Foi num domingo de Pentecostes de 1535 que os portugueses desembarcaram na prainha aos pés de um morro rochoso e batizaram a terra com o nome do Espírito Santo. Vila Velha, a cidade mais antiga do estado, guarda no alto de um penhasco de 154 metros o santuário que virou símbolo capixaba, enquanto lá embaixo se espalham 32 km de praias, trilhas com vista para a baía e a fábrica da Garoto.
O berço do Espírito Santo começou na Prainha
A colonização do Espírito Santo começou exatamente onde hoje fica o Sítio Histórico da Prainha, no centro de Vila Velha. O donatário Vasco Fernandes Coutinho desembarcou ali com sua tripulação e fundou o primeiro núcleo de povoamento. A vila foi capital da capitania até 1550, quando os colonizadores se mudaram para a ilha de Vitória em busca de proteção contra ataques indígenas. A vila original ficou “velha”, e o nome pegou.
Na Prainha, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída entre 1535 e 1551, é considerada a mais antiga do estado e a quarta mais antiga do Brasil. Tombada pelo IPHAN, ela divide o cenário com casarões coloniais, o Forte São Francisco Xavier de Piratininga e a Casa da Memória, que guarda acervo sobre a história do município, incluindo um vagão original do bonde inaugurado em 1912.

O Convento da Penha visto de todos os ângulos
O Convento de Nossa Senhora da Penha é o ponto turístico mais visitado do Espírito Santo. Construído a partir de 1558 por frei Pedro Palácios no topo de um penhasco coberto de Mata Atlântica, o santuário foi tombado pelo IPHAN em 1943. A lenda conta que o frei morava numa gruta aos pés do morro e que o quadro de Nossa Senhora dos Prazeres, trazido de Portugal, desapareceu três vezes e em todas foi encontrado no alto da penha.
A subida pode ser feita a pé pela íngreme Ladeira da Penitência (caminho dos pagadores de promessa), pela estrada pavimentada (cerca de 40 minutos) ou de micro-ônibus. Do alto, a vista abrange a Terceira Ponte (uma das mais altas do Brasil), a entrada da Baía de Vitória, as praias e as montanhas ao fundo. Missas são celebradas ao longo do dia. A Festa da Penha, em abril, é a maior romaria do estado.
O vídeo do canal De fora em Juiz de Fora, apresentado por Tati Marmon, oferece um guia completo sobre Vila Velha, no Espírito Santo. A cidade é a mais antiga do estado e um dos principais polos turísticos e comerciais da região.
Praias para todos os estilos ao longo de 32 km de litoral
Vila Velha tem orla para quem gosta de agito e para quem busca calmaria. As praias urbanas ficam próximas umas das outras e são conectadas por ciclovia.
- Praia da Costa: a mais famosa, com calçadão movimentado, quiosques, bares e infraestrutura completa. Mar com ondas, bom para surfe e caminhadas.
- Praia da Sereia: no final da Praia da Costa, sem ondas, ideal para caiaque, stand up paddle e mergulho. A Pedra da Sereia funciona como mirante natural.
- Praia de Itapoã e Itaparica: bairros em crescimento, com novos empreendimentos e boa infraestrutura de quiosques.
- Barra do Jucu: reduto das bandas de Congo, com mar mais rústico e clima de vila de pescadores.
- Ponta da Fruta: mais afastada, com trechos de restinga preservada e mar tranquilo.
Chocolate, moqueca e Congo: o que mais Vila Velha oferece
O Museu da Garoto permite conhecer a história da fábrica de chocolates que nasceu em Vila Velha e virou marca nacional. O tour inclui loja com chocolates frescos. Já a gastronomia capixaba tem na moqueca capixaba (sem azeite de dendê, ao contrário da baiana) e na torta capixaba seus pratos mais emblemáticos, servidos em restaurantes da orla e da Prainha.
O Congo é patrimônio cultural imaterial de Vila Velha. Trazida por escravizados no período colonial, a manifestação reúne dança, música e cortejo pelas ruas ao som de tambor, casaca e cuíca. As apresentações acontecem principalmente na Barra do Jucu, onde se concentram as bandas. O ritmo é parte viva do cotidiano, não atração montada para turista.

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Trilhas e mirantes com vista da baía de Vitória
Para quem gosta de atividade ao ar livre, Vila Velha oferece morros, parques e trilhas com vistas panorâmicas da baía e das pontes.
- Morro do Moreno: trilha de nível moderado com vista de 360 graus, abrangendo o Convento, a Terceira Ponte e as praias. Acesso gratuito, 24 horas. Há opções de rapel e parapente.
- Parque Natural Municipal Morro da Manteigueira: trilhas leves com vista da baía, no bairro da Glória.
- Parque Natural Municipal de Jacarenema: área de restinga e manguezal às margens do Rio Jucu.
- Museu Vale: instalado na antiga Estação Ferroviária Pedro Nolasco (1927), com acervo de 24 mil itens sobre a história da ferrovia Vitória-Minas. Entrada gratuita e locomotiva a vapor original.
Quando ir e como é o clima em Vila Velha?
O clima é tropical litorâneo, com calor o ano inteiro e chuvas concentradas no verão. O inverno seco e ameno é a melhor época para trilhas e visitas ao Convento sem o calor intenso.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Vila Velha no litoral capixaba
Vila Velha fica a 10 km de Vitória, conectada pela Terceira Ponte. O Aeroporto de Vitória (Eurico de Aguiar Salles) recebe voos de diversas capitais e fica a 15 minutos de carro da Praia da Costa. De carro, o acesso se faz pela ES-060 (Rodovia do Sol) para quem vem do sul ou pela BR-101 para quem vem do norte. Ônibus da Viação Águia Branca conectam Vila Velha ao Rio de Janeiro (520 km) e a Belo Horizonte (530 km).
Suba o penhasco e veja o Espírito Santo nascer de novo
Vila Velha é onde o estado começou, onde o Convento resiste há quase cinco séculos e onde o Congo ainda bate tambor nas ruas da Barra do Jucu. A cidade oferece história colonial, praia urbana de qualidade e chocolate de fábrica, tudo separado por poucos quilômetros.
Você precisa subir o morro da Penha pelo menos uma vez na vida, olhar a baía de Vitória do alto e entender por que o frei escolheu aquele penhasco para ficar.









