No alto da Serra em Santa Catarina, a 915 metros de altitude, Urubici guarda o recorde de menor temperatura já medida em território brasileiro. Foram -17,8°C no Morro da Igreja, em junho de 1996, com sensação térmica próxima de -40°C.
O recorde de frio que transformou uma cidade
A medição foi feita no topo do Morro da Igreja, a 1.822 metros de altitude, o ponto habitado mais alto do sul do Brasil. O número virou cartão de visita e colocou Urubici no mapa nacional do turismo de inverno.
Anos depois, a cidade segue registrando temperaturas negativas com frequência. Em 2025, os termômetros marcaram -4,36°C na área urbana durante a passagem de uma massa polar. A neve aparece em praticamente todo inverno no alto da serra, fenômeno raro em um país tropical.

Vale a pena morar em Urubici?
Quem troca o litoral pela serra encontra um cotidiano sem pressa. Com pouco mais de 11 mil habitantes, Urubici mantém o ritmo de cidade pequena, onde as pessoas se cumprimentam na rua e o comércio fecha cedo. A economia combina turismo, produção de hortaliças, fruticultura e pecuária.
Segundo a Prefeitura de Urubici, o município é o principal produtor de hortaliças de Santa Catarina, com destaque para maçã, mel, queijos e embutidos. A herança de tropeiros, açorianos e italianos moldou a cultura, visível nas fazendas antigas, nos muros de pedra e nos pratos da mesa serrana.
Dourados se consolida como o principal polo econômico e educacional do interior sul-mato-grossense. O vídeo é do canal Cidades do Interior, que soma 51 mil inscritos, e apresenta a infraestrutura, o agronegócio e o lazer local:
O que fazer na capital das águas?
A cidade também é conhecida como Capital das Águas, pelos dezenas de rios que nascem no município e formam mais de 80 cachoeiras na região. O Parque Nacional de São Joaquim (PARNA São Joaquim), administrado pelo ICMBio, ocupa boa parte do território e protege araucárias, campos de altitude e cânions.
- Morro da Igreja e Pedra Furada: mirante do ponto habitado mais alto do sul do Brasil, com agendamento obrigatório pelo ICMBio.
- Serra do Corvo Branco: estrada esculpida entre paredões de rocha, com mirantes panorâmicos no alto.
- Cascata Véu de Noiva: queda d’água imponente no caminho para o Morro da Igreja, com restaurante e truta fresca.
- Cânion do Espraiado: formação de paredões que pode ser vista dos Altos do Corvo Branco.
- Inscrições rupestres: registros com cerca de 3.000 anos no entorno da cidade, raros no sul do país.
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Pinhão na mesa e vinho de altitude
A gastronomia serrana tem a araucária como símbolo. Nos meses frios, o pinhão aparece em quase todo cardápio da cidade, tradição que vem dos tropeiros e dos povos indígenas que ocupavam a região.
- Paçoca de pinhão: prato tropeiro feito com carne seca e farinha, comum em restaurantes locais.
- Entrevero: salteado de pinhão com linguiça, bacon e carnes, servido em panelas de ferro.
- Truta da serra: pescada em tanques da região, preparada grelhada ou com alcaparras.
- Queijos e embutidos artesanais: produção de colônias italianas e açorianas vizinhas.

Quando vai a Urubici neva mesmo?
O clima subtropical de altitude traz as quatro estações bem definidas. O inverno seco concentra as geadas e as chances de neve, especialmente entre julho e agosto.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. No topo do Morro da Igreja, os valores podem ser até 10°C mais baixos.
Como chegar à cidade mais fria do país?
Urubici fica a cerca de 170 km de Florianópolis, aeroporto mais próximo. O acesso principal é pela BR-282 até Alfredo Wagner e depois pela SC-370, serra acima. A viagem dura em torno de 3 horas de carro, com paradas em mirantes ao longo do caminho.
Urubici espera por você
A cidade onde os termômetros já marcaram quase 18 graus abaixo de zero oferece muito além do frio. Ela reúne o ponto habitado mais alto do sul do Brasil, cachoeiras em cada curva da estrada e uma cozinha que transformou o pinhão em símbolo cultural.
Você precisa conhecer Urubici no inverno e sentir o vento gelado do Morro da Igreja, entender por que a cidade mais fria do Brasil encanta quem sobe a serra e não quer mais descer.






