Entre 1737 e 1972, Fernando de Noronha funcionou como presídio. Os mesmos muros de pedra que encarceraram condenados hoje dividem espaço com a Baía do Sancho, com paisagens encantadoras e águas cristalinas foi escolhida a melhor praia do planeta pelo Travellers’ Choice em 2023.
Do presídio ao Patrimônio da Humanidade
A ilha foi a primeira capitania hereditária do Brasil, doada em 1504 ao navegante Fernão de Noronha. Dois séculos depois, a posição estratégica no meio do Atlântico transformou o arquipélago em fortaleza militar e, logo em seguida, em colônia penal.
Foram os próprios presos que ergueram fortes, vilas e o sistema viário que ainda conecta as praias. A vegetação original foi derrubada para evitar esconderijos de fugitivos, o que alterou o clima local e deixou marcas visíveis até hoje, segundo o registro oficial da administração do distrito.
Em 13 de dezembro de 2001, a UNESCO tombou o arquipélago como Sítio do Patrimônio Mundial Natural, ao lado do Atol das Rocas. O reconhecimento consolidou a virada: de cárcere a santuário ecológico.

Por que Noronha virou santuário ecológico?
O arquipélago é o topo de uma cordilheira vulcânica com base a cerca de 4.000 m de profundidade, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Essa geografia rara cria águas férteis que abrigam tartarugas, golfinhos-rotadores, tubarões e a maior concentração de aves tropicais marinhas do Atlântico Sul.
O Parque Nacional Marinho ocupa 70% do território, sob gestão do ICMBio. Desde 2022, novos veículos a combustão estão proibidos na ilha, e o número de visitantes simultâneos é controlado.
O que visitar na ilha de 17 km quadrados?
O acesso às praias e trilhas exige ingresso do Parque Marinho, válido por dez dias. O roteiro básico se distribui entre o Mar de Dentro, mais calmo, e o Mar de Fora, com ondas fortes.
- Baía do Sancho: acessada por escada vertical entre fendas de pedra, foi eleita a melhor praia do mundo no Travellers’ Choice 2023.
- Praia do Leão: principal ponto de desova de tartarugas marinhas, com areia rosada e mirante de pedra.
- Forte Nossa Senhora dos Remédios: fortificação do século 18 construída por presos, com vista aberta para o Morro do Pico.
- Baía dos Porcos: piscinas naturais entre pedras vulcânicas, com vista direta para os Dois Irmãos.
- Mirante dos Golfinhos: ponto de observação onde grupos de golfinhos-rotadores entram na baía ao amanhecer.
O vídeo é do canal Wout of the World, que apresenta um guia visual em 4K de todas as praias da ilha, incluindo a Praia do Sancho, eleita diversas vezes como a melhor do mundo pelo TripAdvisor:
A gastronomia que mistura mar e sertão
A cozinha local une frutos do mar frescos a temperos pernambucanos. Quase tudo chega de barco de Recife, o que faz da pesca permitida fora do parque a principal fonte de ingredientes.
- Peixe na folha de bananeira: filé assado lentamente na folha, com temperos regionais. É o prato mais pedido da ilha.
- Bolinho de tubalhau: versão noronhense do bolinho de bacalhau, feita com o tubalhau, peixe típico do arquipélago.
- Moqueca de peixe ou camarão: com leite de coco e dendê, servida em panela de barro.
- Peixada noronhense: cozido de garoupa, badejo ou cherne em molho de tomate, cebola e coentro.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A ilha tem duas estações bem definidas, seca e chuvosa, e temperatura estável o ano inteiro. O mar muda de cara conforme o período.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao arquipélago?
Noronha fica a 545 km de Recife, único acesso por voos comerciais que partem também de Natal. A viagem dura cerca de 1h20 e todos os turistas pagam taxa de preservação ambiental por dia de permanência, além do ingresso do Parque Nacional Marinho.
O paraíso que nasceu de uma prisão
Noronha é um dos poucos lugares do mundo onde história dura, natureza intocada e águas transparentes dividem o mesmo quilômetro quadrado. O silêncio das fortificações contrasta com o barulho dos golfinhos ao amanhecer.
Você precisa conhecer Fernando de Noronha e sentir o peso de uma ilha que trocou as grades pelos corais sem apagar as próprias cicatrizes.










