O estrondo se ouve antes de qualquer imagem. Quando a névoa aparece entre as árvores, o visitante já está a poucos passos da Garganta do Diabo, a queda mais imponente das Cataratas do Iguaçu. Foz do Iguaçu, no extremo oeste do Paraná, abriga uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo, reúne mais de 80 nacionalidades e recebeu mais de 5,8 milhões de visitantes em seus atrativos ao longo de 2025.
Santos Dumont salvou as Cataratas de um dono particular
Em 1542, o espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca foi o primeiro europeu a contemplar as quedas e registrou que a água golpeava a terra com tamanha força que o estrondo era ouvido de longe. O nome vem do tupi-guarani: I-Guassu significa “água grande”. Por séculos, a área permaneceu intocada.
A virada aconteceu em 1916. Santos Dumont visitou a região e ficou indignado ao saber que o terreno das cataratas pertencia a um particular, o uruguaio Jesús Val. O pai da aviação pressionou o governador do Paraná, Afonso Camargo, e em três meses saiu o decreto estadual que declarou a área de utilidade pública. O Parque Nacional do Iguaçu foi criado oficialmente em 1939 por Getúlio Vargas e reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO em 1986.

O que visitar na Terra das Cataratas?
Foz do Iguaçu concentra atrações suficientes para ocupar uma semana inteira. A diversidade vai da natureza à engenharia, passando por templos e experiências culturais. As distâncias entre os atrativos são curtas: do centro ao Parque Nacional são 17 km.
- Cataratas do Iguaçu: 275 quedas ao longo de 2,7 km do Rio Iguaçu. A Garganta do Diabo tem 82 m de altura, 150 m de largura e 700 m de comprimento. A trilha das passarelas é autoguiada. Em 2025, o parque recebeu 2.020.359 visitantes, segundo o Governo do Paraná.
- Parque das Aves: 17 hectares com cerca de 1.400 aves de 150 espécies em viveiros de imersão. Araras, tucanos e flamingos a poucos metros do visitante.
- Itaipu Binacional: a usina entrou para o Guinness como a maior produtora acumulada de energia hidrelétrica do mundo. A vazão de duas turbinas equivale à vazão média das Cataratas inteiras. Tours panorâmicos e técnicos disponíveis.
- Marco das Três Fronteiras: mirante de 1903 sobre o encontro dos rios Iguaçu e Paraná, com vista simultânea do Brasil, da Argentina e do Paraguai.
- Macuco Safari: passeio de barco inflável que leva o visitante até a base das quedas, recebendo a “bênção molhada” dos Três Mosqueteiros.
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80 nacionalidades e uma mesa sem fronteiras
A tríplice fronteira moldou uma gastronomia que mistura churrasco gaúcho, culinária árabe, sabores paraguaios e influência asiática. Foz do Iguaçu tem uma das maiores comunidades árabes e libanesas do país.
- Mercado Público Barrageiro: inaugurado em novembro de 2024, homenageia os construtores de Itaipu e reúne culinária típica, artesanato e shows. Já recebeu cerca de 477 mil visitantes.
- Mesquita Omar Ibn Al-Khattab: a maior mesquita do Brasil e segunda da América Latina, aberta à visitação com mais de 44 mil turistas em 2025.
- Rafain Churrascaria Show: buffet com churrasco e pratos internacionais, acompanhado de espetáculos culturais latino-americanos durante o jantar.
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Quando as Cataratas estão mais impressionantes?
Foz do Iguaçu pode ser visitada o ano todo. No verão chuvoso, as quedas atingem volume máximo e o calor pede passeios de barco. No inverno seco, as águas ficam mais cristalinas e o clima favorece trilhas longas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à tríplice fronteira?
O Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu (IGU) fica a 15 km do centro e recebe voos diretos de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília. De carro, a cidade está a 640 km de Curitiba pela BR-277, em rodovia duplicada em grande parte do trajeto. De São Paulo, são cerca de 1.050 km. Foz faz fronteira terrestre com Puerto Iguazú (Argentina) e Ciudad del Este (Paraguai), acessíveis por pontes internacionais.
Sinta a névoa das Cataratas na pele
Foz do Iguaçu entrega natureza, engenharia, cultura e gastronomia com uma intensidade rara em tão poucos quilômetros. A cidade que Santos Dumont ajudou a proteger hoje recebe visitantes de mais de 200 países e segue batendo recordes de público.
Você precisa pisar nas passarelas sobre o cânion, sentir no peito o rugido da Garganta do Diabo e entender por que Eleanor Roosevelt olhou para aquelas quedas e lamentou pelo Niágara.










