Em 1737, quando o brigadeiro José da Silva Paes fincou um forte de madeira entre dunas e banhados, ninguém apostava que ali nasceria uma cidade. Quase três séculos depois, Rio Grande segue de pé, cercada por água, com porto movimentado, universidade federal e uma praia que não termina.
O forte que virou a primeira cidade gaúcha
A fundação de Rio Grande responde a uma disputa entre Portugal e Espanha pelo extremo sul da América do Sul. O canal entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico era o único acesso marítimo ao interior do território, e Silva Paes ergueu o Forte Jesus Maria José para garantir a posse portuguesa.
A vila cresceu rápido ao redor do porto, recebeu açorianos, alemães, italianos e poloneses. Em 1835, foi elevada a cidade. No fim do século XIX, fábricas têxteis e uma linha férrea até Pelotas e Bagé transformaram o município em centro industrial. A Fábrica Rheingantz, de origem alemã, ergueu escola, creche e vilas operárias que ainda podem ser vistas na entrada da cidade.

A NASA já lançou foguetes da praia rio-grandina?
Sim, e poucos brasileiros sabem. Em 12 de novembro de 1966, durante um eclipse total do Sol, a NASA coordenou o lançamento de 14 foguetes de sondagem na Praia do Cassino. Cientistas norte-americanos, japoneses e europeus montaram uma base temporária na areia para estudar a atmosfera. Rio Grande se tornou a primeira cidade brasileira usada pela agência espacial dos Estados Unidos para esse tipo de operação.
Como é morar entre a lagoa e o oceano?
Rio Grande ocupa uma faixa de terra entre a Lagoa dos Patos, a Lagoa Mirim e o Atlântico. O vento é companhia constante, e o frio úmido do inverno exige casacos pesados. A cidade tem cerca de 192 mil habitantes, campus da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e o primeiro curso de Oceanologia do país.
O ritmo é de cidade média. Ruas arborizadas no centro, comércio tradicional, feira de pescados e travessia de balsa até São José do Norte fazem parte da rotina. O Superporto, quarto em movimentação de cargas no Brasil, emprega milhares de pessoas e mantém a economia aquecida. Em 1937, ali foi inaugurada a Refinaria Ipiranga, a primeira do país a refinar petróleo.
Os encantos de Rio Grande, a cidade mais antiga do Rio Grande do Sul e a “noiva do mar”. O vídeo é do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 1 milhão de inscritos, e detalha o Porto de Rio Grande, a gigantesca Praia do Cassino e os históricos Moles da Barra:
O que visitar na Noiva do Mar e arredores?
A cidade e seu balneário oferecem atrações que misturam história, engenharia e natureza selvagem. Algumas ficam a poucos minutos do centro.
- Praia do Cassino: listada no Guinness Book em 1994 como a maior praia do mundo, com 254 km de faixa contínua de areia até o Chuí. Carros podem rodar pela areia dura até a beira do mar.
- Molhes da Barra: quebra-mares de pedra que avançam mais de 4 km oceano adentro. Visitantes percorrem o trajeto em vagonetas sobre trilhos, movidas pela força do vento.
- Navio Altair: cargueiro encalhado na areia desde 1976, a cerca de 12 km da avenida principal do Cassino. Virou ponto turístico e cenário de fotos no pôr do sol.
- Estação Ecológica do Taim: reserva de 32,8 mil hectares administrada pelo ICMBio, com banhados, dunas e mais de 250 espécies de aves.
- Museu Oceanográfico: ligado à FURG, abriga a maior coleção de moluscos da América Latina e conta a história marítima da região.
- Centro histórico e Porto Velho: casarões de arquitetura portuguesa, prédio da Alfândega e a Praça Tamandaré, onde está o monumento-túmulo de Bento Gonçalves.

Frutos do mar e uma bebida que só existe aqui
A herança açoriana define a mesa rio-grandina. A pesca na Lagoa dos Patos e no Atlântico garante ingredientes frescos o ano inteiro.
- Camarão e tainha: protagonistas dos cardápios locais, servidos grelhados, empanados ou em ensopados.
- Jerupiga: vinho alicorado feito artesanalmente na Ilha dos Marinheiros, tradição de origem portuguesa que sobrevive na zona rural do município.
- Siri mole: iguaria sazonal, colhida nos meses quentes, quando o crustáceo troca de carapaça.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O vento marca presença o ano inteiro. No verão, a sensação térmica é agradável, mas o inverno úmido pede roupas de frio reforçadas.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à cidade mais antiga do estado?
Rio Grande fica a cerca de 300 km de Porto Alegre pela BR-116 até Pelotas e depois pela BR-392, em torno de 4 horas de carro. Ônibus partem da rodoviária de Porto Alegre com frequência diária. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o de Pelotas, a 60 km.
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Uma cidade que nasceu do mar e ainda vive dele
Poucas cidades brasileiras reúnem tanta história, tanta água e tanta extensão de areia numa mesma paisagem. Rio Grande carrega quase três séculos de vida portuária, uma reserva ecológica reconhecida internacionalmente e o horizonte mais longo que uma praia pode oferecer.
Você precisa conhecer Rio Grande e caminhar por uma praia que parece não ter fim, sentir o vento do Cassino no rosto e entender por que essa cidade segue surpreendendo quem chega.










