A 350 km da costa de Pernambuco, um arquipélago de origem vulcânica guarda o mar mais transparente do Brasil. Fernando de Noronha foi o primeiro Patrimônio Natural da Humanidade no país, reconhecido pela UNESCO em 2001, e segue como referência mundial em mergulho, preservação, turismo controlado e a melhor praia.
Mais de 500 anos de história entre fortes e presídios
O arquipélago entrou nos registros em 1503, descrito pelo navegador Américo Vespúcio. Nos séculos seguintes, serviu como ponto de defesa militar, com dez fortificações erguidas entre os séculos XVII e XVIII. A mais imponente, a Fortaleza de Nossa Senhora dos Remédios (1737), ainda marca a paisagem da Vila dos Remédios.
A ilha também funcionou como presídio comum por décadas. Os próprios presos ergueram o patrimônio edificado e o sistema viário que liga vilas e fortes. Em 1890, todos os capoeiristas do Brasil foram desterrados para Noronha, considerados “desordeiros”. O naturalista Charles Darwin passou pelo arquipélago em 1832, durante a viagem que resultaria na Teoria da Evolução. Em 1988, a maior parte da área foi transformada em Parque Nacional Marinho, e em 2017 o IPHAN tombou o conjunto histórico como Patrimônio Cultural do Brasil.

Quais praias merecem cada minuto na ilha?
As 21 ilhas somam apenas 17 km², mas concentram algumas das praias mais premiadas do planeta. O arquipélago se divide entre o “mar de dentro”, com águas calmas, e o “mar de fora”, voltado para ondas e correntes.
- Baía do Sancho: eleita a melhor praia do mundo pelo TripAdvisor, acessada por escadas íngreme cravadas na falésia. Paredões de pedra e visibilidade que passa dos 30 metros.
- Baía dos Porcos: piscinas naturais na maré baixa com vista frontal para o Morro Dois Irmãos, o cartão-postal do arquipélago.
- Praia do Leão: principal área de desova de tartarugas marinhas, monitorada por projetos de conservação.
- Praia da Cacimba do Padre: ondas fortes que atraem surfistas, com o Dois Irmãos ao fundo.
- Baía dos Golfinhos: abriga a maior concentração de golfinhos-rotadores do Atlântico Sul, com cerca de 3 mil exemplares. É proibido entrar na água, mas o mirante oferece observação privilegiada.
Fernando de Noronha abriga algumas das praias mais bonitas do mundo. O vídeo é do canal Viagens Cine, que conta com mais de 317 mil inscritos, e apresenta roteiros imperdíveis pela Baía do Sancho, Baía dos Porcos e o icônico Morro Dois Irmãos:
O que fazer além das praias em Noronha?
Mergulho, trilhas e história dividem o roteiro com o mar. A visibilidade subaquática pode chegar a 50 metros, e a temperatura da água dispensa roupa de neoprene.
- Mergulho na Caverna da Sapata: a cerca de 20 metros de profundidade, com possibilidade de avistar tubarões-lixa descansando no fundo.
- Naufrágio do Porto de Santo Antônio: recifes artificiais formados por embarcações submersas, com grande concentração de tartarugas e peixes.
- Ilhatur: passeio de buggy que percorre as principais praias ao longo de um dia inteiro, com parada para pôr do sol nas ruínas do Forte do Boldró.
- Passeio de barco pelo mar de dentro: saída do Porto de Santo Antônio até a Ponta da Sapata, com parada na Baía do Sancho para mergulho livre.
- Trilha da Costa dos Mirantes: percurso terrestre com vistas panorâmicas de falésias, praias e formações rochosas.

Que sabores o mar coloca na mesa noronhense?
A gastronomia de Noronha une a tradição pernambucana ao frescor dos pescados tirados do mar na mesma manhã. Quase tudo que não é pescado chega do continente, a 350 km de navio ou avião, o que explica os preços elevados.
- Peixe na folha de bananeira: prato onipresente na ilha, assado na brasa com temperos simples e servido com macaxeira.
- Bolinho de tubalhau: feito com carne de tubarão salgada e mandioca, especialidade do Museu dos Tubarões.
- Camarão ao molho de jerimum: crustáceo fresco com abóbora regional, presença constante nos cardápios autorais.
- Caipirinha de caju: a fruta local substitui o limão e entrega um sabor que combina com o pôr do sol visto do Bar do Meio.
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Quando o clima favorece cada tipo de experiência?
O arquipélago tem clima tropical oceânico, com duas estações bem definidas: seca (agosto a janeiro) e chuvosa (fevereiro a julho). A água é morna o ano inteiro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao arquipélago pernambucano?
Voos partem diariamente de Recife (1h10) e Natal (1h), operados por Azul e Gol. É obrigatório pagar a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), cobrada por dia de permanência, além do ingresso do Parque Nacional Marinho para acessar praias como Sancho e Atalaia. A locomoção na ilha é feita por buggy, táxi ou ônibus circular. Não há barracas na maioria das praias, por isso leve água e lanche na mochila.
Mergulhe ao menos uma vez nesse pedaço do Atlântico
Fernando de Noronha entrega o que nenhum filtro de foto consegue reproduzir: um mar que muda de cor a cada metro, golfinhos que giram no ar antes de mergulhar e um silêncio que só existe quando se está a 350 km do continente. Cada trilha, cada mergulho e cada pôr do sol nas ruínas de um forte colonial reforçam por que a UNESCO escolheu esse arquipélago como patrimônio de toda a humanidade.
Você precisa pisar nessa ilha pelo menos uma vez e sentir, com os próprios olhos debaixo d’água, por que Noronha é o pedaço do Brasil que o mar decidiu guardar só para quem faz por merecer.










