O cheiro de azeite de dendê sobe dos tabuleiros das baianas antes mesmo de se avistar o mar. Salvador, fundada em 1549 por Tomé de Sousa, foi a primeira capital do Brasil e carregou o título por 214 anos. Erguida sobre uma escarpa que divide a cidade em dois planos, a capital da Bahia reúne o maior acervo de arquitetura colonial da América Latina, praias de água morna o ano inteiro e uma gastronomia que o IPHAN reconheceu como patrimônio imaterial.
O Pelourinho é Patrimônio Mundial por quê?
O centro histórico de Salvador foi tombado pelo IPHAN em 1984 e declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO no ano seguinte. São mais de 800 casarões dos séculos XVII e XVIII, com fachadas coloridas, azulejos portugueses e largos de pedra que formam um dos conjuntos urbanos mais preservados do urbanismo ultramarino português.
A Igreja e Convento de São Francisco, com o interior inteiro revestido em talha dourada, é classificada como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. Às terças-feiras, o som do Olodum ecoa pelo Largo do Pelourinho e transforma as ladeiras em palco a céu aberto. Foi ali que Michael Jackson gravou o clipe de They Don’t Care About Us, em 1995, ao lado do bloco afro.

O que mais visitar na Cidade Alta e na Cidade Baixa?
Salvador se divide em dois níveis separados por uma falha geológica de quase 90 metros. O Elevador Lacerda, inaugurado em 1873 e considerado o primeiro elevador urbano do mundo, faz a ligação em 30 segundos e oferece vista panorâmica da Baía de Todos os Santos.
- Mercado Modelo: na Cidade Baixa, ao pé do Elevador, com artesanato, comida típica e apresentações de capoeira.
- Farol da Barra e Forte de Santo Antônio: fortaleza do século XVII que abriga o Museu Náutico. Ponto clássico para o pôr do sol.
- Praia do Porto da Barra: enseada de águas calmas e cristalinas no meio da cidade, eleita pelo jornal britânico The Guardian como uma das melhores praias do mundo.
- Basílica do Senhor do Bonfim: centro da fé baiana, famosa pelas fitinhas coloridas e pela Lavagem do Bonfim, que acontece toda segunda quinta-feira de janeiro.
- Solar do Unhão / MAM-BA: casarão do século XVII que abriga o Museu de Arte Moderna da Bahia, com jardim à beira da baía e pôr do sol concorrido.
As cores e a energia baiana transformam qualquer visita em uma experiência vibrante. O vídeo é do canal Vamos Fugir Blog, que conta com mais de 160 mil inscritos, e apresenta o Pelourinho, Elevador Lacerda e acarajé:
Dendê, leite de coco e patrimônio imaterial na mesa
A culinária soteropolitana nasceu do encontro entre heranças africana, indígena e portuguesa. O ofício das baianas de acarajé foi registrado pelo IPHAN em 2005 como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Vestidas com trajes brancos, turbantes e colares, essas mulheres mantêm uma tradição centenária herdada das africanas escravizadas.
- Acarajé: bolinho de feijão-fradinho frito em dendê, recheado com vatapá, caruru e camarão seco. Os tabuleiros do bairro Rio Vermelho são referência.
- Moqueca baiana: ensopado de peixe ou frutos do mar com dendê e leite de coco, servido borbulhante em panela de barro.
- Bobó de camarão: creme de mandioca com camarões frescos, leite de coco e temperos da região.
- Cocada: doce de coco vendido nos tabuleiros das baianas, com variações que vão da branca (mais úmida) à preta (caramelizada).
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Quando a energia de Salvador está no auge?
O clima tropical garante calor o ano inteiro, com temperatura estável entre 24 °C e 30 °C. As chuvas se concentram entre abril e julho, mas costumam ser rápidas. O período seco (setembro a março) coincide com as maiores festas populares.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme o ano.

Como chegar à capital da alegria?
O Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães (SSA) recebe voos diretos das principais capitais brasileiras e de destinos internacionais como Lisboa e Madri. Fica a 27 km do Pelourinho, com acesso por via litorânea ou metrô. Salvador também é conectada por rodovias federais como a BR-101 e a BR-324. O Terminal Marítimo oferece travessia de ferry-boat para a Ilha de Itaparica, encurtando o caminho para as praias do litoral sul.
A cidade que dança mesmo quando não é Carnaval
Salvador entrega o que poucas metrópoles brasileiras conseguem reunir: patrimônio colonial reconhecido mundialmente, praias urbanas de água morna, uma gastronomia que é patrimônio imaterial e uma cultura afro-brasileira que se manifesta em cada esquina, da roda de capoeira ao toque dos atabaques nos terreiros de candomblé. Em 2015, a UNESCO reconheceu a cidade como Cidade Criativa da Música, a primeira do Brasil na categoria.
Você precisa caminhar pelas ladeiras do Pelourinho ao entardecer, provar um acarajé feito na hora no Rio Vermelho e sentir o ritmo de uma cidade que dança mesmo quando não é Carnaval.










