020, cerca de 3h de carro. Quem vem de Gramado percorre pouco mais de 1 hora pela estrada de Tainhas. De Santa Catarina, o acesso é pela BR-101 até Praia Grande (SC), de onde se sobe a Serra do Faxinal por 23 km de estrada de terra. O aeroporto mais próximo é o Salgado Filho, em Porto Alegre. Dentro da região, carro próprio ou transfer é indispensável, já que os parques ficam entre 18 e 23 km do centro por estradas de chão.
Um abismo que convida a voltar
Cambará do Sul reúne o que poucos destinos brasileiros conseguem oferecer: geologia de escala continental, Mata Atlântica preservada, gastronomia de serra e o silêncio dos campos de altitude. Tudo isso a menos de 3 horas da capital gaúcha.
Você precisa chegar à borda do Itaimbezinho, olhar para baixo e sentir a vertigem de 720 m de rocha cortada a prumo, para entender por que esse pedaço do Rio Grande do Sul impressiona tanto quanto qualquer grande cânion do mundo.










