Casarões coloniais às margens de um rio de águas escuras, perfume de barreado saindo das panelas de barro e um trem que desce a Serra do Mar por pontes, túneis e viadutos encravados na rocha. Morretes, no litoral do Paraná, foi fundada por jesuítas em 1733 e hoje reúne gastronomia, história e Mata Atlântica preservada a pouco mais de uma hora de Curitiba.
Uma vila de tropeiros entre a serra e o mar
O povoado nasceu como ponto de passagem obrigatório para tropeiros e viajantes que desciam o planalto rumo ao porto de Paranaguá. O nome vem dos três pequenos morros que cercam o centro e que os primeiros moradores usavam como referência geográfica. Em 1769, a capela de Nossa Senhora do Porto e Menino Deus foi abençoada às margens do Rio Nhundiaquara, e o comércio cresceu ao redor dela.
A Estrada da Graciosa, concluída em 1873, fez de Morretes o caminho principal entre Curitiba e o litoral. Dom Pedro II passou por ali em 1880. Ironicamente, a inauguração da ferrovia em 1885 desviou o fluxo de viajantes e mercadorias para longe da cidade. Hoje, o mesmo trem que encerrou a era tropeira é a atração que mais traz turistas de volta.

Como é o passeio de trem pela Serra do Mar?
A ferrovia Curitiba-Paranaguá, inaugurada em 1885, foi a primeira do Paraná. O trecho operado pela Serra Verde Express cobre cerca de 110 km por dentro da maior extensão contínua de Mata Atlântica do Brasil. São pontes com mais de 50 m de altura, túneis escavados na rocha e vistas do Pico do Marumbi que justificam a fama de um dos trajetos ferroviários mais bonitos do mundo.
O embarque acontece na Rodoferroviária de Curitiba e a viagem até Morretes dura entre 3 e 4 horas. Há vagões turísticos e categorias de luxo com serviço de bordo e guia. A maioria dos visitantes desce em Morretes, almoça barreado e retorna de van ou carro pela Estrada da Graciosa.
O passeio de trem entre Curitiba e Morretes é uma das jornadas ferroviárias mais belas do Brasil, atravessando a preservada Mata Atlântica. O vídeo é do canal Tesouros do Brasil, que conta com mais de 103 mil inscritos, e detalha toda a experiência a bordo, as categorias de vagões, o tradicional almoço com barreado e as famosas balas de banana de Antonina:
O que visitar no centro histórico e arredores?
O centro tombado pelo patrimônio estadual concentra as atrações em poucas quadras à beira do Nhundiaquara. Os arredores oferecem natureza para quem quer ir além do casario.
- Centro Histórico: casarões coloniais coloridos, ruas de paralelepípedo, lojinhas de artesanato, balas de banana e cachaças artesanais. Os restaurantes de barreado se alinham à margem do rio.
- Igreja Nossa Senhora do Porto: templo de 1769 com fachada barroca simples e sino que marca o ritmo da cidade desde o século XVIII.
- Estrada da Graciosa (PR-410): trajeto cênico de paralelepípedos originais que corta a mata preservada com curvas fechadas e mirantes. Considerada uma das estradas mais bonitas do Paraná.
- Pico do Marumbi (Parque Estadual): trilhas e escaladas em meio à Mata Atlântica, com picos que oferecem vista panorâmica da serra. Acesso pelo trem ou por trilha a partir de Morretes.
- Rio Nhundiaquara: banho no Poço do Belga, boia-cross nas corredeiras e passeios de caiaque em trechos mais calmos.

O que é o barreado e por que ele define Morretes?
O barreado é o prato típico oficial do Paraná. A receita chegou ao litoral paranaense com imigrantes açorianos no século XVIII. A carne bovina é temperada com especiarias e cozida lentamente por mais de 12 horas em panela de barro vedada (“barreada”) com grude de farinha e água. O resultado é uma carne que desmancha, servida com farinha de mandioca, banana e arroz.
Os restaurantes do centro histórico disputam a preferência dos turistas com variações sutis da receita secular. O ritual de misturar a farinha ao caldo no prato faz parte da experiência. Para acompanhar, a região oferece cachaça artesanal de alambique e as tradicionais balas de banana, produzidas com receitas passadas de geração em geração.
Morretes é uma cidade histórica paranaense que parece uma verdadeira pintura, encantando por seus casarões preservados e o sereno Rio Nhundiaquara. O vídeo é do canal Paz, Amor e Viagem, que conta com mais de 304 mil inscritos, e apresenta os principais pontos turísticos, a famosa bala de banana e o tradicional barreado, prato típico da região:
Qual a melhor época para descer a serra?
Morretes tem clima subtropical úmido. O verão é quente e chuvoso, ideal para banhos no rio. O inverno mais seco favorece trilhas e o passeio de trem com céu aberto.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme altitude.

Como chegar à cidade entre a serra e o mar?
Morretes fica a 70 km de Curitiba. De carro, o acesso mais rápido é pela BR-277 (cerca de 1 hora). A Estrada da Graciosa (PR-410) é a opção cênica, com 1h30 de curvas pela mata. O trem da Serra Verde Express parte diariamente da Rodoferroviária de Curitiba. O aeroporto mais próximo é o Afonso Pena (CWB), em São José dos Pinhais, a 61 km.
Desça a serra e prove o prato que define o Paraná
Morretes concentra em poucas quadras o que o litoral paranaense tem de melhor: história colonial preservada, gastronomia com identidade própria e uma natureza que se impõe em cada curva da serra. O trem, a estrada e o barreado formam um trio que transforma qualquer bate-volta em experiência memorável.
Você precisa descer a serra pelo trem ou pela Graciosa, sentar à beira do Nhundiaquara e provar o barreado desfiando na panela de barro para entender por que Morretes é parada obrigatória de quem visita o Paraná.









