Duas torres de concreto emergem das águas do Rio Uruguai como um cartão-postal improvável. Elas são tudo o que restou da antiga Itá, apelidada de “Atlântida Brasileira” no oeste de Santa Catarina, submersa em 2000 para dar lugar a uma hidrelétrica.
O que aconteceu com a antiga cidade de Itá?
A velha Itá desapareceu sob a água em 2000, quando o reservatório da Usina Hidrelétrica Itá (UHE Itá) começou a encher. Cerca de 15 mil moradores precisaram deixar casas, ruas e histórias para trás.
O lago formado pelo represamento cobriu aproximadamente 103 km² e inundou terras de 11 municípios, sendo sete em Santa Catarina e quatro no Rio Grande do Sul. A nova Itá foi construída do zero e inaugurada em 1996, já planejada em terreno mais alto, ao lado do antigo núcleo que hoje dorme no fundo do rio.

As torres que viraram símbolo da coragem itaense
A Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, erguida em 1956, teve suas duas torres preservadas intencionalmente. Hoje elas se projetam sobre o lago como um monumento silencioso à memória de quem precisou recomeçar.
À noite, as torres ficam iluminadas e criam uma das imagens mais fotografadas do oeste catarinense. O acesso à pequena ilha ao redor acontece por passeios de barco que partem da Prainha, e escunas ao pôr do sol contornam o monumento antes de voltar para a margem.
Itá, no Oeste Catarinense, é uma cidade com uma história fascinante e única: ela foi inteiramente inundada para a construção de uma usina hidrelétrica e reconstruída em um local mais alto. O vídeo do canal “Fomos Viajar” explora as belezas e curiosidades dessa “cidade que renasceu”:
O que fazer em Itá além da igreja submersa?
A tragédia que afundou a velha cidade acabou despertando uma vocação turística inesperada. A perfuração de um poço artesiano revelou água termomineral, e o lago virou palco de esportes náuticos e aventura.
- Aqua Parque Itá Thermas: complexo com 12 piscinas de água termomineral, bar molhado e restaurante. Site oficial: itathermas.com.br.
- Belvedere Dona Roma: mirante com vista panorâmica do lago e da nova cidade, ideal no fim de tarde.
- Itá Eco Turismo: parque com tirolesa de 1.780 metros, considerada uma das maiores da América do Sul, além de arvorismo e skybike.
- Museu Casa Camarolli: casarão de 1945 realocado da velha cidade em 1997, guardião da memória imigrante italiana.
- Prainha de Itá: faixa de areia de 2 mil metros quadrados às margens do lago, com escunas que partem para o pôr do sol.
Leia também: Com 300 dias de sol por ano, a “Cidade do Sol” nasceu no dia 25 de dezembro e isso virou seu nome.
Um detalhe curioso sobre o nome da cidade
Itá significa “pedra” em tupi-guarani, e a cidade carrega o apelido de Capital do Paraíso. A pedra fundamental da nova cidade só foi lançada em 1981, décadas depois da emancipação de 1956, antecipando a mudança que viria com a usina.

Quando é a melhor época para visitar Itá?
O clima quente no verão favorece o parque aquático e os banhos no lago. O inverno é mais tranquilo, com temperaturas amenas e turismo de gastronomia.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar em Itá saindo de Chapecó?
Itá fica a cerca de 90 km de Chapecó, principal cidade da região, pelas rodovias SC-283 e SC-155, em pouco mais de 1h30 de carro. De Florianópolis, capital catarinense, são aproximadamente 500 km pela BR-282. Mais informações no Portal de Turismo de Itá.
Vá conhecer a cidade que renasceu sobre as águas
Poucos destinos brasileiros contam uma história tão forte em uma imagem só. As torres que resistem sobre o lago falam de perda, memória e recomeço, e explicam por que Itá emociona até quem chega só de passagem.
Você precisa ver de perto as torres da antiga igreja e entender como uma cidade inteira aprendeu a viver de novo sobre a água.










