Em João Pessoa, capital da Paraíba, apelidada de “Porta do Sol”, o dia começa antes que em qualquer outro ponto continental do continente americano. A Ponta do Seixas avança 1.683 metros a mais que a Ponta de Pedras, em Pernambuco, segundo medição da Marinha de 1941.
Por que o sol nasce primeiro na capital paraibana?
A resposta está na geografia. A Ponta do Seixas, no extremo da Praia do Cabo Branco, é o ponto mais a leste de toda a massa continental das Américas. No verão, os primeiros raios pintam o céu por volta das 4h50.
O fenômeno rendeu a João Pessoa o apelido de Porta do Sol. Acima da praia, sobre uma falésia de arenito, ergue-se o Farol do Cabo Branco, inaugurado em 1972 com formato triangular único no Brasil. A vista alcança toda a orla pessoense.

O centro histórico que conta a história do Brasil
Fundada em 5 de agosto de 1585 às margens do Rio Sanhauá, a cidade é a terceira capital mais antiga do país. Só o Rio de Janeiro e Salvador nasceram antes.
O conjunto colonial foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2009. O tombamento abrange 502 edificações em 370 mil metros quadrados, distribuídas pelos bairros do Varadouro e Cidade Alta. O traçado urbano original ainda se mantém, integrando manguezais, rio e mar em uma das paisagens coloniais mais preservadas do Nordeste.
João Pessoa, a capital da Paraíba, é apresentada neste vídeo do canal Gabi Aonde como um destino que equilibra custo-benefício, segurança e belezas naturais que lembram o Caribe e Fernando de Noronha.
O que fazer em João Pessoa além das praias urbanas?
O roteiro vai muito além de Tambaú. Em poucos minutos de carro, o visitante sai de uma piscina natural e chega a um conjunto barroco do século 17.
- Piscinas Naturais do Seixas: formações de corais acessíveis por catamarã na maré baixa, com peixes coloridos, algas e ocasionais tartarugas.
- Centro Cultural São Francisco: complexo barroco com igreja, convento e a Capela Dourada, um dos legados mais notáveis do estilo no turismo paraibano.
- Estação Cabo Branco: projetada por Oscar Niemeyer e inaugurada em 2008, com 8.500 m² dedicados a ciência, cultura e arte. Entrada gratuita.
- Jardim Botânico Benjamim Maranhão: 515 hectares de Mata Atlântica nativa cercados por área urbana, com trilhas e mirantes.
- Praia do Jacaré: praia fluvial em Cabedelo, palco do pôr do sol mais famoso do Nordeste.
O Bolero de Ravel que virou patrimônio cultural
Todo fim de tarde, o saxofonista Jurandy do Sax entra em uma canoa no Rio Paraíba e executa o Bolero de Ravel enquanto o sol desce sobre a Praia do Jacaré. A apresentação dura cerca de 17 minutos, exatamente o tempo que o sol leva para se esconder atrás da mata.
A tradição começou em 1999. Em 2025, foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado da Paraíba. Jurandy também figura no Guinness Book como o artista que mais executou a obra de Maurice Ravel ao vivo. A entrada na orla é gratuita, e barcos saem para acompanhar o espetáculo de perto.
Quais sabores experimentar na mesa pessoense?
A culinária mistura mar, sertão e tradição nordestina. Os principais polos gastronômicos ficam em Tambaú, Manaíra e Cabo Branco.
- Peixada à paraibana: prato símbolo da capital, feito com peixe fresco, leite de coco e legumes da estação.
- Cuscuz paraibano: feito de milho floculado, ganha sabor defumado quando servido com carne de sol ou bode guisado.
- Carne de sol com macaxeira: clássico do interior, presente em quase todos os restaurantes da orla.
- Tapioca recheada: opção de café da manhã ou lanche, com dezenas de combinações nas feiras locais.

Quando viajar para a capital paraibana?
O clima é tropical o ano todo, com diferença pequena entre as estações. O que dita o roteiro é o regime de chuvas, mais intensas entre abril e julho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Porta do Sol?
O Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto fica a 23 km da zona hoteleira da capital, no município vizinho de Bayeux. Quem chega de carro pode usar a BR-101, com Recife a 116 km e Natal a 180 km.
A cidade que vê o dia primeiro
João Pessoa entrega uma combinação rara entre praia urbana, herança colonial e arquitetura modernista em distâncias curtas. Poucas capitais brasileiras oferecem o mesmo contraste em uma manhã de passeio.
Você precisa acordar antes do amanhecer e ir até a Ponta do Seixas para sentir o que é estar no lugar onde o continente americano vê o dia nascer primeiro.








