No extremo sul do Rio Grande do Sul, Pelotas guarda casarões ecléticos, chafarizes vindos da França e a maior tradição doceira do país. A cidade recebeu em 2024 o título oficial de Capital Nacional do Doce e tem suas receitas reconhecidas como patrimônio imaterial.
Como uma cidade do charque virou a capital do quindim?
A história começa nas charqueadas do século 19, quando Pelotas exportava carne salgada para o Nordeste. Os navios voltavam carregados de açúcar, e essa abundância de matéria-prima encontrou as mãos das doceiras portuguesas e das mucamas das casas-grandes.
O resultado foi uma confeitaria fina servida em saraus e teatros, com receitas como camafeu, pastel de Santa Clara e fios de ovos. A tradição doceira pelotense foi registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como bem cultural imaterial do Brasil.

Onde começa o passeio pelo centro histórico?
A resposta está na Praça Coronel Pedro Osório, coração da cidade desde 1832. No centro, o Chafariz das Nereidas, importado da França em 1873, distribui água ornamental cercado por casarões ecléticos.
Em volta da praça estão a Prefeitura, o Theatro Sete de Abril (de 1834, um dos teatros mais antigos do Brasil em funcionamento), a Biblioteca Pública Pelotense (de 1875) e o Grande Hotel. O conjunto histórico foi tombado pelo IPHAN em 2018 como Patrimônio Cultural Brasileiro.
Este vídeo do canal Cidades & Cia apresenta Pelotas, conhecida como a “Princesa do Sul”, destacando sua rica história ligada ao charque, sua tradição doceira e sua importância econômica e cultural no Rio Grande do Sul.
Por que o Mercado Público parece uma estação de trem?
Construído em 1847, o Mercado Público de Pelotas tem torre de relógio importada da Alemanha e estrutura interna que remete às estações ferroviárias inglesas. O prédio em estilo neoclássico é parada obrigatória para um café da tarde com docinhos.
Aos sábados, o entorno do mercado abriga o Mercado das Pulgas, feira de antiguidades semelhante às de Montevidéu. Vinis, móveis dos anos 1950 e relíquias garimpadas circulam entre rodas de samba e chorinho ao vivo.
Vale visitar uma charqueada de verdade?
A Rota das Charqueadas é o segundo motivo mais forte para visitar a cidade. Das mais de 50 que existiram no século 19, quatro foram preservadas e podem ser conhecidas hoje.
- Charqueada São João: construída entre 1810 e 1813, é a única aberta para visita guiada. Hospedou o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire em 1820.
- Charqueada Boa Vista: tombada como patrimônio histórico, mantém a arquitetura original do período do charque.
- Charqueada Santa Rita: hoje funciona como pousada de charme, permitindo dormir num casarão do século 19.
- Charqueada Costa do Abolengo: completa o circuito, próxima ao arroio que deu nome à cidade.

Quais doces precisam entrar na lista?
Pelotas tem mais de 200 variedades catalogadas, sendo 15 com certificação de autenticidade. As doçarias do centro histórico funcionam como museus comestíveis da cidade.
- Quindim: o doce de gema e coco que virou símbolo da cidade, servido em forminhas baixas.
- Pastel de Santa Clara: massa folhada com recheio de doce de ovos, herança das receitas conventuais portuguesas.
- Camafeu de noz: bolinha de doce de ovos coberta com glacê e adornada com meia noz, clássico dos saraus oitocentistas.
- Olho de sogra: ameixa preta recheada com doce de coco e açúcar caramelado, presença obrigatória nas bandejas.
- Fatia de Braga: bolo embebido em calda, receita portuguesa que chegou direto no porto de Pelotas.
O que fazer fora do centro histórico?
A 12 km do centro, a Praia do Laranjal é a alma de verão dos pelotenses. A orla em frente à Lagoa dos Patos tem calçadão arborizado por figueiras centenárias e infraestrutura de bares e restaurantes.
O Pontal da Barra, na ponta sul do Laranjal, oferece o pôr do sol mais procurado da região. Vale combinar a visita com o Parque da Baronesa, antigo solar do século 19 transformado em museu com jardins arborizados.

Quando viajar para a cidade dos doces?
Pelotas tem clima temperado, com quatro estações bem definidas. O verão é a alta temporada do Laranjal e o final de junho concentra a Fenadoce, maior feira gastronômica do Sul.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar até a Princesa do Sul?
Pelotas fica a 261 km de Porto Alegre pela BR-116, viagem de cerca de 3h30 de carro. O Aeroporto João Simões Lopes Neto recebe voos regionais de Porto Alegre e São Paulo. A cidade também tem terminal rodoviário com saídas frequentes da capital gaúcha.
Vá conhecer a cidade do açúcar e do sal
Pelotas é o tipo de destino que cabe em qualquer paladar e vale a pena para quem quer entender por que a riqueza do Rio Grande do Sul passou por aqui antes de chegar a qualquer outro lugar.
Você precisa visitar Pelotas pelo menos uma vez e provar um pastel de Santa Clara fresco enquanto o relógio do mercado público marca a hora.






