Muitas pessoas evitam utilizar certas palavras por acreditarem que elas são “invenções” modernas ou que soam estranhas ao ouvido, preferindo formas que parecem mais tradicionais. No entanto, a gramática normativa e os dicionários oficiais da língua portuguesa frequentemente validam esses termos, que possuem raízes históricas profundas e regras de derivação bem estabelecidas. Compreender a legitimidade dessas palavras enriquece o vocabulário e evita julgamentos linguísticos precipitados.
Por que o termo “presidenta” é alvo de tantas dúvidas?
A palavra presidenta é frequentemente evitada ou criticada sob o argumento de que substantivos terminados em “-ente” seriam comuns de dois gêneros (como estudante ou cliente). No entanto, a língua portuguesa permite a flexão para o feminino em diversos cargos e títulos, como ocorre com governanta, parenta, infanta e mestra. A existência da forma feminina é uma questão de escolha estilística e ênfase, e não um erro gramatical.
O registro oficial desta palavra no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) data de 1899, o que prova que ela não é uma criação recente. Utilizá-la é gramaticalmente correto e aceito pela Academia Brasileira de Letras, permitindo que o falante escolha a forma que melhor se adapta ao contexto da mensagem. A resistência ao uso costuma ser mais cultural ou política do que propriamente linguística.

Qual é a lógica por trás da palavra maquilagem?
Muitas pessoas preferem o termo maquiagem e evitam a forma maquilagem, por considerá-la antiga ou incorreta. Na verdade, ambas as formas são variantes legítimas e aceitas no Brasil. O termo original vem do francês maquillage, e a adaptação para o português pode seguir tanto a fonética (maquiagem) quanto a grafia mais próxima da raiz (maquilagem), sem qualquer perda de sentido ou correção.
Existem outros casos de variantes que geram hesitação semelhante nos falantes:
- Catorze e Quatorze: Ambas estão corretas e podem ser usadas livremente.
- Infarto, Enfarto e Enfarte: Todas são formas aceitas para descrever o mesmo evento médico.
- Loiras e Louras: Duas grafias para o mesmo adjetivo, sem distinção de significado.
- Bilionário e Bilhardário: Embora a primeira seja mais comum, a segunda é válida.
Como o termo “entretiveram” confunde quem escreve?
Uma palavra que muita gente evita usar, não por dúvida estética, mas por medo de errar a conjugação, é entretiveram. Por soar “estranha” ou complexa, muitos acabam utilizando erroneamente a forma entreteram. A regra é simples: o verbo entreter deriva do verbo ter. Portanto, ele deve seguir a mesma conjugação de seu radical em todos os tempos e modos verbais.
Se dizemos “eles tiveram”, a forma correta obrigatoriamente será “eles entretiveram”, “eles mantiveram”, “eles detiveram” ou “eles contiveram”. Evitar o uso desses termos por insegurança gramatical pode levar a erros graves de concordância e tempo verbal. Praticar a associação com o verbo de origem ajuda a consolidar o conhecimento e garante uma escrita muito mais segura e elegante nos textos formais.
Por que a palavra “dó” deve ser usada no masculino?
Um erro muito comum e que muita gente evita corrigir é o gênero da palavra dó. É frequente ouvirmos expressões como “uma dó” ou “muita dó”, tratando o substantivo como feminino. No entanto, segundo a norma culta, o termo é masculino: o dó. Dizer “um dó” ou “muito dó” pode soar estranho para quem está habituado ao vício de linguagem, mas é a única forma correta de acordo com a gramática.
A confusão ocorre porque a terminação em “-o” nem sempre é clara para todos os falantes em termos de gênero em palavras que expressam sentimentos. Manter a concordância masculina demonstra um domínio refinado do idioma e atenção às normas básicas de substantivos. Pequenos detalhes como este fazem uma diferença significativa na percepção de autoridade e cuidado com a língua escrita e falada.

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Onde consultar a grafia oficial das palavras?
Para sanar dúvidas sobre termos que parecem incorretos ou que geram polêmica, a fonte mais segura é sempre o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Este sistema de busca da Academia Brasileira de Letras lista todas as palavras oficialmente reconhecidas, suas variações e formas de grafia aceitas. Consultar o VOLP garante que você utilize o idioma com precisão e confiança.
Além do VOLP, dicionários renomados oferecem contextos de uso e a etimologia que justifica certas grafias que podem parecer incomuns. Estar bem informado sobre as possibilidades da língua permite que você se expresse de maneira versátil e livre de preconceitos linguísticos. A língua é um organismo vivo, e conhecer todas as suas ferramentas é essencial para uma comunicação eficiente e moderna.










