Em 1843, as terras que dariam origem à maior cidade de Santa Catarina foram entregues como dote de casamento da princesa Francisca Carolina, irmã de Dom Pedro II, ao príncipe francês François Ferdinand de Joinville. O casal jamais pisou no local. Parte da área foi negociada com a Sociedade Colonizadora de Hamburgo, e em 9 de março de 1851 chegaram os primeiros imigrantes. Hoje, Joinville, também chamada de “Manchester Catarinense” tem cerca de 597 mil habitantes, IDH de 0,809 e o maior PIB de Santa Catarina.
Da Colônia Dona Francisca à Manchester Catarinense
Entre 1850 e 1888, a região recebeu cerca de 17 mil imigrantes, a maioria alemães, suíços e noruegueses. Vieram fugindo da crise econômica e das perseguições políticas que devastavam a Europa. Os primeiros anos foram difíceis: doenças tropicais, mata fechada e um clima diferente de tudo que conheciam.
A virada aconteceu com a chegada da ferrovia, da energia elétrica e do acúmulo de capital nas décadas seguintes. Entre 1950 e 1980, com o fim da Segunda Guerra e a interrupção das importações europeias, Joinville se transformou em um dos maiores centros industriais do Brasil, ganhando o apelido de Manchester Catarinense, conforme registros da Prefeitura de Joinville. Empresas como Tupy, Embraco, Tigre e Döhler nasceram ou se consolidaram aqui.

Por que tanta gente escolhe morar em Joinville?
O IDH de 0,809 coloca a cidade entre as mais desenvolvidas do país, segundo o IBGE. A economia se apoia na indústria metal-mecânica, tecnologia, autopeças e serviços. O Perini Business Park abriga 240 empresas de 13 países no mesmo complexo industrial. A taxa de desemprego é uma das mais baixas do Brasil.
O custo de vida é mais acessível que o de Florianópolis. Universidades como Univille, UDESC e IFSC formam mão de obra qualificada para o mercado local. Bairros residenciais como América e Atiradores combinam ruas arborizadas e proximidade com shoppings e hospitais. A cidade também carrega um dado curioso: vestígios arqueológicos indicam que a região foi habitada há cerca de 6 mil anos por caçadores-coletores que deixaram sambaquis na costa.
Joinville, no norte de Santa Catarina, é a maior cidade do estado e uma das potências econômicas mais diversificadas do Brasil. O vídeo é do canal Coisas do Mundo, com cerca de 800 mil inscritos, e destaca Joinville como um exemplo de crescimento sustentável e alta qualidade de vida:
O que conhecer na Cidade da Dança?
Joinville acumula títulos: Cidade das Flores, Cidade dos Príncipes e Cidade da Dança. A combinação de museus, parques e eventos culturais mantém o calendário ocupado o ano inteiro.
- Escola do Teatro Bolshoi no Brasil: única filial da companhia russa fora da Rússia. Recebe alunos de todo o país e oferece visitas guiadas aos bastidores da formação de bailarinos.
- Festival de Dança de Joinville: considerado o maior festival de dança do mundo, reúne milhares de bailarinos e espectadores todos os anos em julho.
- Museu Nacional de Imigração e Colonização: instalado em uma das construções mais antigas da cidade, preserva objetos e documentos dos primeiros imigrantes.
- Museu Arqueológico de Sambaqui: acervo com milhares de peças sobre os povos que habitavam a costa catarinense há milênios.
- Estrada Bonita: rota de turismo rural em Pirabeiraba que passa por propriedades coloniais com café colonial, produtos artesanais e paisagens serranas.

Café colonial e frutos do mar
A gastronomia de Joinville une a herança europeia aos ingredientes do litoral norte catarinense. As confeitarias do centro preservam receitas trazidas pelos primeiros colonos.
- Café colonial: fartura de pães, cucas, geleias, embutidos e bolos servidos nas propriedades da Estrada Bonita e nas confeitarias do centro.
- Cuca: bolo de origem alemã com cobertura crocante de farofa doce, presente no café da tarde dos joinvilenses.
- Frutos do mar: camarão, ostra e peixe fresco da Baía da Babitonga, servidos nos restaurantes do bairro Boa Vista e arredores.
- Cervejas artesanais: a tradição cervejeira germânica se renovou com dezenas de rótulos locais.
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Quando o clima favorece cada programa?
O clima subtropical úmido garante chuvas distribuídas ao longo do ano. A altitude média de apenas 4 metros deixa o verão mais quente que o interior serrano, mas a brisa marítima alivia.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à maior cidade de Santa Catarina?
Joinville fica a 180 km de Florianópolis pela BR-101 e a 130 km de Curitiba pela BR-376. O Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola, a 13 km do centro, recebe voos domésticos. O Aeroporto de Navegantes fica a 75 km. Ônibus conectam a cidade a capitais do Sul e Sudeste com frequência diária.
A cidade que nasceu de um dote e virou capital da dança
Joinville converteu terras de uma princesa que nunca as visitou em uma das cidades com melhor qualidade de vida do Brasil. A Manchester Catarinense fabrica autopeças e compressores, mas também forma bailarinos para o mundo na única escola do Bolshoi fora da Rússia.
Você precisa tomar um café colonial na Estrada Bonita, assistir a um ensaio no Bolshoi e caminhar pelas ruas arborizadas do centro para entender como uma colônia de imigrantes se tornou a maior cidade de Santa Catarina.










