Às margens da Baía do Guajará, Belém recebe quem chega à Amazônia com cheiro de tucupi e fruta fresca. A cidade é Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO desde 2015 e guarda no Ver-o-Peso o maior mercado a céu aberto do continente.
Por que Belém é o portal da Amazônia?
Fundada em 12 de janeiro de 1616 como forte estratégico contra invasores europeus, a capital paraense controla a foz do rio que dá acesso à floresta. Hoje, com cerca de 1,4 milhão de habitantes, é a base de quem segue para o Marajó, o Combu ou as comunidades ribeirinhas do interior.
O Ciclo da Borracha, no fim do século 19, transformou a cidade na chamada Paris das Américas. Casarões em estilo eclético, praças arborizadas e o traçado das avenidas ainda preservam essa herança, agora misturada ao ritmo amazônico do dia a dia.

Ver-o-Peso: o mercado que acorda antes da cidade
O Mercado Ver-o-Peso existe desde 1625, quando funcionava como casa de aferição de mercadorias da Coroa portuguesa. O conjunto arquitetônico atual ocupa 25 mil metros quadrados e foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1977.
O mercado abre às 5h e atrai cerca de 20 mil pessoas por dia. Vale chegar cedo para acompanhar a Feira do Açaí, quando os barcos descarregam paneiros do fruto vindos do interior. As barracas vendem cupuaçu, bacuri, taperebá, ervas medicinais e o famoso peixe frito com açaí da Banca do Léo.
Este vídeo do canal Coisas do Mundo apresenta Belém, a capital do Pará, como a “Metrópole da Amazônia”, destacando sua importância histórica, econômica e cultural para a Região Norte do Brasil.
O que se come quando se chega à terra do tucupi?
A culinária paraense tem identidade própria, com base indígena reforçada por influências portuguesa e africana. O portal oficial de turismo da prefeitura destaca os pratos que definem a cidade.
- Tacacá: caldo quente de tucupi servido em cuia, com goma de tapioca, camarão seco e jambu, a planta que adormece a boca.
- Pato no tucupi: pato assado e cozido no caldo amarelo da mandioca, com folhas de jambu e arroz branco.
- Maniçoba: a feijoada paraense, feita com folhas de mandioca cozidas por até sete dias para retirar o ácido tóxico.
- Açaí com peixe frito: a combinação que choca quem chega de fora, sempre servida sem açúcar, com farinha de mandioca.
- Caldeirada de filhote: ensopado feito com um dos maiores peixes de água doce do mundo.
Onde ver o pôr do sol mais bonito da cidade?
A resposta dos belenenses costuma ser a Estação das Docas. O antigo porto fluvial foi restaurado e inaugurado em 2000, ocupando 32 mil metros quadrados em três armazéns transformados em boulevard de gastronomia, lojas e cultura.
O complexo recebe em média 1,5 milhão de visitantes por ano e tem palco com programação musical diária. Vale conhecer a Amazon Beer, cervejaria com rótulos feitos de bacuri e cupuaçu, e tomar um sorvete na Cairu, sorveteria que serve sabores como castanha-do-pará, taperebá e murici.

O que ver fora do roteiro do mercado?
Belém guarda atrações para quem quer ir além das docas. A maioria fica concentrada no centro histórico, no bairro da Cidade Velha, onde a cidade nasceu.
- Theatro da Paz: inaugurado em 1878 no auge do Ciclo da Borracha, em estilo neoclássico inspirado no Scala de Milão. Tem 900 lugares e oferece visitas guiadas.
- Mangal das Garças: parque de 40 mil m² às margens do rio Guamá, com borboletário, viveiro de aves, mirante e o restaurante Manjar das Garças.
- Cine Olympia: aberto em 1912, é o cinema mais antigo em funcionamento no Brasil, no bairro Campina.
- Forte do Presépio: marco zero da cidade, construído em 1616 para conter invasores estrangeiros na Amazônia.
- Basílica de Nossa Senhora de Nazaré: ponto final do Círio de Nazaré, procissão anual que reúne 2 milhões de pessoas no segundo domingo de outubro.
Vale a pena cruzar o rio até a Ilha do Combu?
A poucos minutos de barco da capital, a Ilha do Combu oferece o contraponto fluvial à vida urbana. Restaurantes ribeirinhos servem peixe fresco em redes sob o telhado de palha, e a chocolateira Filha do Combu produz bombons com cacau colhido na própria ilha.

Qual a melhor época para visitar?
Belém tem duas estações bem definidas: o inverno amazônico, mais chuvoso, e o verão, mais seco. A chuva pode cair forte e curta em qualquer mês.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar até a capital paraense?
O Aeroporto Internacional de Belém Val-de-Cans recebe voos diretos das principais capitais brasileiras. A cidade também é ponto de partida de cruzeiros fluviais que descem o rio Amazonas até Manaus e Santarém.
Vá experimentar a Amazônia que cabe na cuia
Belém é o tipo de cidade que entra pelos sentidos. O cheiro do tucupi fervendo, o calor da farinha amarela, o adormecer do jambu na boca, tudo desenha uma experiência que não existe em outro canto do Brasil.
Você precisa visitar Belém pelo menos uma vez para entender por que dizem que a Amazônia começa na primeira garfada.






