A 37 km de Santarém, no oeste do Pará, Alter do Chão recebeu o apelido de “Caribe da Amazônia” guarda águas azul-turquesa e bancos de areia que aparecem só metade do ano. Em 2009, o jornal The Guardian a apontou como uma das praias mais bonitas do Brasil.
Uma vila fundada em 1626 que virou refúgio amazônico
A região era habitada pelos índios Borari, catequizados por jesuítas nos séculos XVII e XVIII. Em 6 de março de 1626, o português Pedro Teixeira fundou o povoado e batizou o lugar em homenagem a uma vila medieval do Alentejo, em Portugal. A elevação à categoria de vila veio em 1758, durante a política pombalina.
No início do século XX, o distrito serviu de rota de transporte do látex extraído de Belterra e Fordlândia. Com a decadência do extrativismo nos anos 1950, a economia entrou em colapso e só voltou a respirar nos anos 1990, quando o turismo começou a crescer. Em 2021, o vilarejo recebeu o título de Melhor Destino Turístico Nacional pelo Prêmio UPIS de Turismo, com 97,55% dos votos.

O que fazer na vila e nos arredores do Tapajós?
O centrinho é compacto e se percorre a pé em poucos minutos. Os principais cenários, porém, ficam na água e exigem barco ou lancha.
- Ilha do Amor: cartão-postal da vila, banco de areia em frente à orla acessível por canoa em poucos minutos. Aparece só na vazante, entre agosto e janeiro.
- Lago Verde: laguna de águas calmas e transparentes do outro lado da Ilha do Amor, ideal para passeios de canoa entre igarapés.
- Floresta Encantada: igapó alagado próximo à vila onde barcos navegam entre copas de árvores submersas durante a cheia.
- Serra da Piroca: trilha curta até cerca de 110 metros com vista de 360 graus do rio, do Lago Verde e da floresta.
- Ponta do Cururu: trecho à beira do Tapajós conhecido pelo pôr do sol avermelhado e pela aparição de botos no fim de tarde.
O vídeo do canal Trip Partiu apresenta um guia completo sobre Alter do Chão, no Pará, carinhosamente apelidado de “Caribe Amazônico”. Com praias de águas doces e quentes, o destino foi eleito pelo jornal britânico The Guardian como um dos mais belos do Brasil.
Floresta Nacional do Tapajós: 527 mil hectares de mata preservada
A cerca de 30 km da vila, a Floresta Nacional do Tapajós abriga uma das maiores biodiversidades da Amazônia. A unidade foi criada pelo Decreto nº 73.684 de 1974 e é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Trilhas guiadas por moradores das comunidades tradicionais levam a árvores centenárias, entre elas a famosa Samaúma de proporções monumentais. O passeio inclui banhos de igarapé, observação de fauna e visita às vilas ribeirinhas, como Jamaraquá, onde o turista paga taxa de entrada e pode pernoitar em pousadas comunitárias.

Como é o Festival do Sairé que para a vila em setembro?
Toda segunda ou terceira semana de setembro, a vila de cerca de 6 mil moradores é tomada por barcos e visitantes. O Sairé é uma das celebrações mais antigas da Amazônia, com pelo menos três séculos de existência, segundo a National Geographic.
A festa mistura procissões católicas e rituais indígenas dos Borari, com danças de carimbó, lendas amazônicas e a famosa disputa entre os botos Tucuxi e Cor-de-Rosa em uma arena montada na praça central. Barracas de palha vendem tacacá, vatapá e artesanato em fibras naturais durante quatro dias de programação ininterrupta.
Os pratos paraenses que você precisa provar na beira do rio
A cozinha de Alter do Chão segue o ritmo do Tapajós. Peixes frescos, ingredientes indígenas e frutas da floresta dominam os cardápios dos restaurantes à beira d’água.
- Tacacá: sopa quente servida em cuia de cabaça, com tucupi, goma de mandioca, jambu (folha que anestesia a boca) e camarão seco.
- Pirarucu: um dos maiores peixes de escamas de água doce do Brasil, servido grelhado, ensopado ou na receita do pirarucu de casaca, com banana e farinha.
- Tucunaré na manteiga: clássico dos restaurantes ribeirinhos, acompanhado de arroz de jambu e farofa de banana.
- Piracaia: tradição de assar peixe na areia da praia ao cair da noite, geralmente acompanhada por rodas de carimbó.
- Açaí na cuia: consumido puro, sem açúcar, com farinha de mandioca, no estilo paraense tradicional.

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Quando o rio baixa e as praias aparecem?
O calendário em Alter do Chão se divide em duas estações distintas. A escolha do mês muda completamente a experiência da viagem.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo de Santarém, cidade-base. Condições podem variar.
Como chegar à vila a partir de Santarém?
O acesso é feito pelo Aeroporto Internacional de Santarém Maestro Wilson Fonseca, com voos diretos de Belém, Brasília e Manaus. De Santarém, a vila fica a 37 km pela rodovia PA-457 (Everaldo Martins), totalmente pavimentada, em cerca de 40 minutos de carro. Quem tem tempo pode chegar de barco pelo Rio Amazonas a partir de Belém ou Manaus, em viagens de um a dois dias.
Por que o Caribe Amazônico vale a viagem
Poucos destinos do Brasil mudam tanto entre uma estação e outra. Alter do Chão entrega dois lugares diferentes no mesmo endereço: praia de areia branca no verão amazônico e floresta navegável na cheia.
Você precisa conhecer Alter do Chão e descobrir como o Pará guarda um Caribe de água doce em pleno coração da maior floresta tropical do mundo.






