Os paredões de arenito vermelho aparecem antes de o viajante chegar à cidade. Quem sobe a MT-251 rumo à Chapada dos Guimarães atravessa milhões de anos de história geológica em pouco mais de uma hora de estrada desde Cuiabá. A 811 metros de altitude, o planalto mato-grossense esconde fósseis marinhos sob os pés e alimenta o Pantanal com suas nascentes.
Por que geólogos dizem que esse planalto já foi mar e deserto?
As rochas que formam os paredões da Chapada registram mais de 500 milhões de anos. Fósseis de conchas marinhas e marcas de areia desértica se acumulam nas camadas de arenito, evidência de que o terreno passou por oceano, deserto e, por fim, cerrado. São 46 sítios arqueológicos catalogados dentro do Parque Nacional, com pinturas rupestres feitas milênios antes da chegada dos europeus.
O nome da cidade vem de Guimarães, berço da nacionalidade portuguesa. A ocupação colonial começou como missão jesuíta no século XVIII, e a Igreja de Sant’Ana do Sacramento, construída em 1779 com taipa de pilão, preserva o último exemplar do barroco mato-grossense. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), ela mantém azulejos que chegaram da Bahia em lombo de mula.

O que visitar dentro do Parque Nacional?
Criado em 1989, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães ocupa 33 mil hectares administrados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A entrada é gratuita e funciona todos os dias. Alguns atrativos são autoguiados, outros exigem condutor credenciado.
- Cachoeira Véu de Noiva: queda de 86 metros formada pelo rio Coxipó, cercada por paredões onde nidificam araras-vermelhas. Trilha autoguiada de 650 metros até o mirante.
- Cidade de Pedra: formações rochosas esculpidas pelo vento que lembram ruínas medievais, com cânions de até 350 metros. Exige guia e veículo 4×4.
- Circuito das Cachoeiras: percurso de 6 km por seis quedas d’água, com paradas para banho na Prainha e na Cachoeira das Andorinhas.
- Vale do Rio Claro: trilha de 4 km até a Crista do Galo, com flutuação de 30 minutos entre o Poço Encantado e o Poço Verde.
- Caverna Aroe Jari: uma das maiores grutas de arenito do Brasil, com cerca de 1.550 metros de extensão. A trilha leva à Lagoa Azul, onde um feixe de luz solar desenha uma ampulheta na água cristalina.
O vídeo do canal “Coisas do Mundo” apresenta Cuiabá, a capital de Mato Grosso, destacando-a como uma joia no coração da América do Sul. Com mais de 300 anos de história, a cidade é a mais antiga capital do Centro-Oeste brasileiro e serve como a principal porta de entrada para o Pantanal.
Existe mesmo um centro geodésico da América do Sul aqui?
O Mirante do Centro Geodésico fica a 8 km do centro da cidade, a 845 metros de altitude, com vista panorâmica da planície pantaneira e de Cuiabá ao fundo. O ponto equidistante entre os oceanos Atlântico e Pacífico atrai visitantes o dia inteiro, mas o entardecer nos meses secos é o momento mais disputado. O marco geodésico oficial fica em Cuiabá, mas o mirante da Chapada se consagrou como símbolo do centro do continente.
Essa localização alimentou a fama mística da cidade. No final dos anos 1970, comunidades alternativas se instalaram no planalto, atraídas pela ideia de que a região concentra forças eletromagnéticas. Até hoje, retiros espirituais e espaços de meditação fazem parte do roteiro de muitos viajantes.

Onde comer entre uma trilha e outra?
A culinária mistura sabores pantaneiros e do cerrado, servida em panelas de ferro nos restaurantes ao redor da Praça Dom Wunibaldo.
- Arroz Maria Isabel: arroz cozido com carne seca desfiada, prato símbolo da culinária mato-grossense.
- Pacu e pintado: peixes de rio grelhados ou fritos, presentes em quase todos os cardápios da região.
- Galinhada com pequi: arroz com frango caipira, açafrão e pequi, destaque no Festival de Inverno de julho.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A altitude deixa a Chapada mais amena que Cuiabá, especialmente à noite. O ano se divide em estação seca (maio a setembro) e chuvosa (outubro a abril). No período chuvoso, há risco de cabeças d’água em trilhas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao planalto de arenito vermelho?
A Chapada fica a 65 km de Cuiabá pela MT-251, em estrada asfaltada. O trajeto leva cerca de 1 hora. Ônibus partem da rodoviária de Cuiabá a cada hora. O aeroporto mais próximo é o Marechal Rondon, em Várzea Grande, com voos diretos de São Paulo, Brasília e outras capitais. Para circular entre as atrações, o ideal é estar de carro.
Mergulhe no cerrado mais antigo do Brasil
A Chapada dos Guimarães reúne, em um único planalto, fósseis de oceano, paredões de deserto, nascentes que alimentam o Pantanal e uma igreja barroca erguida com barro e mão de obra escravizada. Poucos destinos no Mato Grosso entregam tanta história geológica e tanta água cristalina ao mesmo tempo.
Você precisa subir os paredões vermelhos, flutuar no Vale do Rio Claro e assistir ao entardecer no mirante do centro do continente para entender por que esse pedaço de cerrado merece mais do que um fim de semana.









